Safra de soja 2026/27 começa com alerta para ferrugem, percevejos e nematoides
Com o fim do vazio sanitário em Mato Grosso e Goiás, especialistas recomendam planejamento antecipado e integração de ferramentas biológicas para reduzir riscos fitossanitários e preservar o potencial produtivo das lavouras
Publicado em: 22/09/2026 às 15:30hs
A abertura da janela de plantio da soja em Mato Grosso e Goiás, a partir de 20 de setembro, marca o início de uma nova temporada para os produtores brasileiros. Ao mesmo tempo em que o calendário da safra 2026/27 avança, aumenta a necessidade de atenção ao manejo de doenças, pragas e nematoides que podem comprometer o desenvolvimento das lavouras.
Mato Grosso, maior produtor de soja do país, e Goiás entram no novo ciclo após o período de vazio sanitário. A recomendação de especialistas é que o planejamento fitossanitário seja realizado desde a implantação da lavoura, evitando que problemas sejam identificados somente quando já estiverem provocando perdas.
Entre os principais desafios estão a ferrugem-asiática, o percevejo-marrom e os nematoides, organismos que atuam de diferentes formas e exigem estratégias específicas de monitoramento e controle.
Casos de ferrugem asiática aumentam
Os registros da ferrugem-asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi) chamam atenção para o novo ciclo. De acordo com dados citados do Consórcio Antiferrugem, os casos confirmados passaram de 124 para 379 na última safra.
A doença está entre os principais problemas fitossanitários da cultura e pode provocar perdas expressivas de produtividade quando não há controle adequado. Por isso, o monitoramento das lavouras e a adoção de estratégias preventivas são fundamentais desde os primeiros estádios de desenvolvimento da soja.
Outro ponto de preocupação é o percevejo-marrom (Euschistus heros). A praga pode causar danos durante diferentes fases do desenvolvimento da cultura e apresenta histórico de dificuldade de controle, reforçando a importância do monitoramento contínuo e do manejo integrado.
Nematoides exigem atenção ao sistema radicular
Enquanto doenças e insetos-praga costumam apresentar sintomas mais perceptíveis na parte aérea das plantas, os nematoides representam um desafio adicional por atuarem diretamente no sistema radicular.
O ataque pode comprometer a capacidade da planta de absorver água e nutrientes. Na lavoura, os sintomas podem aparecer na forma de amarelecimento e reboleiras, manifestações que podem ser confundidas com problemas relacionados ao déficit hídrico, compactação do solo ou deficiência nutricional.
Segundo Jhonatan Coradin, engenheiro agrônomo e gerente de Desenvolvimento de Mercado da Vittia, o planejamento antecipado permite ao produtor ganhar tempo na tomada de decisões e evitar intervenções emergenciais.
“Iniciar o ciclo com um planejamento estratégico consolidado proporciona um ganho de tempo de resposta e otimiza os investimentos operacionais, evitando os altos custos de um controle emergencial.”
Biológicos ganham espaço no manejo da soja
Dentro desse cenário, a integração de biodefensivos ao programa de manejo aparece como uma das estratégias para ampliar as ferramentas disponíveis ao produtor.
A proposta é combinar diferentes mecanismos de ação e tecnologias, considerando as características de cada área e o histórico fitossanitário da propriedade.
A Vittia cita, por exemplo, a utilização conjunta da bactéria Bacillus amyloliquefaciens, isolado BV03, presente no produto No-Nema, e do fungo Purpureocillium lilacinum, associado ao RizoForte.
Segundo informações da empresa, ensaios conduzidos pela área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) registraram aproximadamente 70% de eficiência de controle em determinadas condições experimentais.
A estratégia busca atuar tanto na proteção do sistema radicular quanto sobre estruturas dos nematoides presentes no solo, além de favorecer o desenvolvimento das raízes e a exploração de água e nutrientes.
Tratamento começa antes da emergência da soja
Para Coradin, o manejo dos nematoides precisa ser pensado desde a implantação da cultura.
“O planejamento logo na largada da safra fará a diferença na hora da colheita.”
O especialista destaca ainda que tecnologias biológicas voltadas ao controle de nematoides podem ser utilizadas em diferentes momentos do programa, incluindo tratamento de sementes, aplicação no sulco de plantio ou aplicação foliar, conforme a recomendação técnica e as características de cada produto.
Manejo integrado deve ganhar força na safra 2026/27
A estratégia para a nova temporada tende a combinar diferentes ferramentas de controle, em vez de concentrar o manejo em uma única tecnologia.
Nesse modelo, os biodefensivos podem atuar de forma complementar aos produtos químicos e às demais práticas agronômicas, contribuindo para ampliar as alternativas disponíveis no campo e para estratégias de manejo de resistência.
“O manejo integrado não é sobre escolher um lado. É sobre usar a ferramenta certa, no momento exato, para cada desafio específico da lavoura”, afirma Coradin.
Com o início do plantio da soja 2026/27 em importantes regiões produtoras, o cenário reforça a importância de monitoramento, diagnóstico correto, planejamento fitossanitário e integração de tecnologias. Para o produtor, antecipar decisões pode ser determinante para reduzir a pressão de doenças, pragas e nematoides ao longo do ciclo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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