Publicado em: 03/03/2026 às 17:00hs
A colheita da soja 2025/26 avança em ritmo constante no Tocantins, com resultados considerados satisfatórios pelos produtores. A expectativa é de que o estado alcance 5,75 milhões de toneladas, consolidando-se como o maior produtor da Região Norte.
De acordo com Thiago Facco, vice-presidente da Aprosoja Tocantins, a produtividade tem se mantido em níveis positivos, mas a rentabilidade segue pressionada por custos elevados e desafios logísticos.
“É uma safra satisfatória, porém de pouca rentabilidade. A produção cresce ano a ano, mas a infraestrutura e a capacidade de armazenagem não acompanharam esse avanço”, afirma Facco.
Segundo o relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as chuvas registradas em janeiro — ainda que abaixo da média histórica — foram suficientes para recuperar áreas afetadas por estiagem em dezembro e garantir o bom desenvolvimento das lavouras.
No nordeste do estado, a colheita começou na primeira quinzena de fevereiro, com leve atraso devido à irregularidade das chuvas. Já nas regiões centro e oeste, o avanço das máquinas ocorre dentro da normalidade, com produtividades acima das expectativas iniciais.
Apesar do bom desempenho no campo, os problemas estruturais continuam sendo o principal entrave para o produtor tocantinense. As estradas precárias e a falta de capacidade estática para armazenamento aumentam os custos logísticos e reduzem as margens de lucro.
“Os caminhões enfrentam filas longas, as tradings repassam o custo logístico e isso corrói a rentabilidade do produtor”, explica Facco.
A presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, reforça que o momento exige planejamento e investimento público.
“O produtor está fazendo sua parte, investindo em tecnologia e produtividade. Agora precisamos de infraestrutura compatível com esse crescimento — estradas em boas condições, mais armazéns e eficiência no escoamento são fundamentais para manter a competitividade do estado”, destaca.
O 5º Levantamento da Safra de Grãos da Conab estima a produção brasileira de soja em 177,98 milhões de toneladas, número que representa crescimento sobre o ciclo anterior e mantém o Brasil como líder mundial na produção do grão.
Até a primeira semana de fevereiro, 17,4% da área nacional já havia sido colhida, com destaque para os estados do Mato Grosso, Paraná, Goiás e Tocantins, que registram avanços mais acelerados nas regiões com melhor regularidade de chuva.
O Tocantins figura entre os estados com melhor desempenho no plantio do milho segunda safra, segundo a Conab. Mesmo com o atraso inicial no ciclo da soja, causado pelas chuvas irregulares, o estado conseguiu manter ritmo avançado na implantação do milho, junto a Mato Grosso, Paraná, Pará e Mato Grosso do Sul.
Na primeira semana de fevereiro, o plantio nacional do milho safrinha atingiu 21,6% da área prevista, índice próximo da média histórica e acima do registrado no mesmo período do ciclo anterior. A estimativa é de uma área total de 17,89 milhões de hectares e produção projetada em 109,26 milhões de toneladas.
A Aprosoja Tocantins avalia que o desempenho da safra reforça o papel do estado como um dos principais polos agrícolas do país, mas alerta para a necessidade de políticas públicas estruturantes.
“Estamos consolidando o Tocantins entre os grandes produtores de soja do Brasil. O desafio é transformar esse volume em rentabilidade sustentável, com logística eficiente e apoio governamental”, conclui Caroline Barcellos.
O avanço da colheita confirma o potencial produtivo do Tocantins, mas o desenvolvimento do setor dependerá da melhoria da infraestrutura, essencial para reduzir custos, ampliar competitividade e garantir sustentabilidade ao produtor rural.
Fonte: Portal do Agronegócio
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