Safra de trigo no RS deve cair 37,48%; baixa qualidade dificulta abastecimento no Sul
Produção gaúcha é estimada em 2,16 milhões de toneladas, com redução de área e produtividade; moinhos buscam grãos de melhor padrão e alternativas de importação.
Publicado em: 23/10/2026 às 11:50hs
A safra de trigo do Rio Grande do Sul está estimada em 2,16 milhões de toneladas, queda de 37,48% em relação a 2025, em uma temporada marcada pela redução da área cultivada e por problemas de qualidade. Com 19% da área colhida, o estado registra grãos avariados, chochos e com menor peso hectolitro (PH), segundo dados da Emater/RS-Ascar citados pela TF Agroeconômica.
As dificuldades também atingem Santa Catarina e Paraná, onde a disponibilidade limitada de lotes de melhor padrão interfere nas compras dos moinhos. No mercado gaúcho, os negócios com trigo novo aumentaram, mas permanecem pouco expressivos.
Menor área e perdas de produtividade reduzem safra gaúcha
A área cultivada com trigo no Rio Grande do Sul encolheu 34,56%, para 763,1 mil hectares. A produtividade projetada é de 2.833 quilos por hectare, redução de 5,55% frente à temporada anterior.
Além da menor superfície plantada, as lavouras enfrentaram excesso de umidade, baixa radiação solar e doenças como giberela e brusone. Temporais provocaram perdas localizadas, ampliando as dificuldades na reta final do ciclo.
Embora algumas áreas apresentem produtividades satisfatórias, a qualidade dos grãos ficou abaixo das expectativas em parte do estado. A presença de grãos chochos e avariados e a redução do PH afetam a classificação dos lotes e suas condições de comercialização.
Trigo novo tem negócios próximos de R$ 1.400 por tonelada
Segundo a TF Agroeconômica, a comercialização de trigo da nova safra ganhou movimento em relação às duas semanas anteriores, mas ainda ocorre em volumes limitados.
No Rio Grande do Sul, os negócios são realizados perto de R$ 1.400 por tonelada, na condição FOB, enquanto alguns moinhos indicam preços de R$ 1.350 por tonelada.
Em Panambi, a cotação de balcão caiu R$ 2, passando para R$ 73 por saca. Já o trigo argentino apresentava referência de US$ 320 por tonelada em Porto Alegre.
O mercado segue condicionado à qualidade disponível e às exigências dos compradores, com diferenças entre as indicações de compra e os valores efetivamente negociados.
Santa Catarina projeta queda de 37% na produção
Em Santa Catarina, a Epagri estima uma safra de 243 mil toneladas de trigo, volume 37% inferior ao da temporada anterior.
A escassez de grãos de qualidade dificulta o abastecimento das indústrias, levando moinhos a buscar alternativas de importação.
Nesse cenário, uma indústria catarinense relatou reajuste de 11,5% no preço das farinhas. O registro é pontual e não representa, necessariamente, um aumento generalizado em todo o mercado estadual.
Paraná registra diferença de R$ 350 entre trigo Tipo 1 e Tipo 3
No Paraná, a ocorrência de trigo brotado ainda no campo reduz a disponibilidade de lotes que atendam aos padrões mais exigentes da indústria.
As referências apresentadas pela TF Agroeconômica são de R$ 1.650 por tonelada para o trigo Tipo 1 e de R$ 1.300 para o Tipo 3, diferença de R$ 350 por tonelada.
A distância entre os valores evidencia o peso da classificação na formação dos preços. Com problemas de qualidade nos três estados do Sul, as negociações permanecem cautelosas, e a capacidade de atender às especificações dos moinhos ganha importância na comercialização da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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