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Soja

Caruru avança nas lavouras de soja e pré-emergentes ganham protagonismo no manejo da safra 2026/27

Aumento da pressão de plantas daninhas em Mato Grosso exige estratégias antecipadas para preservar produtividade, reduzir resistência aos herbicidas e garantir maior eficiência no controle da soja.


Publicado em: 29/07/2026 às 07:30hs

Caruru avança nas lavouras de soja e pré-emergentes ganham protagonismo no manejo da safra 2026/27

O avanço do caruru (Amaranthus hybridus) nas áreas produtoras de soja de Mato Grosso está mudando a dinâmica do manejo de plantas daninhas e colocando os herbicidas pré-emergentes no centro das estratégias para a safra 2026/27.

Com elevada capacidade de adaptação, rápida multiplicação e dificuldade crescente de controle, a espécie passou a dividir espaço com outros importantes desafios fitossanitários, como pé-de-galinha e vassourinha-de-botão, aumentando a necessidade de ações preventivas desde o início do ciclo da cultura.

O cenário reforça uma mudança de comportamento no campo: produtores e especialistas apontam que o controle eficiente das invasoras precisa começar antes da emergência da soja, reduzindo a competição inicial e evitando maior dependência de aplicações corretivas em pós-emergência.

Caruru amplia desafios no manejo da soja

Segundo Jeferson Altair Brambilla, engenheiro agrônomo e CEO da J&A Inteligência Agronômica, de Sorriso (MT), o crescimento do caruru preocupa pela velocidade de expansão e pela capacidade de adaptação da planta aos diferentes sistemas produtivos.

A espécie apresenta alto potencial de produção de sementes e rápida ocupação das áreas agrícolas, aumentando o banco de sementes no solo e dificultando o controle ao longo das safras.

Além do caruru, outras plantas daninhas continuam pressionando os produtores, principalmente nas regiões do eixo da BR-163 e no norte de Mato Grosso, áreas de grande concentração da produção de soja brasileira.

Controle antecipado se torna essencial na safra 2026/27

Para especialistas, o principal desafio não está apenas em eliminar plantas daninhas já estabelecidas, mas em reduzir a emergência inicial das invasoras.

“O produtor precisa conhecer os problemas presentes em cada área e estruturar um programa de manejo. Não adianta depender apenas de ferramentas em pós-emergência se não houver uma boa estratégia com pré-emergentes”, destaca Brambilla.

A recomendação técnica é combinar diferentes mecanismos de ação para diminuir a pressão das plantas daninhas e preservar a eficiência dos herbicidas disponíveis.

Matocompetição afeta produtividade desde o início do ciclo

A soja atual apresenta maior potencial produtivo, mas também maior sensibilidade à competição com plantas invasoras nas fases iniciais de desenvolvimento.

Segundo Brambilla, a disputa por água, luz e nutrientes ocorre cada vez mais cedo, podendo comprometer o estabelecimento da cultura e limitar o teto produtivo.

A redução do fluxo inicial de plantas daninhas permite que a soja tenha melhores condições de crescimento e diminui a necessidade de aplicações intensivas durante o ciclo.

Pré-emergentes ajudam a preservar herbicidas pós-emergentes

Outro ponto destacado pelos especialistas é o papel dos pré-emergentes na preservação das tecnologias de controle.

Ao reduzir a emergência das invasoras, esses produtos diminuem a pressão sobre os herbicidas utilizados posteriormente e ajudam a retardar o avanço de populações resistentes.

Segundo Brambilla, o uso estratégico dessas ferramentas contribui para um manejo mais sustentável, evitando aplicações fora do momento ideal e aumentando a eficiência do sistema produtivo.

Novas tecnologias reforçam manejo preventivo

Diante desse cenário, empresas do setor têm ampliado investimentos em soluções voltadas ao manejo antecipado.

Entre as tecnologias disponíveis está o Predecessor®, herbicida desenvolvido pela Agroallianz para aplicação em pré-plantio, com foco no controle inicial das plantas daninhas e na formação de áreas mais limpas antes do estabelecimento da soja.

De acordo com Renato Menezes, engenheiro agrônomo e gerente de marketing técnico da Agroallianz, o momento exige uma mudança de estratégia por parte dos agricultores.

“O manejo precisa ser construído antes que o problema apareça. O objetivo é reduzir a pressão das plantas daninhas desde o começo do ciclo e preservar o potencial produtivo da lavoura”, afirma.

Herbicida combina três mecanismos de ação

O Predecessor® possui uma formulação com três ingredientes ativos:

  • Imazetapir
  • Flumioxazin
  • Diclosulam

A combinação busca ampliar o espectro de controle e atuar sobre diferentes processos fisiológicos das plantas daninhas.

Segundo a empresa, os mecanismos de ação interferem na síntese de aminoácidos e clorofila, além de estimular a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS), comprometendo o desenvolvimento das invasoras.

A tecnologia apresenta controle sobre espécies como:

  • caruru-de-mancha;
  • buva;
  • picão-preto;
  • corda-de-viola;
  • trapoeraba;
  • capim-colchão.
Manejo integrado será decisivo para produtividade da soja

Ensaios independentes realizados em diferentes condições de infestação indicaram resultados positivos no controle de plantas daninhas e ganhos produtivos em áreas tratadas com a tecnologia.

Os testes conduzidos em Ponta Grossa (PR) apontaram desempenho superior em comparação com áreas sem aplicação, reforçando a importância do manejo preventivo.

Para a próxima safra, a tendência é que os produtores ampliem o uso de estratégias integradas, combinando:

  • rotação de mecanismos de ação;
  • uso adequado de pré-emergentes;
  • monitoramento constante das áreas;
  • controle antecipado das invasoras.

Com o avanço do caruru e de outras espécies resistentes, o manejo de plantas daninhas deixa de ser uma ação corretiva e passa a ocupar papel estratégico na construção da produtividade da soja brasileira na safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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