Bioproduto contra percevejo-do-arroz avança em Santa Catarina com parceria entre Epagri e cooperativas
Pesquisa identificou fungo com potencial para controlar uma das principais pragas do arroz irrigado e agora trabalha na formulação de uma alternativa biológica aos inseticidas
Publicado em: 15/09/2026 às 16:30hs
A pesquisa para desenvolver um bioproduto destinado ao controle do percevejo-do-grão nas lavouras de arroz irrigado avançou para uma nova etapa em Santa Catarina. Após identificar um fungo com potencial para combater a praga, pesquisadores e representantes do setor produtivo trabalham na criação de uma formulação adequada para aplicação no campo.
Os próximos passos do projeto foram discutidos na quarta-feira (09), durante reunião realizada na sede do Sistema da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), em Florianópolis.
A iniciativa reúne a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), as cooperativas Cooperjuriti, Cooperja e Coopersulca, a Urbano Agroindustrial e a Ballagro, empresa especializada em bioprodutos agrícolas.
O objetivo é transformar os resultados obtidos pela pesquisa científica em uma tecnologia capaz de integrar o manejo do percevejo-do-grão, racionalizar o uso de inseticidas e reduzir os riscos para a produção e o meio ambiente.
Percevejo-do-grão ameaça lavouras de arroz irrigado
O percevejo-do-grão, da espécie Oebalus poecilus, está entre as principais pragas do arroz irrigado em Santa Catarina. O inseto ataca os grãos durante o processo de formação e pode provocar perdas de produtividade e qualidade.
A busca por novas formas de controle surgiu de uma demanda da própria cadeia produtiva do arroz. Produtores e cooperativas procuram alternativas que reduzam a dependência de inseticidas e possam ser incorporadas aos programas de manejo integrado de pragas.
Em resposta a esse desafio, a Epagri iniciou o projeto “Prospecção e bioprospecção de microrganismos para o controle do percevejo-do-grão (Oebalus spp.) na cultura do arroz irrigado em Santa Catarina”.
Após três anos de pesquisa, os estudos identificaram um fungo com capacidade potencial de atuar sobre o inseto.
Fungos podem ampliar controle biológico nas lavouras
O microrganismo selecionado pertence à espécie Beauveria bassiana, fungo utilizado em estratégias de controle biológico de diferentes pragas agrícolas.
A próxima fase será dedicada ao desenvolvimento de uma formulação que preserve a eficiência do agente biológico e permita sua aplicação nas condições encontradas nas lavouras catarinenses.
Esse trabalho será realizado com a participação da Ballagro, empresa localizada em Bom Jesus dos Perdões (SP). A parceria busca aproximar o conhecimento produzido pela pesquisa pública da experiência industrial necessária para transformar o fungo em um bioproduto aplicável comercialmente.
Antes de chegar ao mercado, a solução ainda deverá passar pelas etapas de formulação, avaliação de eficiência, validação agronômica e atendimento às exigências regulatórias.
Alternativa pode reduzir dependência de inseticidas
Segundo a Epagri, o manejo integrado do percevejo-do-grão pode contribuir para racionalizar as aplicações de inseticidas nas áreas de arroz irrigado.
A proposta não consiste apenas em substituir uma tecnologia por outra, mas em ampliar as ferramentas disponíveis para monitorar e controlar a praga.
Quando utilizado de maneira técnica, o controle biológico pode ajudar a reduzir aplicações desnecessárias, preservar organismos benéficos e diminuir os riscos de resíduos e contaminação ambiental.
A tecnologia também poderá favorecer uma produção mais alinhada às exigências de sustentabilidade e segurança dos alimentos, fatores que ganham importância nos mercados nacional e internacional.
Cooperativas aproximam pesquisa das necessidades do produtor
O projeto conta com o apoio da Cooperjuriti, Cooperja, Coopersulca e Urbano Agroindustrial. A participação dessas organizações permite que as demandas dos produtores sejam incorporadas ao desenvolvimento da tecnologia.
Para o presidente do Sistema OCESC e da Cooperja, Vanir Zanatta, a cooperação entre pesquisa, empresas e cooperativas aumenta as possibilidades de transformar uma necessidade do campo em inovação.
“Quando cooperativas, pesquisa e empresas trabalham juntas, conseguimos transformar uma necessidade concreta do produtor em uma oportunidade de inovação”, afirma.
Segundo Zanatta, o desenvolvimento de uma alternativa biológica para o percevejo demonstra que o cooperativismo catarinense busca conciliar produtividade, sustentabilidade e competitividade.
Intercooperação fortalece inovação na cadeia do arroz
A articulação entre diferentes cooperativas em torno de um problema comum também reforça o conceito de intercooperação. Nesse modelo, organizações do mesmo setor compartilham conhecimento, estrutura e capacidade de investimento para buscar soluções de interesse coletivo.
Na produção de arroz irrigado, essa integração pode acelerar a validação das tecnologias, facilitar a realização de testes em condições distintas e ampliar o alcance dos resultados entre os agricultores.
Participaram da reunião os pesquisadores da Epagri Alexandre Visconti e Laerte Terres, além de Giovani Canola, coordenador do Núcleo de Negócios.
A Urbano Agroindustrial foi representada por João Franzner e Tainá Gutz. Também estiveram presentes o presidente da Cooperjuriti, Orlando Giovanella; o presidente da Coopersulca, Arlindo Manenti; Juliano Favarin, representante da cooperativa; e, pela Cooperja, Vanir Zanatta e Jordanis Hoffmann.
Com o avanço para a etapa de formulação, o projeto entra em uma fase decisiva para transformar o fungo identificado pela pesquisa em uma solução efetivamente disponível para os produtores de arroz irrigado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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