Cargill inicia produção de ProviSoy no Brasil para nutrição de leitões na creche
Fabricada em Casca (RS), proteína vegetal processada busca apoiar a saúde intestinal no pós-desmame; avaliações citadas pela empresa apontam ganho de peso 11% superior ao obtido com farelo de soja tradicional
Publicado em: 16/10/2026 às 08:30hs
A Cargill Nutrição e Saúde Animal iniciou a produção brasileira do ProviSoy™, fonte de proteína vegetal processada destinada à alimentação de leitões na fase de creche. A fabricação ocorre na unidade de Casca, no Rio Grande do Sul, e marca a primeira produção da tecnologia no país.
Segundo a companhia, a solução foi desenvolvida para favorecer o aproveitamento dos nutrientes e apoiar a saúde intestinal durante o pós-desmame. Nesse período, os animais passam do leite para a ração sólida enquanto os sistemas digestório e imunológico ainda estão em desenvolvimento.
A proposta é oferecer uma proteína de alta digestibilidade que contribua para a adaptação alimentar, o consumo de ração e o desempenho dos leitões.
Transição alimentar exige atenção à saúde intestinal
O desmame representa uma etapa desafiadora para a suinocultura. Além da mudança na alimentação, os leitões precisam adaptar sua capacidade digestiva aos ingredientes presentes na ração.
De acordo com Paulo Henrique Campos, consultor técnico da Cargill Nutrição e Saúde Animal, nessa fase a secreção de enzimas ainda não está plenamente ajustada à digestão de amidos e proteínas vegetais. Baixa acidez estomacal, alterações na permeabilidade intestinal, inflamação e estresse oxidativo também podem comprometer essa adaptação.
Segundo o especialista, a escolha das fontes proteicas deve considerar tanto a disponibilidade de nutrientes quanto seus efeitos sobre o ambiente intestinal.
A Cargill afirma que o processamento do ProviSoy favorece a absorção e o metabolismo dos nutrientes e contribui para a modulação da microbiota. Entre os benefícios relatados pela empresa estão maior consumo de ração, melhor ganho de peso e menor incidência de diarreia na creche.
Estudos apontam ganhos de digestibilidade e desempenho
Conforme os resultados apresentados pela Cargill, um estudo conduzido no Schothorst Feed Research, na Holanda, registrou melhora de 21% na digestibilidade ileal da proteína bruta e de 100% na digestibilidade fecal das fibras com o uso de ProviSoy em leitões na creche.
Em avaliações de desempenho citadas pela companhia, os animais alimentados com a tecnologia apresentaram ganho de peso 11% superior ao dos leitões que receberam farelo de soja tradicional.
Os percentuais correspondem às condições das avaliações relatadas e não representam uma garantia de resposta igual em todos os sistemas de produção.
Aproveitamento da proteína influencia a microbiota
Campos explica que aumentar a digestibilidade permite aos leitões utilizar melhor os nutrientes da dieta. Também reduz a quantidade de proteína não digerida que chega ao intestino grosso e fica disponível para fermentação.
Segundo o consultor, esse aspecto é relevante para o equilíbrio da microbiota e a preservação da saúde intestinal. Por isso, a formulação das dietas de creche deve observar a quantidade e as características da proteína que permanece após a digestão.
“Além do desempenho, estamos olhando para a quantidade e o tipo de proteína que chega ao intestino grosso dos animais e, assim, definindo as melhores estratégias para a fase de creche”, afirma.
Qualidade do processamento entra no planejamento nutricional
O consultor também destaca a importância da consistência no processamento da soja e de seus derivados. Segundo ele, o processamento insuficiente ou excessivo pode comprometer a digestibilidade, o valor nutricional e o controle de fatores antinutricionais.
Na avaliação de Campos, a tecnologia busca oferecer uma fonte vegetal com qualidade consistente para a formulação das dietas, apoiando a integridade intestinal e o desempenho dos animais.
Com a fabricação em Casca, a Cargill passa a produzir no Brasil essa especialidade voltada à nutrição de leitões, com foco em uma das etapas mais sensíveis da criação: a adaptação alimentar após o desmame.
Fonte: Portal do Agronegócio
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