Farelo de soja ganha peso na indústria com esmagamento recorde e expansão de aves e suínos
Abiove projeta processamento de 63,5 milhões de toneladas de soja em 2026; demanda da nutrição animal e exportações ampliam oportunidades para agregar valor ao grão
Publicado em: 13/10/2026 às 10:00hs
O crescimento da demanda por farelo de soja, associado à expansão da produção de aves e suínos, amplia as oportunidades para a indústria processadora brasileira. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta esmagamento recorde de 63,5 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,9 milhões de toneladas de farelo.
O cenário combina maior disponibilidade de matéria-prima, consumo doméstico ligado à alimentação animal e demanda internacional. Para as indústrias, essa integração permite diversificar os destinos da soja e gerar valor por meio da comercialização de seus derivados.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a participação do farelo na margem de processamento das indústrias atingiu o maior nível em quase dois anos, reforçando sua importância econômica dentro do complexo soja.
Safra recorde amplia disponibilidade para processamento
A produção brasileira de soja na safra 2025/26 foi estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 180,4 milhões de toneladas, crescimento de 5,2% em relação à temporada anterior e o maior volume já registrado.
Essa oferta cria condições para ampliar o processamento industrial, embora o aproveitamento das oportunidades também dependa da demanda pelos derivados, das condições logísticas e das margens das empresas.
Para Marcelo Sato, diretor de esmagamento de grãos da ADM para a América do Sul, o farelo deve ser analisado dentro de uma cadeia que conecta produção agrícola, indústria e mercados consumidores.
Na avaliação do executivo, a combinação de uma safra de grande escala, capacidade industrial e demanda por derivados abre espaço para agregar valor ao grão e fortalecer a integração entre os diferentes elos do setor.
Produção de frango e suíno sustenta demanda por farelo
A nutrição animal é uma das principais aplicações do farelo de soja. Por isso, o consumo do produto acompanha o desempenho de atividades como avicultura e suinocultura.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) projeta que, em 2026, a produção brasileira de carne de frango poderá crescer até 5,6% sobre 2025, enquanto a de carne suína poderá avançar até 5%.
Para 2027, a previsão apresentada é de que o volume total de proteína animal alcance 34,26 milhões de toneladas no Brasil, impulsionado pela expansão de aves e suínos.
Esse movimento reforça a necessidade de abastecimento consistente de ingredientes para as rações e amplia a relevância do farelo no mercado doméstico.
Segundo Sato, acompanhar a evolução dessas cadeias permite coordenar a originação dos grãos, o processamento, a logística e o atendimento aos consumidores.
Exportações de farelo de soja podem atingir 24,8 milhões de toneladas
Além do consumo interno, o comércio internacional permanece como destino importante para a produção brasileira. A Abiove estima exportações de 24,8 milhões de toneladas de farelo de soja em 2026.
A presença nos dois mercados oferece alternativas à indústria para direcionar os derivados conforme as condições de demanda, preços e logística.
Para Sato, essa diversidade de destinos ajuda as empresas a responder às mudanças do mercado ao longo do ciclo, aproveitando oportunidades tanto no Brasil quanto no exterior.
Farelo e óleo integram estratégia de agregação de valor
O esmagamento da soja gera farelo e óleo, produtos que atendem a diferentes aplicações e participam conjuntamente da formação do resultado industrial.
Assim, o potencial econômico do farelo está relacionado ao desempenho de todo o complexo soja. A disponibilidade do grão, a eficiência do processamento e a demanda pelos derivados precisam ser avaliadas de forma integrada.
Na visão do executivo da ADM, o Brasil reúne produção agrícola em escala, uma indústria processadora desenvolvida e cadeias consumidoras relevantes, especialmente na proteína animal. A conexão entre essas atividades é um dos fatores que podem ampliar o valor gerado a partir da soja brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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