Esmagadora Campos Gerais inicia operações e marca maior intercooperação da história do Paraná
Complexo industrial em Ponta Grossa reúne sete cooperativas, tem capacidade para processar 3,4 mil toneladas de soja por dia e amplia a agregação de valor à produção paranaense
Publicado em: 21/08/2026 às 08:00hs
A Esmagadora Campos Gerais iniciou suas operações sob o comando de sete cooperativas agroindustriais do Paraná. Localizado em Ponta Grossa, o complexo tem capacidade para processar diariamente 3,4 mil toneladas de soja e representa o maior projeto de intercooperação já realizado no estado.
O empreendimento reúne Frísia, Agrária, Capal, Coasul, Integrada, Castrolanda e Bom Jesus. Juntas, as cooperativas somam aproximadamente 57 mil associados, 16 mil colaboradores, 2,1 milhões de hectares cultivados e faturamento anual superior a R$ 47 bilhões.
A iniciativa fortalece a presença do cooperativismo paranaense na industrialização de grãos e permite que uma parcela maior do valor gerado pela soja permaneça dentro do próprio sistema cooperativo.
Sete cooperativas unem forças na industrialização da soja
A formação da intercooperação foi anunciada oficialmente em 17 de agosto, durante encontro com o governador do Paraná, Ratinho Junior, e representantes das sete organizações participantes.
A apresentação conjunta marcou uma nova etapa para o cooperativismo estadual, que passa a controlar uma estrutura industrial voltada ao processamento de soja e à fabricação de produtos destinados aos mercados de alimentos, nutrição animal e biocombustíveis.
O empreendimento busca ampliar a integração entre produção, processamento e comercialização. Com isso, as cooperativas avançam além do fornecimento da matéria-prima e ganham participação em etapas de maior valor agregado da cadeia.
Frísia lidera gestão da Esmagadora Campos Gerais
A gestão do complexo será liderada pela Frísia Cooperativa Agroindustrial, que possui experiência em projetos compartilhados e iniciativas de intercooperação.
Segundo o superintendente da Frísia, Mario Dykstra, o empreendimento demonstra o amadurecimento do modelo cooperativista no Paraná e a capacidade das organizações de desenvolver investimentos conjuntos de grande porte.
“Sete cooperativas decidiram unir forças para investir na industrialização da soja, agregando valor à produção dos cooperados e mostrando que a intercooperação é um dos caminhos mais eficientes para fortalecer o cooperativismo”, afirma Dykstra.
Para o executivo, a união amplia a escala dos negócios, melhora a competitividade e fortalece a participação dos produtores nas diferentes etapas da cadeia da soja.
Unidade foi assumida pelas cooperativas em agosto
O complexo industrial pertencia anteriormente à multinacional Louis Dreyfus Company (LDC). A transferência para as cooperativas foi concluída em 1º de agosto, e a produção começou dois dias depois, já sob a nova administração.
A operação conta com aproximadamente 200 trabalhadores e ocupa um terreno de 58,08 hectares em Ponta Grossa, região considerada estratégica para a logística e a industrialização agrícola no Paraná.
A localização favorece o recebimento de soja das áreas atendidas pelas cooperativas, além do escoamento dos produtos industrializados para compradores nacionais e internacionais.
Estrutura armazena até 300 mil toneladas de grãos
A Esmagadora Campos Gerais dispõe de uma estrutura integrada para recebimento, armazenamento e processamento da soja. A capacidade estática de armazenagem chega a 300 mil toneladas de grãos.
O complexo industrial inclui:
- área de recepção e beneficiamento de grãos;
- estruturas para armazenamento;
- unidade de preparação da soja;
- instalações para extração de óleo e farelo;
- sistemas de degomagem;
- área para envase de lecitina;
- refinaria industrial.
A capacidade diária de processamento de 3,4 mil toneladas coloca a unidade entre os empreendimentos relevantes da indústria de esmagamento de soja no Paraná.
Óleo de soja atenderá mercado de biocombustíveis
A produção será concentrada principalmente em óleo de soja degomado e farelo. O óleo deverá ser destinado predominantemente à indústria de biocombustíveis, fortalecendo a integração entre o agronegócio e o setor de energia renovável.
De acordo com o especialista de Projetos e Novos Negócios da Frísia, Diego Miyasaka, o farelo de soja será comercializado no mercado brasileiro e também destinado à exportação.
A unidade produzirá ainda lecitina e casca de soja. Esses itens possuem aplicações nas indústrias de alimentos para consumo humano e de nutrição animal, ampliando o aproveitamento da matéria-prima e o portfólio comercial do empreendimento.
Projeto agrega valor à produção dos cooperados
A entrada das cooperativas no processamento industrial permite reduzir a dependência da comercialização exclusiva do grão e ampliar a participação dos produtores nos resultados obtidos com os derivados da soja.
Além do ganho econômico, a intercooperação pode gerar maior eficiência na compra de matéria-prima, na utilização da estrutura industrial, na logística e na comercialização dos produtos.
O projeto também reforça o papel do Paraná como um dos principais polos do cooperativismo agroindustrial brasileiro. Ao reunir sete organizações em torno de uma mesma unidade, a Esmagadora Campos Gerais cria escala para competir em mercados de grande volume e amplia a capacidade de transformar a produção agrícola regional em alimentos, ração e energia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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