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Soja

Soja cai em Chicago com projeções de safra maior, mas preços sobem nos portos brasileiros

StoneX estima produção brasileira de 184,95 milhões de toneladas; dólar, prêmios e frete influenciam cotações no Brasil, enquanto plantio chega a 53% da área


Publicado em: 04/11/2026 às 11:50hs

Soja cai em Chicago com projeções de safra maior, mas preços sobem nos portos brasileiros

Os preços da soja voltaram a cair na manhã desta quarta-feira (4) na Bolsa de Chicago, após duas sessões consecutivas de perdas. As revisões positivas das estimativas de produção dos Estados Unidos e do Brasil reforçam a perspectiva de oferta elevada, mesmo diante de novos negócios de exportação da oleaginosa norte-americana.

No Brasil, o mercado físico apresenta comportamento desigual. Segundo a TF Agroeconômica, as referências avançaram nos portos de Rio Grande e Paranaguá, mas a valorização não alcançou todas as regiões produtoras. Frete, qualidade do grão e prazo de pagamento continuam determinantes para o valor líquido recebido pelo agricultor.

Soja em Chicago recua e janeiro se aproxima de US$ 12 por bushel

Por volta das 8h28, no horário de Brasília, o contrato novembro de 2026 era negociado a US$ 11,9250 por bushel, queda de 10,50 cents frente ao fechamento anterior.

O vencimento janeiro de 2027 recuava 10,75 cents, para US$ 12,0325 por bushel. Março de 2027 perdia 10 cents, cotado a US$ 12,1075, enquanto maio de 2027 apresentava baixa de 9,50 cents, para US$ 12,2025.

Na terça-feira (3), novembro havia encerrado a US$ 12,0300 por bushel, janeiro a US$ 12,1400 e março a US$ 12,2075. O resultado marcou o segundo pregão seguido de desvalorização em Chicago no início de novembro.

StoneX eleva estimativas para Brasil e Estados Unidos

A StoneX ampliou em 1,59 milhão de toneladas sua projeção para a safra brasileira de soja 2026/27, passando a estimar produção de 184,95 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, a consultoria elevou a previsão de produtividade em 0,9 bushel por acre, para 55 bushels por acre. Com o ajuste, a estimativa de produção aumentou em 77 milhões de bushels, alcançando 4,725 bilhões de bushels, conforme informações divulgadas pelo Barchart.

As revisões reforçam a expectativa de ampla disponibilidade nas duas principais origens produtoras. Os números, entretanto, ainda dependem de confirmação: nos Estados Unidos, o mercado acompanha as próximas estimativas oficiais; no Brasil, o desenvolvimento das lavouras permanece condicionado ao clima.

Demanda americana cresce, mas não interrompe pressão

Os indicadores de exportação dos Estados Unidos continuam positivos. Na terça-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou a venda de 134 mil toneladas de soja para destinos não revelados, com entrega na temporada comercial 2026/27.

O negócio ocorreu após a confirmação, na segunda-feira, de uma venda de 136 mil toneladas para a China.

As inspeções para exportação somaram 2,44 milhões de toneladas na semana encerrada em 29 de outubro. No acumulado da temporada, chegaram a 12,18 milhões de toneladas, crescimento de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Apesar desses resultados, a demanda ainda não conseguiu sustentar uma recuperação dos contratos futuros. As expectativas de produção e os ajustes nas posições dos fundos de investimento continuam influenciando as negociações.

No campo, a colheita norte-americana alcançou 88% da área até 1º de novembro, quatro pontos percentuais acima da média de cinco anos, segundo o USDA.

Contratos de soja também fecharam em baixa na B3

Na bolsa brasileira, os contratos futuros de soja encerraram a terça-feira em queda, acompanhando o ambiente de pressão sobre a oleaginosa.

O vencimento janeiro de 2027 fechou a US$ 26,79 por saca de 60 quilos, recuo de 1,51%. Março de 2027 caiu 1,82%, para US$ 26,90 por saca, enquanto maio de 2027 perdeu 2,34%, encerrando a US$ 27,10.

Preço da soja sobe em Rio Grande e Paranaguá

No mercado físico, a soja disponível no porto de Rio Grande passou de R$ 158 para R$ 160 por saca, alta de 1,27%, apesar da queda dos futuros norte-americanos, conforme a TF Agroeconômica.

Em Santa Catarina, Abelardo Luz avançou de R$ 154 para R$ 156 por saca, na condição FOB, com retirada na origem.

No Paraná, Paranaguá chegou a R$ 159 por saca, enquanto Maringá recuou de R$ 154 para R$ 152, evidenciando diferenças entre a referência portuária e as negociações no interior.

Em Mato Grosso do Sul, Dourados e Maracaju registraram alta de R$ 1, alcançando, respectivamente, R$ 145 e R$ 144 por saca. Campo Grande e Chapadão do Sul caíram para R$ 142, enquanto Sidrolândia permaneceu em R$ 143.

Mato Grosso apresentou valorização nas cinco praças acompanhadas pelo Imea. Primavera do Leste teve o maior avanço, de R$ 0,70, para R$ 138 por saca.

Plantio avança, mas clima provoca diferenças regionais

O plantio brasileiro da safra 2026/27 atingiu 53% da área prevista, segundo a AgRural, acima dos 47% registrados no mesmo período do ano passado.

Os levantamentos estaduais, realizados por diferentes instituições, mostram situações distintas:

  • Mato Grosso: semeadura em 90,8% da área;
  • Mato Grosso do Sul: 68%, abaixo dos 73% do mesmo período do ciclo anterior;
  • Paraná: 62%;
  • Santa Catarina: 19,3%;
  • Rio Grande do Sul: 11%, ante 3% na semana anterior, conforme a Conab.

No Paraná, chuvas de 87 milímetros em Campo Mourão e 84 milímetros em Maringá dificultaram as operações e elevaram a preocupação com a compactação do solo.

No Rio Grande do Sul, o tempo seco favorece o trabalho das máquinas em algumas regiões, mas a falta de umidade pode comprometer a emergência das plantas.

Dólar, prêmios e frete definem resultado das vendas

Para o produtor brasileiro, a queda de Chicago precisa ser avaliada em conjunto com o câmbio e os prêmios de exportação. Uma eventual alta do dólar frente ao real pode amortecer parte das perdas internacionais nas referências em moeda brasileira.

Ainda assim, preços maiores nos portos não garantem ganho equivalente na propriedade. Custos de transporte, descontos por qualidade e condições de pagamento podem reduzir ou até anular a melhora nominal das ofertas.

O próximo relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para 10 de novembro, será uma referência para as expectativas de produção e consumo. Até lá, o mercado acompanha o ritmo das exportações americanas e a distribuição das chuvas nas lavouras brasileiras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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