Poder de compra de fertilizantes melhora 7% em setembro com alta das commodities
IPCF da Mosaic recua para 1,17, impulsionado pela valorização dos produtos agrícolas; ureia sobe 12% e exige atenção ao planejamento da safrinha de milho
Publicado em: 21/10/2026 às 11:15hs
O poder de compra de fertilizantes dos produtores brasileiros melhorou em setembro de 2026, apoiado principalmente pela valorização das commodities agrícolas. O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF), divulgado mensalmente pela Mosaic, encerrou o mês em 1,17, recuo de 7% em relação a agosto.
Quanto menor o indicador, mais favorável é a relação de troca entre produtos agrícolas e fertilizantes. No período, as commodities acompanhadas registraram valorização média próxima de 9%, enquanto os preços dos fertilizantes permaneceram relativamente estáveis na média, apesar das diferenças entre os nutrientes.
Alta da soja e da cana melhora relação de troca
A valorização dos produtos agrícolas foi o principal fator por trás da melhora do IPCF. Entre os destaques apresentados no levantamento estão a cana-de-açúcar, com alta de 10%, e a soja, com avanço de 9%. O milho subiu 5%, enquanto o algodão registrou valorização de 1%.
Segundo a análise divulgada, o movimento foi sustentado pelo aumento da demanda chinesa, pelas incertezas sobre a safra norte-americana, pelo fortalecimento do petróleo e pelas preocupações climáticas relacionadas ao El Niño.
Com preços agrícolas mais elevados, a relação entre a receita potencial das lavouras e o custo dos fertilizantes tornou-se mais favorável. Essa melhora, entretanto, varia conforme a cultura e os insumos utilizados.
Ureia sobe 12%, enquanto fosfatados e potássicos recuam
O comportamento dos fertilizantes foi distinto entre os grupos de nutrientes. Fosfatados e potássicos apresentaram pequenos ajustes de baixa, enquanto a ureia avançou 12% em setembro.
A alta do nitrogenado contrasta com a estabilidade média da cesta de fertilizantes e mantém a atenção sobre os custos de adubação. Conforme o levantamento, a ureia apresentou elevada volatilidade e maior sensibilidade aos riscos internacionais de oferta e logística.
Assim, a queda do IPCF não representa uma redução generalizada dos preços dos fertilizantes. A melhora do indicador decorreu principalmente da valorização dos produtos agrícolas considerados no cálculo.
Nitrogênio ganha importância no planejamento da safrinha
Com a aproximação da próxima safrinha de milho, o abastecimento de fertilizantes nitrogenados permanece entre os pontos relevantes do planejamento dos produtores.
A definição dos volumes necessários e a organização das entregas devem considerar o momento de aplicação e o calendário da cultura. A volatilidade da ureia reforça a importância de acompanhar as condições comerciais e a disponibilidade do insumo.
Além do custo de aquisição, a programação do abastecimento precisa estar alinhada às operações de campo e à janela de plantio.
Geopolítica e clima seguem no radar dos fertilizantes
Para os próximos meses, a análise destaca os fatores geopolíticos e climáticos como fontes de incerteza.
O conflito no Oriente Médio mantém riscos para os mercados internacionais de energia e fertilizantes, especialmente os nitrogenados. Paralelamente, os possíveis efeitos do El Niño sobre a safra brasileira permanecem no acompanhamento do setor.
Essas variáveis podem influenciar tanto os custos dos insumos quanto as cotações agrícolas, alterando a relação de troca observada pelos produtores.
Como funciona o Índice de Poder de Compra de Fertilizantes
O IPCF compara indicadores de preços de fertilizantes e commodities agrícolas, tendo 2017 como base de referência. Uma redução do índice sinaliza melhora na relação de troca e, consequentemente, maior poder de compra de fertilizantes.
A cesta de insumos inclui MAP, superfosfato simples (SSP), ureia e cloreto de potássio (KCl), ponderados conforme a participação de uso no Brasil.
Do lado agrícola, o cálculo contempla soja, milho, açúcar, etanol e algodão, com pesos relacionados ao consumo de fertilizantes.
Os preços dos insumos nos portos brasileiros são fornecidos pela consultoria internacional CRU. As referências agrícolas utilizam médias do mercado brasileiro em dólar, com base em publicações da Agência Estado e do Cepea.
A metodologia também considera a influência cambial, com ponderação de 70% para os fertilizantes, associados aos custos, e de 85% para as commodities, relacionadas à receita.
Fonte: Portal do Agronegócio
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