Indústria química alerta para impactos de tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros e pede exclusão do setor
Abiquim afirma que sobretaxa pode elevar custos para a indústria americana, fortalecer concorrentes asiáticos e comprometer a integração produtiva entre Brasil e Estados Unidos.
Publicado em: 14/07/2026 às 11:20hs
A possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos preocupa a indústria química nacional. A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) solicitou oficialmente ao governo norte-americano que produtos químicos e petroquímicos brasileiros sejam excluídos da medida, argumentando que a decisão poderá prejudicar tanto empresas brasileiras quanto consumidores e indústrias dos próprios Estados Unidos.
O pedido foi encaminhado ao Office of the United States Trade Representative (USTR), responsável pela política comercial americana, no âmbito de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.
Tarifa pode elevar custos e reduzir competitividade
Na avaliação da Abiquim, a imposição da sobretaxa tende a aumentar os custos das cadeias produtivas norte-americanas, uma vez que diversos produtos químicos brasileiros são utilizados como matérias-primas essenciais em diferentes segmentos industriais.
Entre os setores que dependem desses insumos estão:
- Agricultura;
- Construção civil;
- Embalagens;
- Higiene e limpeza;
- Saúde;
- Indústria automotiva.
Segundo a entidade, a medida poderá pressionar preços ao consumidor final e reduzir a competitividade das empresas americanas que utilizam matérias-primas importadas do Brasil.
Relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é complementar
A associação destaca que o comércio químico entre Brasil e Estados Unidos é caracterizado por forte integração produtiva e investimentos bilaterais, não representando uma relação de concorrência direta.
Em 2025, os Estados Unidos exportaram aproximadamente US$ 11,5 bilhões em produtos químicos para o mercado brasileiro, enquanto as exportações brasileiras para o país somaram cerca de US$ 2,1 bilhões.
Os números resultam em um superávit comercial de US$ 9,4 bilhões em favor dos Estados Unidos, evidenciando, segundo a Abiquim, que a relação comercial beneficia amplamente a indústria americana.
Restrição pode favorecer fornecedores da Ásia
Outro ponto levantado pela entidade é o impacto sobre a concorrência internacional.
De acordo com o levantamento apresentado pela Abiquim, em 91,8% dos produtos brasileiros que poderão ser atingidos pela tarifa, a China já participa como fornecedora do mercado norte-americano.
Na prática, restringir o acesso dos produtos brasileiros poderá abrir espaço para fornecedores asiáticos ampliarem sua participação, sem necessariamente estimular a produção doméstica dos Estados Unidos.
A associação afirma que esse cenário pode gerar um efeito contrário ao pretendido pela política comercial americana, fortalecendo concorrentes internacionais em detrimento da integração existente entre Brasil e EUA.
Abiquim também pede exclusão de investigação paralela
Além da retirada dos produtos químicos da proposta tarifária, a entidade solicita que o setor também seja excluído de uma investigação paralela relacionada a alegações de trabalho forçado.
A associação defende ainda a adoção de exceções para produtos considerados estratégicos para as cadeias industriais dos dois países.
Cooperação bilateral é apresentada como alternativa
Em vez da adoção de novas barreiras comerciais, a Abiquim propõe o fortalecimento da cooperação econômica entre Brasil e Estados Unidos.
Entre as medidas sugeridas estão:
- ampliação da facilitação do comércio bilateral;
- convergência regulatória entre os dois mercados;
- incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico;
- modernização dos processos de comércio exterior;
- fortalecimento das cadeias produtivas integradas.
Para a entidade, iniciativas dessa natureza tendem a gerar ganhos de competitividade para ambos os países, preservando investimentos, empregos e a estabilidade das cadeias globais de suprimentos.
Mercado acompanha decisão dos Estados Unidos
A discussão sobre a eventual aplicação da tarifa é acompanhada de perto pelos setores industrial e exportador, já que o mercado norte-americano figura entre os principais destinos dos produtos químicos brasileiros.
A definição do governo dos Estados Unidos poderá influenciar não apenas o fluxo comercial entre os dois países, mas também a competitividade internacional da indústria química e petroquímica brasileira nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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