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Avicultura

Excesso de oferta pressiona preços do frango, mas exportações avançam mais de 40%

Avicultura de corte encerra agosto com quedas no atacado e forte desvalorização do frango vivo no Nordeste; ajuste nos alojamentos é considerado essencial para recuperar as cotações


Publicado em: 04/09/2026 às 15:00hs

Excesso de oferta pressiona preços do frango, mas exportações avançam mais de 40%
Foto: Jonathan Campos

A avicultura de corte brasileira permaneceu fragilizada em agosto, pressionada pelo excesso de oferta e pelo desequilíbrio entre produção e consumo no mercado doméstico. O cenário provocou redução nos preços de diferentes cortes no atacado e movimentos distintos nas cotações do frango vivo entre as principais regiões produtoras.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a recuperação das margens do setor depende de ajustes no alojamento de pintinhos. A adequação da produção à capacidade de absorção do mercado é considerada necessária para limitar a disponibilidade de aves e restabelecer o equilíbrio dos preços.

Mesmo diante das dificuldades internas, as exportações brasileiras de carne de frango mantiveram desempenho positivo, com crescimento expressivo em receita, volume e preço médio na comparação anual.

Carne de frango mantém competitividade no mercado brasileiro

A elevada oferta continua pressionando o setor, mas também reforça a competitividade da carne de frango no varejo. A proteína permanece mais acessível do que a carne bovina, cujos preços ainda estão distantes do orçamento de uma parcela significativa da população brasileira.

Essa diferença favorece a substituição entre proteínas e ajuda a sustentar o consumo de frango. Apesar disso, o aumento da demanda interna ainda não foi suficiente para absorver completamente a produção disponível e impedir a queda das cotações em determinados segmentos.

Preços dos cortes congelados recuam em São Paulo

No atacado paulista, os principais cortes congelados de frango apresentaram desvalorização durante agosto, conforme levantamento da Safras & Mercado.

O peito congelado passou de R$ 8,10 para R$ 8,00 por quilo, enquanto a coxa recuou de R$ 6,50 para R$ 6,40 por quilo. A asa permaneceu estável em R$ 11,50 por quilo.

Na distribuição, o peito caiu de R$ 8,30 para R$ 8,20 por quilo, e a coxa passou de R$ 6,70 para R$ 6,60 por quilo. A asa congelada manteve a cotação de R$ 11,75 por quilo.

Cortes resfriados também registram queda

O mercado de cortes resfriados apresentou comportamento semelhante. No atacado, o peito recuou de R$ 8,20 para R$ 8,10 por quilo, enquanto a coxa caiu de R$ 6,80 para R$ 6,70 por quilo. A asa permaneceu negociada a R$ 11,60 por quilo.

Na distribuição, o preço do peito passou de R$ 8,40 para R$ 8,30 por quilo. A coxa também recuou, de R$ 6,80 para R$ 6,70 por quilo, enquanto a asa permaneceu estável em R$ 11,85 por quilo.

As reduções, embora moderadas, confirmam a dificuldade do mercado em absorver a oferta disponível e demonstram a pressão sobre as margens de frigoríficos, distribuidores e produtores independentes.

Frango vivo sobe no Centro-Sul do Brasil

Apesar da fraqueza observada no atacado, o mercado do frango vivo registrou valorização em algumas das principais praças independentes do Centro-Sul.

Em São Paulo, o preço avançou de R$ 5,00 para R$ 5,20 por quilo. No Mato Grosso do Sul e em Goiás, as cotações passaram de R$ 4,55 para R$ 4,75 por quilo.

Minas Gerais e Distrito Federal também registraram aumento, com o quilo vivo subindo de R$ 4,60 para R$ 4,80.

Nos sistemas integrados, entretanto, prevaleceu a estabilidade. Rio Grande do Sul e Santa Catarina mantiveram o valor de R$ 4,75 por quilo, enquanto o oeste do Paraná permaneceu em R$ 4,65 por quilo.

Preços despencam no Nordeste e no Pará

O movimento foi diferente nas regiões Norte e Nordeste, onde a maior disponibilidade de aves provocou quedas mais intensas.

No Ceará, o preço do frango vivo recuou de R$ 6,80 para R$ 5,50 por quilo, uma desvalorização de aproximadamente 19,1%.

Em Pernambuco, a cotação caiu de R$ 7,00 para R$ 6,00 por quilo, retração de 14,3%. No Pará, o valor passou de R$ 7,20 para R$ 6,40 por quilo, queda de 11,1%.

A intensidade das baixas evidencia a diferença entre os mercados regionais e reforça a necessidade de maior equilíbrio entre alojamento, oferta e consumo.

Exportações de carne de frango crescem em receita e volume

Em contraste com a pressão interna, o comércio exterior apresentou resultados favoráveis. Em 15 dias úteis de agosto, as exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, renderam US$ 673,77 milhões.

A média diária de receita alcançou US$ 44,92 milhões, avanço de 44,1% em relação ao mesmo período de agosto de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

O Brasil embarcou 337,9 mil toneladas, com média diária de 22,53 mil toneladas. Na comparação anual, o volume médio exportado por dia aumentou 26,6%.

O preço médio da tonelada ficou em US$ 1.994, valor 13,8% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

Ajuste da produção será decisivo para recuperação

O desempenho das exportações ajuda a reduzir parte da oferta interna e confirma a força do Brasil no mercado mundial de carne de frango. Entretanto, o avanço dos embarques ainda não elimina a necessidade de adequação da produção.

Para o setor, o comportamento dos alojamentos nos próximos meses será determinante para a recuperação das cotações. Sem redução ou crescimento mais controlado da oferta, o mercado doméstico poderá continuar enfrentando pressão sobre preços e rentabilidade, mesmo com a carne de frango competitiva no consumo e com as vendas externas em expansão.

Fonte: Portal do Agronegócio

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