Soja sobe em Chicago com clima adverso nos EUA e sustenta preços no Brasil
Chuvas intensas no Meio-Oeste, redução da qualidade das lavouras, demanda chinesa e expectativa com o Pro Farmer Crop Tour impulsionam os futuros; no mercado brasileiro, negociações seguem desiguais entre portos e interior
Publicado em: 18/08/2026 às 11:10hs
O mercado da soja iniciou esta terça-feira (18) mantendo o movimento de valorização observado na abertura da semana. Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros avançaram pelo segundo pregão consecutivo, apoiados pelas preocupações climáticas nos Estados Unidos, pelo desempenho dos derivados e pela expectativa em torno do Pro Farmer Crop Tour 2026.
No Brasil, a alta internacional, o fortalecimento dos prêmios de exportação e o dólar valorizado ajudaram a sustentar as cotações. Apesar disso, a comercialização continuou desigual entre as principais regiões produtoras, com maior firmeza nos portos e limitações provocadas por fretes, logística e resistência dos produtores em negociar.
Soja amplia ganhos na Bolsa de Chicago
Por volta das 7h30, no horário de Brasília, os principais contratos da soja subiam entre 7,75 e 8,75 pontos na CBOT. O vencimento novembro era negociado a US$ 12,24 por bushel, enquanto janeiro de 2027 alcançava US$ 12,39. O contrato março já operava acima de US$ 12,40 por bushel.
A valorização dá continuidade ao forte avanço registrado na segunda-feira (17). Na ocasião, o contrato novembro encerrou a sessão com alta de 23,50 centavos de dólar, equivalente a 1,97%, cotado a US$ 12,16 por bushel. Janeiro fechou a US$ 12,31, com ganho de 1,92%.
Os preços também receberam suporte da alta do petróleo, do interesse comprador da China e do desempenho positivo dos derivados da oleaginosa.
Chuvas e inundações ameaçam lavouras dos Estados Unidos
O clima no Meio-Oeste norte-americano permanece como o principal fator de atenção do mercado. Chuvas intensas, tempestades e inundações atingiram áreas relevantes do cinturão agrícola, especialmente nos estados de Iowa, Illinois, Indiana e Ohio.
O excesso de umidade ocorre em uma etapa decisiva para a soja, quando parte das lavouras está entre a formação e o enchimento das vagens. A permanência da água sobre as áreas cultivadas pode comprometer o desenvolvimento das plantas, reduzir a produtividade e elevar a incidência de doenças.
Os mapas meteorológicos indicam a continuidade das precipitações nos próximos cinco a sete dias, embora com menor intensidade. A maior concentração das chuvas deve permanecer sobre o leste do Corn Belt.
O mercado ainda tenta calcular a dimensão dos possíveis prejuízos. O impacto final dependerá da extensão das áreas inundadas, do período de encharcamento e da intensidade dos danos provocados pelas tempestades.
USDA reduz avaliação das lavouras de soja
As preocupações climáticas ganharam força depois que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu de 61% para 60% a parcela das lavouras de soja classificadas em condições boas ou excelentes.
A revisão reforçou a percepção de que as adversidades meteorológicas podem limitar o potencial produtivo da safra norte-americana. Uma redução mais expressiva na produtividade dos Estados Unidos poderia apertar a oferta mundial e ampliar a sustentação dos preços em Chicago.
Crop Tour monitora produtividade no cinturão agrícola
Os investidores também acompanham o Pro Farmer Crop Tour 2026, iniciado na segunda-feira e programado para seguir até quinta-feira (20). O levantamento percorre importantes regiões produtoras dos Estados Unidos para avaliar presencialmente as condições das lavouras e estimar a produtividade de soja e milho.
Os primeiros dados da rota leste acenderam um sinal de atenção. Na Dakota do Sul, a contagem média de vagens ficou abaixo do resultado registrado no ano passado.
Os próximos números deverão ajudar o mercado a verificar se os danos causados pelo excesso de umidade são localizados ou suficientemente amplos para provocar uma revisão relevante nas projeções da safra norte-americana.
Esmagamento recorde fortalece demanda pela oleaginosa
A demanda industrial também contribui para a valorização. A Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos Estados Unidos (NOPA) informou que o esmagamento de soja alcançou 216,647 milhões de bushels em julho.
O volume ficou acima dos 214,340 milhões registrados em junho e avançou aproximadamente 11% na comparação com julho de 2025, quando foram processados 195,699 milhões de bushels. Apesar do crescimento anual e do recorde para o mês, o resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, estimada em 221,5 milhões de bushels.
