Publicado em: 05/02/2026 às 18:40hs
A produção de soja no Paraguai caminha para atingir um recorde histórico na safra 2025/26. Segundo dados revisados por analistas de mercado, a estimativa total pode chegar a 11,53 milhões de toneladas, impulsionada por altas produtividades nas principais regiões produtoras do país.
O volume representa um aumento significativo em relação à projeção anterior, que indicava 9,65 milhões de toneladas. Agora, a safra principal deve alcançar 10,14 milhões de toneladas, enquanto a safrinha pode adicionar mais 1,39 milhão de toneladas ao total nacional.
O avanço da colheita em janeiro confirmou as perspectivas otimistas para o ciclo atual. As chuvas bem distribuídas em dezembro favoreceram o desenvolvimento das lavouras, resultando em produtividades acima da média histórica.
De acordo com Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado, o desempenho surpreendeu até os mais otimistas:
“O principal destaque deste início de colheita tem sido o desempenho produtivo acima do esperado, o que nos levou a revisar para cima os rendimentos médios na maior parte dos departamentos produtores”, afirma.
As revisões mais significativas ocorreram nas principais áreas agrícolas da Região Oriental. Em Alto Paraná, o rendimento médio foi ajustado para 3,6 toneladas por hectare, enquanto Canindeyú chegou a 3,5 t/ha.
Na região Centro-Sul, os departamentos de Caaguazú e Itapúa elevaram suas produtividades para 3,4 t/ha. Também foram observados ajustes positivos em Guairá, Caazapá, San Pedro e Paraguarí, consolidando o cenário de produção recorde nacional.
Até o final de janeiro, entre 20% e 30% da área total cultivada já havia sido colhida no país. Um dado curioso deste ciclo é que o ritmo está mais acelerado no norte da Região Oriental, algo incomum em anos anteriores.
“Em anos normais, o Sul lidera a colheita, mas, nesta safra, as condições climáticas prolongaram o ciclo vegetativo nessa região”, explica Larissa.
A expectativa é que o pico dos trabalhos ocorra nas duas primeiras semanas de fevereiro, com a conclusão das operações prevista para o final do mês.
Com o aumento da oferta, o mercado interno paraguaio já sente os reflexos da queda nos preços. Embora a comercialização antecipada esteja alinhada com a média dos últimos três anos — cerca de 33,6% da produção já vendida —, os basis sofreram recuo considerável.
Desde meados de janeiro, as cotações em Assunção caíram de USD -23 por tonelada (em dezembro) para cerca de USD -40 por tonelada.
Esse movimento tende a se intensificar com o avanço da colheita em toda a América do Sul. Na segunda-feira, 2 de fevereiro, a StoneX revisou para cima sua estimativa da safra brasileira, elevando a projeção para 181,6 milhões de toneladas de soja.
“Com os ajustes observados no Paraguai e em outros países da América do Sul, o mercado caminha para um cenário de ampla oferta nos próximos meses, o que deve seguir influenciando as dinâmicas de preços”, conclui a analista.
Fonte: Portal do Agronegócio
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