Soja atinge 143,77 sacas por hectare na Bahia com rotação de culturas e manejo do solo
Resultado obtido em área de sequeiro em Riachão das Neves garantiu o título de campeão do Nordeste no Desafio CESB da safra 2025/26
Publicado em: 03/09/2026 às 14:30hs
A combinação entre rotação de culturas, cobertura permanente, correção do perfil do solo e adoção criteriosa de tecnologias levou uma lavoura de soja da Bahia à produtividade de 143,77 sacas por hectare na safra 2025/26.
O resultado foi registrado na Fazenda Barcelona, em Riachão das Neves, pelo produtor rural João Antonio Gorgen e pelo consultor Edinei Fugalli. A marca garantiu à equipe o título de campeã da região Nordeste na categoria Sequeiro do Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, promovido pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB).
O desempenho representa mais que o dobro da produtividade média nacional e reforça o potencial da soja cultivada sem irrigação no Oeste da Bahia. Segundo os responsáveis, entretanto, o resultado não veio de uma única tecnologia, mas de um trabalho acumulado ao longo de várias safras.
Produtividade da soja foi construída ao longo dos anos
De acordo com Edinei Fugalli, alcançar uma produtividade acima de 140 sacas de soja por hectare exige planejamento de longo prazo, conhecimento técnico e atenção constante às condições da lavoura.
“As altas produtividades não chegam em curto prazo, sendo o resultado de uma construção de muitas safras. É preciso ter um trabalho focado na melhoria do solo para buscar equilíbrio físico, químico e biológico”, afirma.
O consultor também destaca a importância da pesquisa, da validação de tecnologias e da qualificação da equipe responsável pela execução das operações agrícolas.
Para ele, cada etapa precisa ser realizada com precisão, desde o planejamento da safra e a implantação da cultura até o manejo fitossanitário e a colheita.
Clima é um dos principais desafios da soja de sequeiro
A variabilidade climática aparece entre os maiores obstáculos para a produção de soja em áreas sem irrigação. A irregularidade das chuvas, as temperaturas elevadas e os períodos de déficit hídrico podem comprometer o estabelecimento das plantas e o enchimento dos grãos.
Fugalli explica que o desafio é encontrar soluções capazes de reduzir os efeitos desses estresses sem elevar excessivamente os custos ou aumentar a exposição financeira da propriedade.
Outro ponto considerado decisivo é a seleção das tecnologias que chegam ao mercado. O processo exige avaliação técnica para identificar quais ferramentas realmente oferecem eficiência agronômica e viabilidade econômica.
“O segundo desafio foi filtrar e validar tudo o que chega de novo para o negócio, avaliando tecnologias que sejam viáveis e eficientes, mantendo os aportes dentro de uma linha de investimento que não ultrapasse os limites de risco”, explica.
Manejo do solo sustenta produtividade acima de 140 sacas
O cuidado com o solo foi apontado como uma das bases do resultado alcançado na Fazenda Barcelona. Segundo Fugalli, não é possível manter altos níveis de produtividade sem fertilidade adequada e equilíbrio entre os componentes físicos, químicos e biológicos.
O manejo adotado na propriedade inclui:
- rotação de culturas;
- implantação de plantas de cobertura;
- descompactação do solo;
- correção do perfil;
- adubação equilibrada do sistema;
- manejo biológico;
- aumento da matéria orgânica.
Essas práticas ajudam a melhorar a estrutura do solo, ampliar a infiltração e o armazenamento de água e favorecer o desenvolvimento das raízes. Em condições de sequeiro, essa capacidade de aproveitar melhor a umidade disponível pode ser determinante para proteger o potencial produtivo.
A diversificação das culturas também contribui para a ciclagem de nutrientes, o controle de plantas daninhas e a redução da pressão de pragas e doenças.
Equilíbrio físico, químico e biológico faz diferença
A estratégia adotada considera a fertilidade de maneira integrada. Além do fornecimento de nutrientes, o sistema busca corrigir limitações em profundidade e criar condições para que as raízes explorem um volume maior de solo.
Um sistema radicular mais profundo pode aumentar a capacidade da soja de acessar água e nutrientes durante períodos de restrição hídrica. O acúmulo de matéria orgânica, por sua vez, favorece a atividade biológica e melhora a estabilidade dos agregados.
O conjunto dessas práticas aumenta a resiliência da lavoura e reduz a dependência de intervenções pontuais. Segundo o consultor, o resultado de 143,77 sacas por hectare demonstra o efeito acumulado de várias safras conduzidas com foco na evolução do sistema produtivo.
Desafio CESB estimula busca por eficiência no campo
Fugalli avalia que a participação no Desafio CESB teve impacto positivo sobre o desempenho da propriedade. A iniciativa incentivou a equipe a buscar novos conhecimentos, testar tecnologias e aperfeiçoar os processos de produção.
A mobilização também contribuiu para elevar a produtividade das demais áreas, uma vez que os aprendizados obtidos na parcela inscrita podem ser analisados e adaptados à realidade comercial da fazenda.
Na avaliação do consultor, o envolvimento coletivo foi essencial para alcançar a marca. O trabalho reuniu planejamento agronômico, execução operacional e acompanhamento constante da lavoura.
Área vencedora teve inscrição realizada pela Syngenta
A inscrição dos campeões do Nordeste na categoria Sequeiro foi realizada pela Syngenta, patrocinadora do Comitê Estratégico Soja Brasil.
Segundo Luís Fernando Andrade, diretor de Culturas e Campanhas da empresa, a parceria com o CESB permite validar tecnologias em condições reais de produção, com resultados auditados e posteriormente divulgados.
A companhia acompanha o comitê desde sua fundação e atualmente ocupa a categoria de patrocinadora master da iniciativa.
Andrade destaca que a produtividade média brasileira da soja passou de aproximadamente 43 sacas por hectare em 2008 para resultados superiores a 143 sacas em áreas comerciais de sequeiro inscritas no desafio.
Alta produtividade precisa estar ligada à rentabilidade
Apesar do recorde, o modelo adotado na Fazenda Barcelona evidencia que a busca por produtividade deve considerar os riscos financeiros e a viabilidade dos investimentos.
A inclusão de uma nova tecnologia depende de validação agronômica e econômica. O objetivo é garantir que o ganho obtido na lavoura seja capaz de compensar os custos adicionais e contribuir efetivamente para a rentabilidade da operação.
O resultado alcançado em Riachão das Neves mostra que altas produtividades na soja de sequeiro dependem da integração entre manejo do solo, planejamento, tecnologia e execução qualificada. Mais do que uma intervenção isolada, o desempenho de 143,77 sacas por hectare reflete a construção de um sistema agrícola produtivo e resiliente ao longo de sucessivas safras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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