Mercado da soja segue travado no Brasil com produtor retraído, Chicago sem força e clima favorável nos EUA pressionando preços
Baixa liquidez, dólar em queda, prêmios elevados e clima positivo no Corn Belt limitam os negócios no mercado brasileiro de soja; tensão geopolítica evita perdas mais intensas nas bolsas internacionais
Publicado em: 06/08/2026 às 11:10hs
O mercado brasileiro de soja iniciou esta quinta-feira (6) com ritmo lento de negociações, refletindo um cenário de cautela entre produtores, estabilidade nas cotações físicas e falta de força na Bolsa de Chicago. A combinação entre dólar mais fraco, clima favorável para a safra norte-americana e prêmios de exportação elevados mantém os agentes atentos, enquanto a liquidez continua reduzida nas principais regiões produtoras do país.
No mercado interno, a comercialização segue restrita. Produtores permanecem resistentes às ofertas atuais e preferem reter parte da produção na expectativa de melhores oportunidades de venda, seja por uma eventual recuperação cambial, valorização dos contratos futuros ou melhora nos prêmios de exportação.
Mercado físico registra poucas negociações
Segundo análises do mercado, o comportamento dos preços foi misto, com estabilidade predominando na maior parte das praças, pequenas altas em algumas regiões e recuos pontuais em outras.
No Rio Grande do Sul, a soja foi negociada entre R$ 134,00 e R$ 136,00 por saca, enquanto o porto de Rio Grande permaneceu em R$ 148,00. O farelo de soja avançou para R$ 1.800 por tonelada, mas o mercado físico continuou registrando baixo volume de negócios.
Em Santa Catarina, os preços permaneceram praticamente estáveis. O porto de São Francisco do Sul manteve referência próxima de R$ 143,50 por saca, enquanto as cotações no interior oscilaram entre R$ 123,00 e R$ 143,00.
No Paraná, Paranaguá apresentou valorização, alcançando R$ 147,00 por saca, enquanto Cascavel registrou R$ 134,00, Maringá R$ 136,00 e Ponta Grossa R$ 135,00. A diferença entre os preços do porto e das regiões produtoras continua sendo influenciada principalmente pelos custos logísticos e pelas margens das tradings.
Já em Mato Grosso do Sul, foram observados recuos localizados. Dourados foi cotada a R$ 130,00, Maracaju a R$ 129,00 e Campo Grande a R$ 126,50 por saca. A preocupação dos produtores com os custos da próxima safra reforça a estratégia de retenção dos estoques.
Em Mato Grosso, o mercado apresentou estabilidade com ganhos pontuais. Os preços variaram de R$ 123,30 em Sorriso até R$ 131,40 em Rondonópolis, enquanto a indústria segue enfrentando dificuldades para repassar aos derivados o elevado custo da matéria-prima.
Produtores permanecem fora do mercado
Analistas destacam que o produtor brasileiro continua distante das negociações, realizando vendas apenas para atender necessidades imediatas de caixa.
Mesmo com os prêmios de exportação permanecendo elevados nos portos brasileiros, a combinação entre a fraqueza dos contratos em Chicago e a queda do dólar reduz o poder de reação das cotações domésticas.
Nos portos, Paranaguá e Rio Grande registraram leves avanços, com a soja sendo negociada ao redor de R$ 145,00 por saca, reforçando que o suporte permanece concentrado na demanda externa.
Clima favorável nos Estados Unidos limita recuperação em Chicago
Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja operam próximos da estabilidade nesta quinta-feira.
O contrato novembro trabalha ao redor de US$ 11,73 por bushel, enquanto o janeiro é negociado próximo de US$ 11,88 por bushel, refletindo um mercado que tenta encontrar direção após as oscilações registradas ao longo da semana.
O principal fator de pressão continua sendo o clima nos Estados Unidos.
As previsões meteorológicas indicam chuvas regulares sobre o Corn Belt durante os próximos dias, favorecendo o desenvolvimento das lavouras americanas justamente em um período decisivo para a definição do potencial produtivo da safra 2026/27.
Embora mapas climáticos ainda indiquem temperaturas elevadas para diversas regiões produtoras, os volumes de precipitação previstos diminuem os riscos para a cultura, reduzindo o prêmio climático incorporado aos preços internacionais.
Geopolítica impede novas quedas mais fortes
Apesar do cenário climático favorável, os investidores continuam monitorando os riscos geopolíticos.
As tensões no Oriente Médio, especialmente pela ausência de um acordo entre Irã e Estados Unidos, seguem sustentando parte da volatilidade nos mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, novos ataques registrados na região do Mar Negro voltam a gerar preocupação sobre a logística global de grãos, especialmente envolvendo infraestrutura portuária e embarques de Rússia e Ucrânia.
Esse ambiente de incerteza ajuda a limitar perdas mais expressivas para soja, milho e trigo nas bolsas internacionais.
Dólar e petróleo seguem no radar do agronegócio
No mercado financeiro, o dólar comercial opera próximo de R$ 5,12, registrando leve desvalorização frente ao real, fator que reduz a competitividade das exportações brasileiras e limita novas altas nos preços internos da soja.
Já o petróleo permanece sustentado no mercado internacional, com o WTI negociado próximo de US$ 76 por barril, refletindo a permanência das preocupações geopolíticas.
Perspectivas para o mercado
O curto prazo continua indicando um mercado de soja sem um vetor claro de alta.
Enquanto o clima nos Estados Unidos favorecer o desenvolvimento da safra, Chicago tende a permanecer pressionada. No Brasil, a combinação entre dólar mais fraco, liquidez reduzida e postura cautelosa dos produtores deve manter os negócios em ritmo lento.
Por outro lado, os prêmios elevados nos portos, a demanda internacional consistente e as incertezas geopolíticas seguem funcionando como importantes fatores de sustentação para as cotações, impedindo movimentos de queda mais intensos.
O mercado permanece atento aos próximos relatórios climáticos dos Estados Unidos, ao comportamento do câmbio e aos desdobramentos das tensões internacionais, fatores que deverão definir a direção dos preços da soja nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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