Digestibilidade das aves de postura: qualidade da ração e uso de enzimas são decisivos para produtividade e qualidade dos ovos
Fatores como matéria-prima, armazenamento inadequado e compostos antinutricionais podem comprometer o desempenho das granjas; tecnologias enzimáticas ajudam a melhorar o aproveitamento dos nutrientes e a eficiência da produção avícola
Publicado em: 05/08/2026 às 09:00hs
A eficiência produtiva das aves de postura está diretamente ligada à capacidade de aproveitamento dos nutrientes presentes na alimentação. No entanto, fatores como qualidade das matérias-primas, condições de armazenamento e presença de compostos antinutricionais podem reduzir a digestibilidade da dieta, afetando a produção, a qualidade dos ovos e a saúde intestinal dos animais.
Especialistas destacam que estratégias nutricionais baseadas no uso de enzimas têm ganhado espaço na avicultura moderna por contribuir para a quebra de componentes que limitam a absorção dos nutrientes, aumentando a disponibilidade energética e mineral dos ingredientes utilizados na formulação das rações.
Digestibilidade influencia saúde intestinal e desempenho das poedeiras
Segundo Laureano Galeazzi, engenheiro agrônomo da Auster Nutrição Animal, o aproveitamento eficiente dos nutrientes está relacionado não apenas ao desempenho produtivo, mas também ao equilíbrio fisiológico das aves.
Quando os nutrientes não são adequadamente digeridos, eles permanecem no trato gastrointestinal e podem favorecer o desenvolvimento de microrganismos indesejáveis. Esse processo contribui para quadros de desequilíbrio da microbiota intestinal, conhecidos como disbiose, prejudicando a saúde intestinal e reduzindo o potencial produtivo dos lotes.
A consequência pode ser observada em diferentes indicadores da granja, como queda na produção de ovos, pior conversão alimentar, maior ocorrência de problemas sanitários e redução da rentabilidade.
Qualidade da matéria-prima interfere no aproveitamento dos nutrientes
Entre os principais fatores que afetam a digestibilidade das aves está a qualidade dos ingredientes utilizados na fabricação da ração.
O armazenamento inadequado das matérias-primas, especialmente em ambientes com alta umidade, pode favorecer o desenvolvimento de fungos e comprometer o valor nutricional dos ingredientes.
O milho, um dos principais componentes das dietas avícolas, também apresenta variações relacionadas ao processo de secagem e à composição das fibras. Quando essas fibras não são devidamente degradadas pelo sistema digestivo das aves, podem ocorrer alterações na microbiota intestinal, aumento da umidade das excretas e maior sujidade dos ovos.
Fitato reduz disponibilidade de minerais e exige estratégia nutricional
Outro desafio importante na nutrição de aves de postura está relacionado ao fósforo presente nos ingredientes vegetais.
Grande parte desse mineral encontra-se na forma de fitato, um composto que as aves não conseguem aproveitar naturalmente. Além de limitar a disponibilidade do fósforo, o fitato também atua como fator antinutricional, podendo interferir na absorção de proteínas e minerais.
Nesse cenário, a utilização da enzima fitase se tornou uma ferramenta estratégica para a avicultura, pois auxilia na degradação do fitato, aumentando a disponibilidade de fósforo e reduzindo seus efeitos negativos sobre o trato intestinal.
"Cada matéria-prima vegetal apresenta diferentes níveis de fitato. Quando a dieta e o uso de enzimas não são adequadamente ajustados, podem ocorrer irritações intestinais, perdas de nutrientes, redução da qualidade da casca dos ovos, queda na produção e até aumento da mortalidade", explica Galeazzi.
Compostos antinutricionais também desafiam a nutrição das poedeiras
Além do fitato, outros componentes presentes nos ingredientes vegetais podem limitar o desempenho das aves.
Entre eles estão os galactooligossacarídeos, como rafinose e estaquiose, açúcares encontrados principalmente em leguminosas e que não são naturalmente digeridos pelas aves.
A presença desses compostos reduz o aproveitamento energético da dieta e mantém nutrientes indisponíveis para o animal. Enzimas específicas podem atuar na degradação desses componentes, liberando energia e melhorando a eficiência nutricional.
Enzimas ampliam eficiência alimentar e ajudam na rentabilidade da granja
Soluções baseadas em blends enzimáticos têm sido utilizadas para atuar sobre diferentes fatores antinutricionais presentes nas matérias-primas vegetais.
A tecnologia permite trabalhar componentes como fitatos, fibras insolúveis, galactooligossacarídeos e proteínas, aumentando a disponibilidade dos nutrientes para as aves e contribuindo para uma alimentação mais eficiente.
De acordo com Galeazzi, a combinação entre estratégias nutricionais adequadas e o uso de enzimas pode gerar ganhos importantes para o produtor, incluindo melhora no peso das aves, aumento da produção de ovos, maior qualidade da casca, redução do desperdício de nutrientes e melhor desempenho econômico do sistema produtivo.
"A adoção de soluções que aumentam a digestibilidade permite ao avicultor obter lotes mais eficientes, com maior aproveitamento da ração e melhores resultados produtivos", conclui o especialista.
Nutrição de precisão como caminho para a avicultura mais competitiva
Com custos de produção cada vez mais pressionados e consumidores mais exigentes, a avicultura de postura busca tecnologias capazes de elevar a eficiência sem comprometer a sustentabilidade do sistema.
O avanço das soluções enzimáticas reforça uma tendência crescente no setor: transformar a alimentação animal em uma ferramenta estratégica para aumentar produtividade, reduzir perdas e fortalecer a competitividade da cadeia brasileira de ovos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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