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Suíno

Superoferta de suínos derruba preços e aumenta prejuízos dos produtores no Brasil

Maior disponibilidade de animais e carne suína pressionou as cotações em agosto, enquanto queda no preço médio das exportações reduziu o suporte oferecido pelo mercado externo


Publicado em: 04/09/2026 às 16:30hs

Superoferta de suínos derruba preços e aumenta prejuízos dos produtores no Brasil
Foto: CNA

A elevada oferta de suínos para abate aprofundou a pressão sobre os preços da suinocultura brasileira em agosto. As cotações do animal vivo recuaram nas principais regiões produtoras, enquanto os valores da carcaça e dos cortes comercializados no atacado também perderam força.

Embora as exportações brasileiras de carne suína tenham mantido bom desempenho em volume, a redução do preço médio dos embarques limitou a capacidade do mercado externo de compensar as perdas registradas dentro do país. O cenário elevou a apreensão entre os produtores, que enfrentam margens cada vez mais apertadas.

Oferta elevada impede recuperação do suíno vivo

De acordo com o analista e consultor da Safras & Mercado, Allan Maia, agosto foi marcado por um ambiente desfavorável às cotações em todo o Brasil. A ampla disponibilidade de animais prontos para o abate permitiu que as indústrias adotassem uma postura mais conservadora nas negociações.

O crescimento da oferta também foi influenciado pelo elevado ritmo de abates observado no mês anterior. Em julho, o Brasil registrou o segundo maior volume mensal de abate de suínos de sua história, ampliando a disponibilidade de carne no mercado doméstico.

Com excedente tanto de animais vivos quanto de carne no atacado, os frigoríficos encontraram pouca necessidade de elevar as propostas de compra. Esse desequilíbrio entre oferta e demanda bloqueou qualquer tentativa de recuperação dos preços pagos aos suinocultores.

Preço médio do suíno cai 4,42% no Centro-Sul

O levantamento mensal da Safras & Mercado mostrou queda generalizada nas principais praças brasileiras. No Centro-Sul, o preço médio do suíno vivo recuou 4,42%, passando de R$ 5,00 para R$ 4,77 por quilo.

A carcaça suína apresentou desvalorização de 2,91%, com a cotação média diminuindo de R$ 7,73 para R$ 7,50 por quilo. No atacado, o pernil caiu 1,19%, de R$ 9,60 para R$ 9,49 por quilo.

Em São Paulo, a arroba suína recuou de R$ 97 para R$ 95. A retração confirma a dificuldade do setor em sustentar os valores diante do aumento da disponibilidade de carne e da postura cautelosa adotada pelos compradores.

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná registram baixas

Nos três estados do Sul, principal região produtora de carne suína do país, os preços também encerraram agosto em queda.

No Rio Grande do Sul, o quilo do suíno vivo comercializado no sistema de integração passou de R$ 5,05 para R$ 4,80. No interior gaúcho, a cotação caiu de R$ 4,85 para R$ 4,65.

Em Santa Catarina, o preço na integração recuou de R$ 4,95 para R$ 4,65 por quilo. No mercado do interior catarinense, o valor diminuiu de R$ 4,80 para R$ 4,60.

No Paraná, o suíno vivo negociado no mercado independente passou de R$ 4,80 para R$ 4,60 por quilo. Já no sistema integrado, a cotação caiu de R$ 5,40 para R$ 5,05.

Queda dos preços alcança Centro-Oeste e Minas Gerais

A pressão também se espalhou pelas demais regiões produtoras. Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, o preço do quilo vivo caiu de R$ 4,90 para R$ 4,70. Na integração estadual, a referência recuou de R$ 4,95 para R$ 4,65.

Em Goiás, a cotação em Goiânia passou de R$ 5,00 para R$ 4,90 por quilo.

No interior de Minas Gerais, o preço caiu de R$ 5,30 para R$ 5,00. No mercado independente mineiro, a retração foi de R$ 5,40 para R$ 5,20 por quilo.

Em Mato Grosso, o suíno vivo negociado em Rondonópolis recuou de R$ 5,20 para R$ 5,00. Na integração estadual, a cotação diminuiu de R$ 4,95 para R$ 4,65.

Exportações crescem em volume, mas preço médio recua

O comércio internacional continua absorvendo uma parcela importante da produção brasileira. Em agosto, considerando 15 dias úteis, as exportações de carne suína in natura geraram receita de US$ 184,187 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

O volume embarcado alcançou 78,649 mil toneladas, equivalente a uma média diária de 5,243 mil toneladas. A receita média por dia útil ficou em US$ 12,279 milhões, enquanto o preço médio foi de US$ 2.341,90 por tonelada.

Na comparação com agosto de 2025, a quantidade média diária exportada aumentou 2,4%. Entretanto, o preço médio caiu 9,2%, provocando uma redução de 7% na receita média diária.

Queda no valor exportado limita suporte ao mercado interno

O crescimento dos embarques ajuda a reduzir parte da disponibilidade doméstica, mas a desvalorização do produto no exterior diminui os resultados financeiros das vendas internacionais.

Com menor remuneração por tonelada, as exportações perdem força como instrumento de compensação para a retração observada no mercado brasileiro. O setor passa a depender de uma combinação entre maior demanda interna, ajuste na oferta de animais e recuperação dos preços internacionais para restabelecer as margens.

Enquanto esse equilíbrio não ocorre, os suinocultores permanecem pressionados por cotações mais baixas e prejuízos crescentes. A evolução dos abates, o comportamento do consumo doméstico e o ritmo das exportações serão determinantes para a formação dos preços da carne suína nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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