Nos derivados, o farelo de soja voltou a subir mais de 1% na manhã desta terça-feira, enquanto o óleo operava em campo positivo. Na sessão anterior, o farelo dezembro fechou em US$ 318,70 por tonelada, com alta de 0,75%. O óleo de soja para dezembro avançou 2,68%, para 70,82 centavos de dólar por libra-peso.
Exportações dos EUA desaceleram na semana
As inspeções de exportação norte-americanas somaram 270.201 toneladas de soja na semana encerrada em 13 de agosto, segundo o USDA. Na semana anterior, o volume havia alcançado 409.509 toneladas.
Mesmo com a desaceleração semanal dos embarques, o mercado segue atento à demanda chinesa. Novas compras por parte da China podem reforçar o movimento de valorização, principalmente se as condições climáticas indicarem perdas na produção dos Estados Unidos.
Preço da soja no Brasil acompanha Chicago, prêmios e dólar
No mercado brasileiro, a combinação entre Chicago em alta, prêmios de exportação fortalecidos — especialmente para os negócios disponíveis — e dólar valorizado diante do real favoreceu a recuperação das cotações.
Entretanto, a resposta no mercado físico foi diferente entre estados, portos e regiões do interior. Segundo levantamento da TF Agroeconômica referente à segunda-feira, a comercialização permaneceu lenta em algumas praças, enquanto outras registraram volumes mais expressivos.
A postura firme dos produtores também limitou os negócios. Parte dos vendedores prefere aguardar preços mais elevados antes de ampliar a oferta.
Rio Grande do Sul registra poucos negócios
No Rio Grande do Sul, a comercialização permaneceu lenta no interior, apesar da valorização registrada em Chicago e nos portos.
Ijuí, Cruz Alta e Santa Rosa tiveram referência de R$ 137 por saca. Em Passo Fundo, a cotação chegou a R$ 138, enquanto o porto de Rio Grande alcançou R$ 151 por saca.
Os negócios envolveram volumes menores, evidenciando a distância entre as expectativas de compradores e vendedores.
Santa Catarina acompanha valorização externa
As cotações em Santa Catarina responderam de maneira mais consistente ao avanço da soja em Chicago.
No porto de São Francisco do Sul, o preço chegou a R$ 149 por saca. Palma Sola avançou para R$ 130,50, enquanto Rio do Sul registrou R$ 130 por saca.
Porto de Paranaguá chega a R$ 151,50 por saca
No Paraná, o interior permaneceu defasado em relação ao porto. Os produtores mantiveram postura firme na oferta, e o volume negociado foi considerado moderado.
Em Cascavel, a soja foi cotada a R$ 139,50 por saca. Maringá alcançou R$ 143, Ponta Grossa R$ 144 e Pato Branco R$ 140. No porto de Paranaguá, a referência chegou a R$ 151,50 por saca.
Mato Grosso do Sul apresenta mercado mais aquecido
Mato Grosso do Sul registrou maior movimentação em algumas praças, com bons volumes comercializados.
São Gabriel do Oeste chegou a R$ 132 por saca, enquanto Eldorado marcou R$ 124. Dourados e Maracaju tiveram cotações de R$ 141, Campo Grande de R$ 138,50, Chapadão do Sul de R$ 139 e Sidrolândia de R$ 138 por saca.
Frete limita preços da soja em Mato Grosso
Em Mato Grosso, os custos de transporte continuaram pressionando as cotações, principalmente nas regiões mais distantes dos corredores de exportação.
Campo Verde registrou R$ 137 por saca. Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso ficaram em R$ 135, enquanto Primavera do Leste alcançou R$ 136 e Rondonópolis R$ 139 por saca.
O frete elevado e os desafios de escoamento permanecem entre as principais preocupações dos produtores mato-grossenses.
Mercado da soja terá semana de forte volatilidade
O comportamento da soja nos próximos pregões dependerá principalmente das condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos e dos resultados do Pro Farmer Crop Tour. O desempenho do farelo e do óleo, as compras chinesas, o petróleo e as atualizações sobre a safra norte-americana também devem influenciar Chicago.
No Brasil, além da referência internacional, o dólar, os prêmios nos portos e os custos logísticos continuarão determinando o ritmo da comercialização. Caso Chicago preserve os ganhos e o câmbio permaneça favorável, os preços domésticos poderão encontrar novo suporte, embora as diferenças entre portos e regiões do interior devam continuar.
Fonte: Portal do Agronegócio
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