Fertilização foliar pode elevar produtividade e corrigir deficiências nutricionais nas lavouras
Técnica melhora o aproveitamento de nutrientes em fases críticas, mas deve ser integrada à adubação do solo e ajustada às necessidades fisiológicas de cada cultura
Publicado em: 31/08/2026 às 14:30hs
A fertilização foliar vem ganhando espaço como ferramenta complementar no manejo nutricional de hortaliças, frutas, grãos e outras culturas. Quando planejada corretamente, a técnica permite corrigir deficiências com rapidez, fornecer nutrientes em estádios críticos e melhorar o desempenho produtivo das lavouras.
Experimentos conduzidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) de Famaillá, na província de Tucumán, na Argentina, identificaram respostas positivas em culturas de importância econômica regional, como mamão e amendoim. Os melhores resultados foram observados quando diferentes nutrientes foram aplicados de maneira integrada ao longo do ciclo.
Fertilização foliar complementa a adubação do solo
A adubação convencional, realizada principalmente pelo solo, continua sendo responsável pelo fornecimento dos nutrientes exigidos em maiores quantidades pelas plantas. A fertilização foliar não deve substituir esse manejo, mas pode complementá-lo em situações específicas.
As plantas conseguem absorver nutrientes pela superfície das folhas e transportá-los para diferentes tecidos. Essa característica permite uma resposta mais rápida, principalmente quando a absorção pelas raízes está prejudicada por condições como compactação, desequilíbrio de pH, baixa disponibilidade de água ou problemas no sistema radicular.
Segundo Roberto Sopena, especialista do INTA Famaillá, a principal função da técnica é corrigir deficiências pontuais e apoiar as culturas durante períodos de maior demanda nutricional.
Aplicação exige planejamento e condições adequadas
O desempenho da fertilização foliar depende de fatores relacionados à planta, ao produto utilizado e às condições meteorológicas no momento da pulverização.
Temperatura, umidade relativa do ar, radiação solar e idade dos tecidos vegetais influenciam diretamente a absorção dos nutrientes. Aplicações realizadas em condições inadequadas podem reduzir a eficiência do tratamento e elevar o risco de danos às folhas.
A pulverização também deve proporcionar cobertura uniforme da superfície foliar. Além disso, a formulação precisa ser escolhida conforme o estádio fenológico e as necessidades nutricionais da cultura.
Mobilidade dos nutrientes muda estratégia de aplicação
Os nutrientes apresentam comportamentos distintos após serem absorvidos pelas folhas. Nitrogênio, fósforo, potássio e magnésio possuem maior mobilidade dentro da planta, podendo ser transportados com mais facilidade para regiões de crescimento e estruturas produtivas.
Cálcio e boro, por outro lado, têm mobilidade limitada. Por essa razão, o momento, a frequência e a localização das aplicações tornam-se ainda mais importantes.
Uma aplicação tardia ou mal direcionada pode impedir que esses nutrientes alcancem os tecidos em que são necessários. O planejamento deve considerar tanto a função de cada elemento quanto a fase de desenvolvimento da cultura.
Experimentos mostram ganhos de produtividade
Durante a safra de 2024, o INTA realizou experimentos em Monte Bello, na província de Tucumán. Os pesquisadores compararam diferentes formulações foliares aplicadas entre 20 e 80 dias após a emergência das plantas.
Os melhores rendimentos foram obtidos com um programa que combinou aplicações realizadas em diferentes momentos do ciclo. No início do desenvolvimento, cobalto e molibdênio favoreceram o estabelecimento da cultura.
Nas fases seguintes, o fornecimento de zinco, nitrogênio, boro, potássio e cálcio contribuiu para ampliar o número e o peso das estruturas produtivas. O tratamento que reuniu todas as aplicações apresentou o melhor desempenho entre as estratégias avaliadas.
Os resultados indicam que a resposta não depende apenas da quantidade de fertilizante utilizada. A distribuição dos nutrientes ao longo do ciclo e a compatibilidade com as necessidades fisiológicas das plantas são determinantes para o aumento da produtividade.
Combinação de nutrientes supera aplicações isoladas
Outros ensaios, realizados durante a safra 2024/25 no departamento de Graneros, também registraram aumento de rendimento. Aplicações de potássio e zinco proporcionaram desempenho superior ao observado no tratamento sem fertilização foliar.
As combinações de nutrientes apresentaram resultados melhores do que as aplicações individuais, indicando um efeito complementar entre os elementos.
Esse comportamento reforça a importância do diagnóstico nutricional. A aplicação isolada de determinado nutriente pode não produzir a resposta esperada quando existem outras limitações no metabolismo vegetal.
Técnica pode aumentar eficiência dos micronutrientes
Entre as principais vantagens da fertilização foliar está a rápida disponibilidade dos nutrientes. A técnica também pode reduzir perdas relacionadas às condições do solo e aumentar a eficiência no fornecimento de micronutrientes, exigidos pelas plantas em menores quantidades.
O manejo permite ainda corrigir desequilíbrios nutricionais em períodos específicos, sem depender exclusivamente da absorção radicular. As formulações também podem incorporar aminoácidos, reguladores de crescimento e substâncias indutoras de mecanismos naturais de defesa.
Apesar desses benefícios, as aplicações devem seguir recomendação técnica. Concentrações excessivas, misturas incompatíveis ou pulverizações sob temperaturas elevadas podem provocar fitotoxicidade e comprometer o desenvolvimento das plantas.
Agricultura de precisão amplia potencial da fertilização foliar
A integração com ferramentas de agricultura de precisão tende a tornar a fertilização foliar mais eficiente. O uso de sensores, mapas e diagnósticos permite identificar diferenças dentro da lavoura e ajustar doses, locais e épocas de aplicação.
O avanço das formulações também contribui para melhorar a absorção dos nutrientes. Novos produtos apresentam maior estabilidade e capacidade de aderência, características que podem favorecer aplicações mais precisas.
Os resultados obtidos pelo INTA Famaillá mostram que a fertilização foliar pode elevar o potencial produtivo quando faz parte de um programa nutricional completo. O sucesso da estratégia, porém, depende do diagnóstico da lavoura, da escolha dos nutrientes e da aplicação no momento correto, sempre de forma integrada à adubação do solo e às demais práticas agronômicas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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