Nutrição estratégica na seca: manejo alimentar evita perdas e mantém produtividade do gado de corte
Planejamento de pastagem, suplementação adequada e atenção às exigências de cada categoria animal são fundamentais para preservar peso, reprodução e rentabilidade da pecuária durante o período de estiagem.
Publicado em: 03/08/2026 às 08:00hs
O período de seca representa um dos maiores desafios para a pecuária de corte brasileira, principalmente pela redução da oferta e da qualidade das pastagens. Nesse cenário, a nutrição estratégica do rebanho se torna uma ferramenta essencial para evitar perdas de peso, manter o desempenho produtivo e preservar os índices reprodutivos das matrizes.
Com planejamento antecipado, reserva de forragem e suplementação adequada, o produtor consegue atravessar a estiagem com maior eficiência, reduzindo impactos econômicos e garantindo melhores resultados ao longo do ciclo pecuário.
Planejamento alimentar é chave para enfrentar a seca
Durante a estiagem, a queda na disponibilidade de pasto exige uma preparação antecipada por parte do pecuarista. O primeiro passo é realizar um diagnóstico completo da propriedade, considerando fatores como:
- número de animais por categoria;
- demanda nutricional do rebanho durante o período seco;
- disponibilidade de pastagens;
- quantidade de volumosos armazenados;
- definição das categorias prioritárias para suplementação.
A estratégia deve considerar que animais com maiores exigências nutricionais, como bezerros, novilhas em crescimento e matrizes gestantes, precisam receber atenção especial para evitar redução de desempenho.
Segundo especialistas, a falta de planejamento pode resultar em perda de escore corporal, menor eficiência reprodutiva e atraso no desenvolvimento dos animais.
Suplementação ajuda a aproveitar melhor o pasto seco
Durante a seca, a qualidade nutricional das pastagens sofre grande redução. Em muitos casos, o teor de proteína da forragem pode ficar abaixo de 6%, comprometendo a atividade dos microrganismos do rúmen, a digestão da fibra e o aproveitamento dos nutrientes pelo animal.
Nesse cenário, a suplementação proteica auxilia no melhor aproveitamento do pasto disponível, permitindo manter o peso dos animais ou até promover ganhos, conforme a categoria e os objetivos produtivos.
De acordo com o zootecnista e diretor técnico industrial da Connan, Bruno Marson, quando a oferta de forragem não atende às necessidades do rebanho, é necessário complementar a dieta com fontes de volumosos conservados, como:
- silagem de milho;
- silagem de capim;
- cana-de-açúcar;
- suplementos proteicos.
A combinação entre volumoso e suplementação permite maior estabilidade nutricional durante os meses de menor oferta de pastagem.
Suplementação proteico-energética aumenta ganho de peso
Para propriedades que buscam acelerar o desenvolvimento dos animais durante a seca, a suplementação proteico-energética é uma alternativa estratégica.
Essa tecnologia é amplamente utilizada em sistemas de recria intensiva e na preparação de animais destinados ao abate precoce, pois contribui para melhorar o ganho de peso mesmo em condições de menor qualidade das pastagens.
A escolha do suplemento deve considerar os objetivos da fazenda, a categoria animal e o sistema de produção adotado.
Manejo nutricional deve ser ajustado por categoria animal
Cada grupo dentro do rebanho possui necessidades específicas durante a seca. O manejo nutricional deve ser direcionado conforme a fase produtiva:
Matrizes gestantes
O principal objetivo é preservar o escore corporal e reduzir perdas de peso, especialmente no terço final da gestação, período decisivo para a reprodução e o desempenho dos futuros bezerros.
Bezerros
Quando possível, o uso do creep-feeding associado à suplementação proteico-energética favorece o desenvolvimento contínuo e melhora o desempenho até a desmama.
O consumo recomendado pode variar entre 0,3% e 0,7% do peso vivo, conforme a estratégia nutricional adotada.
Recria
Na fase de crescimento, a suplementação proteica ou proteico-energética auxilia na manutenção dos ganhos e no desenvolvimento estrutural dos animais, reduzindo o impacto da seca sobre o ciclo produtivo.
Engorda
Para animais em fase final, sistemas de terminação intensiva a pasto podem ser utilizados para elevar o desempenho e antecipar o abate.
Água de qualidade é fundamental para desempenho do rebanho
Além da alimentação, a disponibilidade de água de qualidade é um fator determinante para o sucesso da produção durante a seca.
A água é um nutriente essencial e influencia diretamente:
- consumo de matéria seca;
- ganho de peso;
- saúde dos animais;
- eficiência alimentar.
Por isso, os bebedouros devem ser monitorados constantemente, garantindo volume adequado, limpeza e qualidade da água fornecida ao rebanho.
Estratégia nutricional aumenta eficiência e rentabilidade na pecuária
A combinação entre planejamento alimentar, reserva de forragem, suplementação estratégica e oferta de água de qualidade é apontada como a melhor alternativa para reduzir os efeitos da seca sobre a pecuária de corte.
Com manejo adequado, o produtor consegue preservar a condição corporal das matrizes, melhorar os índices reprodutivos, manter ganhos de peso e aumentar a rentabilidade do sistema produtivo.
Em um cenário de maior pressão por eficiência na pecuária, a nutrição estratégica durante a estiagem deixa de ser apenas uma medida de sobrevivência e passa a ser uma ferramenta essencial para elevar a produtividade e a competitividade da fazenda.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias