Ração na piscicultura: menor preço pode elevar custo por quilo de peixe produzido
Alimentação pode representar até 70% das despesas em sistemas intensivos; qualidade nutricional e conversão alimentar devem orientar a compra
Publicado em: 03/11/2026 às 07:30hs
Comprar uma ração mais barata nem sempre significa reduzir os custos da piscicultura. Quando o alimento apresenta menor aproveitamento nutricional, os peixes podem precisar consumir mais para atingir o peso de comercialização, aumentando as despesas e o desperdício durante o cultivo.
Por isso, a escolha deve considerar o custo por quilo de peixe produzido, além do valor pago pela ração. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a alimentação pode representar até 70% das despesas em sistemas intensivos de criação.
Conversão alimentar ajuda a avaliar o custo da ração
A conversão alimentar relaciona a quantidade de alimento consumido ao ganho de peso dos animais. Quanto maior a necessidade de ração para produzir o mesmo volume de peixe, maior tende a ser o gasto com alimentação.
De acordo com Cleber Daniel Almeida, zootecnista e consultor técnico e comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal, a qualidade da formulação influencia diretamente o aproveitamento dos nutrientes.
Assim, uma economia no momento da compra pode perder vantagem quando o produtor avalia o consumo necessário para completar o ciclo e alcançar o peso de venda.
Dieta precisa acompanhar espécie e fase de cultivo
As exigências nutricionais variam conforme a espécie e a etapa de desenvolvimento dos peixes. A formulação deve fornecer níveis adequados de proteínas, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais.
Uma dieta ajustada a essas necessidades contribui para o desempenho produtivo e para o melhor aproveitamento do alimento. A avaliação da ração precisa, portanto, estar vinculada às características do cultivo e aos resultados observados nos lotes.
Nutrição também influencia a qualidade da água
O aproveitamento dos nutrientes tem reflexos no ambiente de criação. Uma alimentação equilibrada pode reduzir a eliminação de resíduos e contribuir para preservar a qualidade da água.
Entre os sinais que podem indicar problemas nutricionais estão crescimento abaixo do esperado, redução do consumo, alterações nas fezes e lesões de pele. Essas ocorrências exigem avaliação técnica, pois também podem estar relacionadas a outros fatores do cultivo.
Armazenamento deve preservar a qualidade do alimento
Os cuidados continuam depois da compra. O armazenamento inadequado e a exposição à umidade podem comprometer a qualidade da ração e prejudicar o resultado esperado na criação.
Para Almeida, a decisão deve considerar o desempenho ao longo de todo o ciclo produtivo, relacionando preço, consumo e ganho de peso.
“Na escolha da ração, o preço é um ponto de partida, mas não deve ser o único critério. O que interessa é saber como aquele alimento contribui para o sucesso da criação e quanto o produtor vai gastar para chegar ao peso ideal de comercialização”, afirma.
Fonte: Portal do Agronegócio
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