Publicidade
Soja

Soja oscila em Chicago após compras da China; chuvas dificultam plantio no Brasil

Vendas americanas de 2,84 milhões de toneladas sustentam reação dos futuros, enquanto mercado brasileiro tem preços desiguais e expectativa de safra de 181,6 milhões de toneladas


Publicado em: 23/10/2026 às 11:30hs

Soja oscila em Chicago após compras da China; chuvas dificultam plantio no Brasil
Foto: CNA

O mercado da soja iniciou esta sexta-feira (23) próximo da estabilidade na Bolsa de Chicago, após reagir às compras chinesas no pregão anterior. No Brasil, os preços físicos seguem sem direção uniforme, enquanto o plantio da safra 2026/27 avança em ritmos diferentes e enfrenta interrupções provocadas pelas chuvas em algumas regiões.

A demanda externa oferece sustentação aos contratos americanos, mas o avanço da colheita nos Estados Unidos limita os ganhos. No mercado brasileiro, câmbio, frete, disponibilidade regional e condições de entrega ajudam a explicar as diferenças entre as cotações.

A expectativa de produção também permanece no radar. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra brasileira de 181,6 milhões de toneladas, conforme os dados apresentados no boletim da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA).

Soja em Chicago apresenta pequenas oscilações nesta sexta-feira

Por volta das 7h23, no horário de Brasília, os principais contratos da soja na CBOT operavam próximos dos ajustes anteriores:

  • Novembro/2026: US$ 12,5250 por bushel, queda de 0,50 centavo;
  • Janeiro/2027: US$ 12,6425 por bushel, recuo de 0,50 centavo;
  • Março/2027: US$ 12,7100 por bushel, baixa de 0,50 centavo;
  • Maio/2027: US$ 12,7925 por bushel, alta de 0,50 centavo;
  • Julho/2027: US$ 12,8450 por bushel, avanço de 0,50 centavo.

Na quinta-feira (22), o contrato novembro encerrou a US$ 12,5300 por bushel, com valorização de 0,62%, interrompendo a sequência recente de perdas.

China concentra 77% das vendas semanais dos Estados Unidos

A recuperação foi sustentada pelo relatório de vendas externas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Na semana encerrada em 15 de outubro, os exportadores americanos registraram vendas líquidas de aproximadamente 2,84 milhões de toneladas da safra 2026/27. A China respondeu por cerca de 2,18 milhões de toneladas, equivalentes a 77% do total.

Parte do volume atribuído aos chineses, porém, corresponde à transferência de negócios anteriormente registrados para destinos não identificados. Assim, nem todo o montante representa novas compras realizadas naquela semana.

Segundo análise da StoneX, o total semanal vendido pelos Estados Unidos foi o maior desde novembro de 2023.

Os embarques efetivamente realizados também cresceram: somaram aproximadamente 2,02 milhões de toneladas, avanço de 75% sobre a semana anterior.

Colheita americana chega a 64% e restringe ganhos

Apesar da melhora na demanda, a entrada da safra norte-americana continua pressionando o mercado.

Até domingo, dia 18, a colheita de soja alcançava 64% da área cultivada nos Estados Unidos, ante 46% na semana anterior.

A previsão de tempo predominantemente seco no Meio-Oeste favorece a continuidade dos trabalhos e a chegada de novos volumes aos canais de comercialização. O mercado acompanha se o ritmo das exportações será suficiente para absorver essa oferta e sustentar as cotações.

Plantio brasileiro supera média nacional, mas há atrasos regionais

Até 16 de outubro, a semeadura brasileira havia atingido 30,1% da área prevista, acima da média histórica de 26,4%, segundo os dados reunidos pela CEEMA.

O desempenho nacional, contudo, não elimina dificuldades locais. Os levantamentos regionais apresentados pela TF Agroeconômica mostram que excesso de umidade e interrupções operacionais afetam parte das áreas produtoras.

