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Soja

Alta da soja em Chicago acelera vendas no Brasil e comercialização da safra chega a 88,7%

Preços mais firmes impulsionam negócios com a produção 2025/26 e elevam as vendas antecipadas da próxima temporada para 29,1%, acima da média dos últimos cinco anos


Publicado em: 04/09/2026 às 16:00hs

Alta da soja em Chicago acelera vendas no Brasil e comercialização da safra chega a 88,7%

A recuperação dos preços da soja no mercado doméstico brasileiro acelerou a comercialização da oleaginosa durante agosto e nos primeiros dias de setembro. A valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) melhorou as referências internas e estimulou produtores a ampliar o volume negociado.

Até 4 de setembro, as vendas da safra brasileira de soja 2025/26 alcançaram 88,7% da produção estimada, segundo levantamento da Safras & Mercado. No relatório anterior, elaborado com dados coletados até 7 de agosto, o índice estava em 81,9%.

O avanço de 6,8 pontos percentuais em aproximadamente um mês colocou a comercialização acima dos referenciais históricos. No mesmo período do ano passado, 84,1% da produção estava comprometida, enquanto a média dos últimos cinco anos para esta época do calendário é de 86,4%.

Brasil já comercializou 158,16 milhões de toneladas de soja

Considerando a estimativa de produção de 178,341 milhões de toneladas para a safra 2025/26, os produtores brasileiros já negociaram aproximadamente 158,163 milhões de toneladas.

O ritmo mais intenso das vendas reflete a combinação entre preços domésticos mais atrativos e a valorização da soja na Bolsa de Chicago. A melhora das cotações abriu oportunidades de comercialização e levou agentes do mercado a avançarem nas negociações.

Com 88,7% da produção já comprometida, restam cerca de 20,178 milhões de toneladas disponíveis para comercialização, de acordo com os números considerados no levantamento.

Vendas antecipadas da próxima safra avançam para 29,1%

A comercialização antecipada da nova safra também ganhou velocidade. Com uma produção projetada em 180,089 milhões de toneladas, 29,1% do volume previsto já foi negociado, o equivalente a aproximadamente 52,420 milhões de toneladas.

O percentual representa um avanço expressivo em relação ao levantamento de 7 de agosto, quando as vendas antecipadas estavam em 20,2%. Em menos de um mês, o índice cresceu 8,9 pontos percentuais.

A comercialização atual também supera os 20,2% registrados no mesmo período do ano passado e a média histórica de 22,7% para esta época. O desempenho indica que os produtores aproveitaram a reação das cotações para proteger margens e reduzir a exposição às oscilações futuras do mercado.

Demanda chinesa sustenta alta da soja em Chicago

A valorização da soja na Bolsa de Chicago foi sustentada, principalmente, pela demanda aquecida pelo produto dos Estados Unidos. As compras chinesas ganharam destaque e reforçaram as expectativas de maior procura pela oleaginosa norte-americana.

A China ocupa posição central no comércio mundial de soja, e qualquer alteração no ritmo de suas importações costuma provocar efeitos imediatos sobre os contratos futuros. A retomada da demanda ajudou a melhorar o sentimento dos investidores e dos agentes envolvidos na comercialização do grão.

O mercado também passou a acompanhar com maior atenção o desenvolvimento das lavouras norte-americanas. As preocupações com as condições das plantações acrescentaram suporte às cotações, diante do risco de impactos sobre a produtividade e a oferta dos Estados Unidos.

Conflito no Mar Negro influencia preços dos grãos

A intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia ampliou as preocupações relacionadas ao abastecimento de trigo e milho provenientes da região do Mar Negro, importante corredor do comércio agrícola mundial.

Os temores sobre possíveis restrições logísticas e menor disponibilidade dos cereais provocaram fortes altas nos preços do trigo e do milho. Esse movimento também favoreceu a soja, diante da correlação entre os mercados agrícolas e do reposicionamento de investidores em contratos de commodities.

Petróleo acima de US$ 90 reforça valorização da oleaginosa

Outro fator de sustentação veio do mercado de energia. A cotação do petróleo ultrapassou US$ 90 por barril, aumentando o interesse por matérias-primas utilizadas na produção de biocombustíveis.

A alta do petróleo tende a melhorar a competitividade do biodiesel, cuja fabricação utiliza óleo de soja como uma de suas principais matérias-primas. Essa relação fortalece as expectativas de demanda pelo complexo soja e pode oferecer suporte adicional às cotações internacionais.

Comercialização da soja supera média histórica

O desempenho recente mostra que os produtores brasileiros aproveitaram a janela de preços mais favoráveis para avançar nas vendas tanto da safra disponível quanto da próxima temporada.

A continuidade desse movimento dependerá do comportamento da Bolsa de Chicago, dos prêmios de exportação, da taxa de câmbio e da demanda internacional. As condições das lavouras nos Estados Unidos, as compras chinesas, o conflito no Mar Negro e os preços do petróleo também permanecerão entre os principais fatores de volatilidade.

Com a safra 2025/26 próxima de ser integralmente comercializada e as negociações antecipadas da nova produção acima da média histórica, o mercado brasileiro de soja entra em uma etapa de menor disponibilidade e maior atenção às oportunidades oferecidas pelas cotações.

Fonte: Portal do Agronegócio

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