Crédito caro e alta dos custos podem reduzir uso de fertilizantes em até 20% no Brasil
Entidades do setor alertam que restrição financeira, carga tributária e despesas logísticas ameaçam o investimento em adubação e podem comprometer a produtividade das próximas safras
Publicado em: 04/09/2026 às 14:10hs
O encarecimento do crédito e a pressão crescente sobre os custos de produção podem provocar uma redução de 10% a 20% nas entregas de fertilizantes no Brasil, dependendo da cultura, da região produtora e da situação financeira dos agricultores. O alerta foi divulgado por entidades representativas da indústria de adubos e corretivos agrícolas.
O posicionamento é assinado pela Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA Brasil), pelo Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas no Estado do Paraná (Sindiadubos), pelo Sindicato da Indústria de Adubos no Estado do Rio Grande do Sul (Siargs), pelo Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas de São Paulo (Siacesp) e pelo Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Nordeste (Siacan).
Crédito restrito limita compra de insumos agrícolas
Segundo as entidades, os produtores rurais enfrentam uma combinação de juros elevados, menor disponibilidade de financiamento, aumento da carga tributária, custos logísticos crescentes e instabilidade no mercado internacional.
Esses fatores comprimem as margens das propriedades e reduzem a capacidade de investimento em fertilizantes, tecnologias e outros insumos essenciais para a produção agrícola.
O problema ganha relevância diante da elevada dependência externa do Brasil. De acordo com as organizações, mais de 90% dos fertilizantes utilizados pela agricultura nacional têm origem no mercado internacional, deixando o setor exposto às oscilações cambiais, aos custos de transporte e às tensões geopolíticas.
Risco está na capacidade de compra do produtor
As representantes da indústria afirmam que há estrutura logística e capacidade operacional para atender à agricultura brasileira. Os volumes destinados à safra atual também teriam sido importados em patamares compatíveis com a demanda inicialmente estimada.
Nesse contexto, o principal risco não seria a falta física de fertilizantes, mas a dificuldade financeira dos produtores para adquirir os volumes necessários no momento adequado.
A eventual retração de 10% a 20% nas entregas poderá resultar em menor aplicação de nutrientes nas lavouras, redução do uso de tecnologia e aumento do risco de perdas de produtividade nas próximas safras.
Menor adubação pode afetar produtividade agrícola
A fertilização adequada é um dos principais fatores para a expressão do potencial produtivo das culturas. Caso o agricultor reduza a quantidade aplicada ou deixe de realizar a correção necessária do solo, os efeitos podem aparecer tanto na produtividade imediata quanto no desempenho das áreas em ciclos futuros.
O cenário também pode prejudicar a competitividade do agronegócio brasileiro, elevar o custo por unidade produzida e limitar a oferta de alimentos, fibras e matérias-primas.
As consequências, porém, poderão variar conforme a cultura, a fertilidade do solo, o pacote tecnológico utilizado e as condições climáticas de cada região.
Entidades pedem desoneração e ampliação do crédito rural
Para preservar a capacidade de investimento dos produtores, as organizações defendem a adoção de medidas urgentes voltadas à redução dos custos e à melhoria das condições de financiamento.
Entre as principais propostas apresentadas estão:
- desoneração de fertilizantes e outros insumos agrícolas;
- renegociação das dívidas rurais;
- ampliação da oferta de crédito ao produtor;
- fortalecimento do seguro rural;
- revisão das distorções existentes na política de fretes.
Na avaliação das entidades, diminuir o custo dos fertilizantes representa uma medida estratégica para reduzir as despesas da agricultura como um todo.
O setor sustenta que oferecer condições para o produtor investir em adubação e tecnologia é fundamental para proteger a produtividade das lavouras, manter a competitividade do agronegócio e contribuir para a segurança alimentar do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
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