A projeção da Conab considera 49,3 milhões de hectares, com produtividade média de 61,4 sacas por hectare. A confirmação das 181,6 milhões de toneladas dependerá das condições climáticas ao longo do ciclo.

Rio Grande do Sul tem 3% da área semeada

No Rio Grande do Sul, o plantio alcançou 3% da área prevista, abaixo da média histórica de 5%, mas no mesmo ritmo do ano passado.

Conforme a Emater/RS-Ascar, umidade excessiva, frio e baixa radiação solar dificultam o desenvolvimento inicial das lavouras.

A expectativa é de recuperação da produção estadual, com 6,74 milhões de hectares e colheita de 20,2 milhões de toneladas, frente às 18,6 milhões de toneladas da temporada anterior. O rendimento projetado é de 50 sacas por hectare.

Paraná e Mato Grosso do Sul enfrentam interrupções

No Paraná, 47% da área foi semeada, diante de uma média superior a 55% nas últimas três safras.

Em Mato Grosso do Sul, os trabalhos chegaram a 32%, equivalentes a aproximadamente 1,5 milhão de hectares. Chuvas intensas interromperam operações e provocaram erosão em alguns pontos.

Em Santa Catarina, a previsão de novas precipitações exige atenção ao calendário de semeadura e à retirada de grãos, especialmente onde o acesso às propriedades está prejudicado.

Preços da soja variam entre regiões e condições comerciais

A recuperação em Chicago e a alta do dólar observadas na quinta-feira ainda não resultaram em valorização generalizada no mercado físico, segundo a TF Agroeconômica.

Entre as referências apresentadas pela consultoria estão:

  • Ijuí (RS): R$ 145,00 por saca;
  • Passo Fundo (RS): R$ 146,50;
  • Abelardo Luz (SC): R$ 147,00, na condição FOB;
  • Paranaguá (PR): R$ 155,50;
  • Cascavel (PR): R$ 144,50;
  • Maracaju e Sidrolândia (MS): R$ 141,00;
  • Sorriso (MT): R$ 133,80;
  • Rondonópolis (MT): R$ 140,25.

Em Mato Grosso, as cinco praças acompanhadas pelo Imea registraram recuo, apesar da melhora das referências externas.

O boletim semanal da CEEMA apresenta outro conjunto de preços, com R$ 135,00 por saca em Nonoai e Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, e média estadual de R$ 138,00, apurada pela Emater.

No mesmo levantamento, as referências foram de R$ 134,00 em Pato Branco (PR), R$ 131,00 em Marechal Cândido Rondon (PR), R$ 139,00 em Maracaju (MS) e R$ 132,00 em Rio Verde (GO). Campo Novo do Parecis (MT) e Luís Eduardo Magalhães (BA) tiveram indicação de R$ 134,00.

Os levantamentos correspondem a recortes e condições comerciais diferentes. Por isso, a comparação entre valores exige observar praça, período, frete, pagamento e entrega.

Exportações do complexo soja e do farelo apresentam avanço

No Paraná, as exportações do complexo soja alcançaram 12,79 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, crescimento de 3%. A receita chegou a US$ 5,76 bilhões, alta de 13%.

No consolidado brasileiro de farelo, os primeiros 11 dias úteis de outubro registraram aumento de 2,6% na média diária embarcada, em comparação com outubro de 2025.

O preço médio do derivado exportado ficou 25,2% acima da referência do mesmo mês do ano anterior, conforme os dados apresentados pela CEEMA.

Clima no Brasil e demanda chinesa orientam próximos movimentos

As previsões de aumento das chuvas no Centro-Oeste na próxima semana podem favorecer a reposição da umidade do solo. No Sul, precipitações mais intensas mantêm o risco de novas paralisações temporárias dos trabalhos.

A distribuição dessas chuvas será importante para o estabelecimento das lavouras brasileiras. No mercado internacional, a continuidade das compras chinesas e o avanço da colheita americana devem seguir influenciando a formação dos preços.

As cotações de Chicago correspondem ao horário informado e podem variar durante o pregão.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias