Soja oscila em Chicago após máxima de dois anos e clima e frete pressionam mercado brasileiro
Cotações internacionais recuam com realização de lucros depois de alta superior a 2%, enquanto chuvas, vazio sanitário e custos logísticos influenciam o plantio e os preços da soja no Brasil
Publicado em: 02/09/2026 às 11:10hs
O mercado da soja iniciou setembro marcado por forte volatilidade na Bolsa de Chicago e por desafios climáticos e logísticos nas principais regiões produtoras do Brasil. Após avançarem mais de 2% e alcançarem os maiores patamares em mais de dois anos, os contratos futuros da oleaginosa passaram por uma correção, com investidores realizando lucros e ajustando posições.
No mercado brasileiro, produtores acompanham simultaneamente o comportamento de Chicago, a variação cambial, os prêmios de exportação e o avanço do calendário da safra 2026/27. Chuvas intensas no Sul, restrições impostas pelo vazio sanitário e fretes elevados no Centro-Oeste podem afetar tanto o início do plantio quanto a formação dos preços.
Soja recua em Chicago após forte valorização
Os contratos futuros da soja operaram em queda nesta quarta-feira (2) na Bolsa de Chicago, pressionados por um movimento de realização de lucros. Por volta das 7h30, no horário de Brasília, as cotações registravam perdas entre 11 e 13 pontos nos principais vencimentos.
O contrato para novembro era negociado a US$ 12,94 por bushel, enquanto a posição março recuava para US$ 13,25 por bushel. A baixa também acompanhava o desempenho negativo do milho, do trigo e do farelo de soja, ampliando a pressão sobre o complexo de grãos.
A correção ocorreu depois de uma valorização de quase 30 pontos na sessão anterior, quando a soja atingiu os níveis mais elevados em mais de dois anos. Com os ganhos acumulados, operadores reduziram posições à espera de novos sinais sobre oferta, demanda e condições climáticas nos Estados Unidos.
Petróleo, biocombustíveis e China impulsionaram alta superior a 2%
Na terça-feira, os contratos futuros da soja fecharam em forte alta na Bolsa de Chicago, sustentados pela disparada do petróleo, pelas discussões sobre a política norte-americana de biocombustíveis, pela piora das lavouras dos Estados Unidos e pela demanda chinesa.
O contrato para novembro avançou 29,75 centavos de dólar, ou 2,3%, encerrando a US$ 13,1775 por bushel. A posição janeiro subiu 29,50 centavos, equivalente a 2,26%, para US$ 13,3275 por bushel.
Os derivados também acompanharam o movimento. O farelo de soja para dezembro valorizou US$ 7,30, ou 2,11%, e fechou a US$ 352,60 por tonelada. Já o óleo de soja com o mesmo vencimento avançou 2,09%, para 72,63 centavos de dólar por libra-peso.
A alta do petróleo, próxima de 5% durante a sessão, reforçou a competitividade econômica dos combustíveis renováveis e favoreceu as cotações do óleo de soja, matéria-prima utilizada na produção de biodiesel.
Política de biocombustíveis entra no radar do mercado
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos concedeu isenções a pequenas refinarias relacionadas às metas nacionais de mistura de biocombustíveis. A decisão envolveu 1,76 bilhão de créditos de combustíveis renováveis referentes ao ano de conformidade de 2025, volume próximo do dobro inicialmente estimado.
A medida busca reduzir os custos das refinarias em um momento de pressão sobre os preços dos combustíveis. Entretanto, representantes de estados agrícolas alertam que as dispensas podem diminuir a demanda por matérias-primas destinadas à produção de biocombustíveis, incluindo soja e milho.
Esse cenário mantém o mercado atento às próximas decisões do governo norte-americano e aos possíveis efeitos sobre o consumo de óleo de soja.
Compra chinesa e piora das lavouras limitam pressão sobre a soja
Mesmo com a correção em Chicago, os fundamentos ainda oferecem suporte às cotações. Exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao Departamento de Agricultura do país a venda de 136 mil toneladas de soja para a China, com entrega prevista para a temporada 2026/27.
As condições das lavouras norte-americanas também preocupam os operadores. Até 30 de agosto, 58% das áreas cultivadas estavam classificadas entre boas e excelentes, abaixo dos 60% registrados na semana anterior.
As lavouras consideradas regulares passaram de 28% para 29%, enquanto a parcela em condições ruins ou muito ruins avançou de 12% para 13%. A possibilidade de tempo seco e temperaturas elevadas aumenta os riscos para o potencial produtivo da safra dos Estados Unidos.
Chuvas podem atrasar plantio da soja no Rio Grande do Sul
No Brasil, levantamento da TF Agroeconômica indica que o mercado inicia setembro com atenção voltada ao avanço do plantio da safra 2026/27. No Rio Grande do Sul, acumulados de chuva superiores a 80 milímetros podem dificultar a entrada de máquinas nas lavouras após o término do vazio sanitário.
Embora o estado projete redução da área cultivada, a Emater/RS estima recuperação da produtividade e aumento da produção. No mercado físico, a saca de soja alcançou R$ 148,30 em Ijuí e R$ 160 no porto de Rio Grande.
Soja alcança R$ 159 em Santa Catarina e no Paraná
Em Santa Catarina, o mercado registrou valorização, com destaque para Rio do Sul. Em Abelardo Luz, a referência FOB chegou a R$ 155 por saca, com negócios alcançando até R$ 159.
No Paraná, o encerramento escalonado do vazio sanitário liberou o plantio em diferentes regiões. O Departamento de Economia Rural prevê uma produção de 22,6 milhões de toneladas na safra 2026/27, em uma área estimada em 5,76 milhões de hectares, praticamente estável.
No porto de Paranaguá, a soja atingiu R$ 159 por saca, refletindo a combinação entre referências internacionais, câmbio, prêmios portuários e demanda exportadora.
Ferrugem asiática mantém Mato Grosso do Sul em alerta
Em Mato Grosso do Sul, o vazio sanitário permanece em vigor até 15 de setembro. O estado acompanha o avanço das ocorrências de ferrugem asiática e a previsão de aproximadamente 50 milímetros de chuva.
Em Dourados, a saca foi cotada a R$ 144,60. Em Campo Grande, o preço chegou a R$ 145,10. Além das condições climáticas, o mercado monitora o momento adequado para o início da semeadura e os cuidados necessários para reduzir a pressão da doença sobre as lavouras.
Frete elevado reduz competitividade da soja em Mato Grosso
Em Mato Grosso, os custos logísticos continuam entre os principais fatores de pressão sobre os preços recebidos pelos produtores. O frete entre Sorriso e o porto de Santos varia de R$ 280 a R$ 320 por tonelada, limitando a competitividade da soja no interior do estado.
Em Sorriso, a saca foi negociada a R$ 139, enquanto Rondonópolis registrou R$ 144. Para a safra 2026/27, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária projeta produção de 48,88 milhões de toneladas.
Mercado da soja seguirá atento ao clima e à demanda
A tendência para a soja dependerá da combinação entre clima, demanda internacional, câmbio, prêmios de exportação e custos de transporte. Nos Estados Unidos, o desempenho das lavouras e as compras chinesas podem limitar quedas mais acentuadas em Chicago.
No Brasil, o foco permanece sobre a regularização das chuvas, o término do vazio sanitário e o ritmo de implantação da safra 2026/27. Ao mesmo tempo, os fretes elevados, principalmente no Centro-Oeste, continuam reduzindo parte dos ganhos proporcionados pelas cotações internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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