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Adubos e Fertilizantes

Produção de fertilizantes fosfatados avança e pode reduzir dependência externa do agronegócio brasileiro

Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome; ampliação da oferta nacional de fósforo é estratégica para garantir abastecimento, produtividade e competitividade no campo


Publicado em: 08/09/2026 às 14:30hs

Produção de fertilizantes fosfatados avança e pode reduzir dependência externa do agronegócio brasileiro

A elevada dependência brasileira de fertilizantes importados tem ampliado o debate sobre a necessidade de fortalecer a produção nacional de nutrientes essenciais à agricultura. Atualmente, aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no país são adquiridos no exterior, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Nesse cenário, a produção brasileira de fertilizantes fosfatados ganha importância estratégica. O aumento da oferta doméstica pode diversificar as fontes de abastecimento, reduzir a exposição do agronegócio às instabilidades internacionais e oferecer maior previsibilidade aos produtores no planejamento das safras.

Empresas como Massari Fértil e Morro Verde atuam na mineração, no beneficiamento e na formulação de fertilizantes, com foco na ampliação da disponibilidade de nutrientes adaptados às condições da agricultura nacional.

Fósforo é essencial para o desenvolvimento das culturas

O fósforo está entre os nutrientes fundamentais para o desenvolvimento das plantas. Sua presença adequada no solo favorece a formação e o crescimento do sistema radicular, a transferência de energia e o estabelecimento inicial das culturas.

A disponibilidade do nutriente influencia o aproveitamento de água e de outros elementos presentes no solo. Por isso, o manejo do fósforo ocupa posição relevante no planejamento da fertilidade e da nutrição das lavouras.

Em solos tropicais, como os encontrados em grande parte do território brasileiro, o manejo exige atenção especial. Características químicas e físicas podem reduzir a disponibilidade do fósforo para as plantas, aumentando a importância de estratégias nutricionais adequadas a cada cultivo e região.

Importação elevada deixa agricultura exposta ao mercado internacional

A dimensão da produção agropecuária brasileira exige uma cadeia de insumos capaz de atender, com regularidade, à demanda das principais regiões produtoras. Entretanto, a concentração das compras no exterior torna o mercado doméstico mais vulnerável a acontecimentos fora do controle dos agricultores.

Conflitos geopolíticos, restrições comerciais, alterações cambiais, gargalos logísticos e oscilações dos preços internacionais podem afetar tanto a disponibilidade quanto os custos dos fertilizantes.

Para Sérgio Ailton Saurin, CEO da Massari Fértil e da Morro Verde, ampliar a participação da indústria nacional não significa eliminar as importações, mas criar novas alternativas para o produtor.

“O Brasil tem uma agricultura de escala global e precisa de uma cadeia de fertilizantes à altura dessa produção. Reduzir a vulnerabilidade externa não significa deixar de importar, mas ampliar a participação da produção nacional e criar mais alternativas de abastecimento para o produtor brasileiro”, afirma.

Oferta nacional pode dar mais previsibilidade ao produtor

O fortalecimento da produção doméstica pode diminuir a exposição das propriedades rurais às mudanças repentinas no mercado internacional. Com mais alternativas de fornecimento, o agricultor ganha melhores condições para planejar compras, organizar custos e definir estratégias de manejo.

A proximidade entre a indústria nacional e as regiões agrícolas também facilita o desenvolvimento de soluções compatíveis com as características dos solos brasileiros. A combinação entre recursos minerais, conhecimento agronômico e tecnologia industrial pode favorecer formulações voltadas às exigências específicas de diferentes culturas.

Esse processo não depende apenas da ampliação da capacidade produtiva. A construção de uma cadeia de fertilizantes mais resiliente passa por três frentes complementares: produção nacional, diversificação dos fornecedores estrangeiros e maior eficiência no uso dos nutrientes.

Eficiência nutricional também ajuda a reduzir vulnerabilidades

O aumento da oferta doméstica precisa avançar junto com práticas destinadas a melhorar o aproveitamento dos fertilizantes. Análise de solo, recomendação agronômica, aplicação na dose e no momento corretos e uso de tecnologias adaptadas às condições locais são fatores que podem elevar a eficiência nutricional.

Quanto maior o aproveitamento dos nutrientes pelas plantas, menor tende a ser o risco de desperdícios e perdas econômicas. A eficiência também contribui para reduzir impactos ambientais e melhorar a relação entre custo e produtividade.

Segundo Saurin, a segurança do abastecimento integra a própria segurança da produção agropecuária brasileira.

“Ter uma oferta nacional mais forte e diversificada permite que o setor tenha maior capacidade de resposta diante das mudanças no mercado global e dá ao produtor mais previsibilidade para planejar suas safras. É um trabalho que precisa ser construído de forma contínua, envolvendo indústria, produtores e toda a cadeia do agronegócio”, destaca.

Empresas ampliam cadeia integrada de fertilizantes no Brasil

A Massari Fértil e a Morro Verde mantêm operações integradas de mineração, beneficiamento e formulação de fertilizantes minerais mistos naturais destinados ao agronegócio.

As empresas possuem ativos minerais, unidades industriais e estruturas logísticas em Minas Gerais e São Paulo, além de parcerias produtivas em outras regiões do país. A cadeia reúne atividades que vão da extração mineral ao desenvolvimento de soluções para nutrição vegetal e correção do solo.

A expansão de operações desse tipo faz parte do movimento para aumentar a participação dos insumos nacionais no mercado brasileiro. A estratégia busca complementar as importações e formar uma estrutura de abastecimento mais diversificada.

Fertilizantes nacionais ganham importância para a segurança alimentar

A disponibilidade de fertilizantes está diretamente relacionada à capacidade do Brasil de manter a produtividade das lavouras, atender à demanda interna e continuar competitivo no mercado internacional de alimentos.

Com uma agricultura altamente dependente de nutrientes importados, ampliar a produção nacional de fosfatados representa uma oportunidade para reduzir riscos, estimular investimentos e fortalecer a soberania produtiva.

O avanço dessa agenda, contudo, exige continuidade dos investimentos em mineração, infraestrutura, tecnologia, logística e pesquisa agronômica. A integração entre indústria, produtores, instituições de pesquisa e poder público será determinante para transformar o potencial mineral brasileiro em maior segurança para o agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

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