Publicado em: 18/06/2026 às 19:20hs
O mercado global da soja caminha para uma safra 2026/27 marcada por ampla oferta e desafios para a sustentação dos preços. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que aponta um cenário de produção recorde nos principais países produtores e demanda crescente, mas ainda insuficiente para eliminar os riscos baixistas para as cotações internacionais.
Segundo a análise, o avanço da produção no Brasil e nos Estados Unidos deverá elevar significativamente a disponibilidade mundial da oleaginosa, criando um ambiente de maior competição entre exportadores e exigindo atenção redobrada dos produtores quanto à comercialização da próxima safra.
As cotações da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) registraram recuperação ao longo de maio, impulsionadas principalmente pela valorização do óleo de soja e pelas expectativas relacionadas ao acordo comercial entre Estados Unidos e China.
O primeiro vencimento do contrato da oleaginosa encerrou maio próximo de US$ 11,92 por bushel, acumulando valorização de 2,1% no período. Entretanto, o movimento perdeu força no início de junho diante da ausência de novas compras chinesas de soja norte-americana e das boas condições para o desenvolvimento da safra dos Estados Unidos.
No Brasil, os preços foram sustentados pela valorização dos prêmios de exportação e pelo forte ritmo dos embarques. Em maio, o país exportou 14,8 milhões de toneladas de soja, volume 5,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
A competitividade brasileira segue como um dos principais diferenciais do mercado. Atualmente, a soja brasileira entregue na China apresenta preços inferiores aos da soja norte-americana e argentina, reforçando a liderança do Brasil no comércio internacional da commodity.
As projeções para a safra 2026/27 indicam novo crescimento da oferta global.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que a produção brasileira alcance 186 milhões de toneladas, enquanto a safra norte-americana poderá chegar a 121 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 4% em relação ao ciclo anterior.
No cenário global, a produção deverá atingir 441 milhões de toneladas, enquanto o consumo também avança para o mesmo patamar, sustentado principalmente pelo aumento do processamento industrial e da demanda por óleo vegetal destinado à produção de biocombustíveis.
O esmagamento mundial de soja deverá registrar novo recorde, impulsionando a produção de farelo e óleo e garantindo suporte à demanda pela matéria-prima.
Apesar do crescimento do consumo global, a grande dúvida para os analistas continua sendo a capacidade da China de absorver simultaneamente as safras recordes dos Estados Unidos e do Brasil.
O acordo comercial anunciado entre Washington e Pequim abre espaço para ampliação das compras de produtos agrícolas norte-americanos, mas os impactos efetivos ainda permanecem incertos.
Até o momento, os chineses mantêm preferência pela soja brasileira, favorecida pelos preços mais competitivos. Uma mudança significativa nesse comportamento poderá alterar o equilíbrio global de oferta e demanda e influenciar diretamente as cotações internacionais.
Embora o mercado trabalhe atualmente com expectativa de ampla oferta, fatores climáticos seguem no radar dos investidores.
O relatório destaca que as condições climáticas permanecem favoráveis para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, mantendo elevada a expectativa de uma safra cheia nos Estados Unidos.
Por outro lado, a confirmação da formação do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 aumenta os riscos para a próxima safra da América do Sul.
Caso o fenômeno ganhe intensidade, poderá provocar impactos negativos na produtividade das lavouras brasileiras e argentinas, reduzindo a oferta global e alterando o atual cenário de pressão sobre os preços.
Dentro do complexo soja, o óleo foi o principal destaque de maio.
As cotações avançaram impulsionadas pela valorização do petróleo e pelo aumento das políticas de incentivo aos biocombustíveis em diversos países, especialmente na Ásia.
A expectativa de ampliação do uso de biodiesel na Indonésia e na Malásia fortaleceu a demanda pelo produto, contribuindo para uma valorização média superior a 8% no período.
Já o farelo de soja apresentou desempenho mais moderado, pressionado pela ampla oferta global resultante do elevado ritmo de esmagamento registrado na América do Sul.
A perspectiva para os próximos meses é de continuidade da pressão sobre os preços da soja, especialmente diante da expectativa de colheitas robustas nos Estados Unidos e da manutenção da forte produção brasileira.
O Itaú BBA avalia que uma recuperação consistente das cotações dependerá de dois fatores principais: problemas climáticos relevantes nas regiões produtoras ou aumento expressivo das compras chinesas de soja norte-americana.
Enquanto esses fatores não se confirmam, o mercado deve seguir operando em um ambiente de ampla oferta, elevada competitividade entre exportadores e volatilidade associada às condições climáticas globais.
Para o produtor brasileiro, o cenário reforça a importância do planejamento comercial, da gestão de riscos e do acompanhamento constante dos movimentos internacionais que poderão definir o comportamento dos preços ao longo da safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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