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Pragas e Doenças

Nematoides ameaçam produtividade das lavouras e causam prejuízos bilionários no Brasil

Pragas microscópicas atacam as raízes de culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar; diagnóstico precoce, rotação de culturas e bionematicidas ajudam a reduzir as perdas


Publicado em: 02/09/2026 às 14:30hs

Nematoides ameaçam produtividade das lavouras e causam prejuízos bilionários no Brasil

Os nematoides estão presentes em praticamente todas as regiões agrícolas do Brasil e representam uma das ameaças mais silenciosas à produtividade das lavouras. Esses vermes microscópicos vivem no solo, atacam as raízes das plantas e comprometem a absorção de água e nutrientes, provocando perdas que podem acompanhar o produtor por várias safras.

O problema afeta culturas de grande importância econômica, como soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar. Como a infestação começa abaixo da superfície, os danos nem sempre são identificados rapidamente. Em muitos casos, o produtor só percebe a presença da praga quando o sistema radicular já está severamente comprometido.

Estudos do setor indicam que as perdas provocadas pelos nematoides ultrapassam dezenas de bilhões de reais por safra no País. Entre as espécies de maior impacto estão o nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus brachyurus), os nematoides-das-galhas (Meloidogyne spp.) e o nematoide-do-cisto-da-soja (Heterodera glycines).

Sintomas podem ser confundidos com seca e deficiência nutricional

A identificação dos nematoides é uma das principais dificuldades enfrentadas pelos produtores. Na parte aérea das plantas, os sintomas podem ser semelhantes aos provocados por estresse hídrico, compactação do solo ou deficiência de nutrientes.

Entre os sinais mais comuns estão o amarelecimento das folhas, o baixo desenvolvimento das plantas, a redução do porte e o aparecimento de manchas irregulares na lavoura, conhecidas como reboleiras.

A confirmação do problema exige a observação das raízes e a realização de análises laboratoriais. Dependendo da espécie presente, podem ser encontrados engrossamentos, galhas, lesões, necroses, redução do volume radicular ou estruturas semelhantes a pequenos grãos aderidos às raízes.

“O nematoide é um desafio de manejo porque, quando o produtor percebe os sinais visíveis na parte aérea da lavoura, a raiz já está severamente comprometida. Não se trata apenas de perder sacas na safra atual, mas de degradar o potencial produtivo das lavouras ao longo dos anos”, explica Cibele Medeiros, mestre em Agronomia e gerente de Portfólio Biológico da Nitro.

Segundo a especialista, o enfrentamento da praga exige uma mudança de postura, com prioridade para ações preventivas e integradas.

Análise de solo e raízes orienta o controle de nematoides

O primeiro passo para um manejo eficiente é realizar a diagnose correta. A análise nematológica de amostras de solo e raízes permite identificar as espécies presentes e medir a densidade populacional em cada talhão.

Essas informações são essenciais porque diferentes nematoides respondem de maneira distinta às medidas de controle. Uma estratégia eficiente contra determinada espécie pode apresentar resultados limitados diante de outra.

A coleta precisa seguir critérios técnicos para representar adequadamente a área afetada. O ideal é que as amostras sejam retiradas em diferentes pontos das reboleiras, incluindo a região de transição entre plantas com sintomas e plantas aparentemente sadias.

Com o diagnóstico laboratorial, o produtor pode definir um programa específico para a propriedade, considerando o histórico da área, as culturas implantadas, o nível de infestação e o sistema produtivo adotado.

Manejo Integrado de Nematoides reduz risco de perdas

O controle não deve depender de uma única ferramenta. Especialistas recomendam a adoção do Manejo Integrado de Nematoides (MIN), que reúne diferentes estratégias ao longo da safra e da entressafra.

Entre as principais práticas estão:

  • diagnóstico laboratorial do solo e das raízes;
  • uso de cultivares resistentes ou com baixo fator de multiplicação;
  • aplicação de bionematicidas;
  • rotação com culturas não hospedeiras;
  • implantação de plantas de cobertura adequadas;
  • monitoramento frequente das áreas infestadas;
  • limpeza de máquinas e implementos agrícolas.

A integração das medidas ajuda a reduzir a população da praga no solo, proteger o sistema radicular e evitar a disseminação para áreas ainda não contaminadas.

Bionematicidas ganham espaço no controle das pragas

O controle biológico tem se consolidado como uma ferramenta importante no manejo de nematoides. Os bionematicidas podem conter microrganismos como bactérias do gênero Bacillus e fungos nematófagos, capazes de atuar em diferentes fases do ciclo da praga.

Dependendo do agente biológico utilizado, os microrganismos podem colonizar as raízes, parasitar ovos e juvenis, produzir substâncias prejudiciais aos nematoides ou criar uma barreira biológica contra o ataque.

A atuação próxima ao sistema radicular favorece o estabelecimento inicial das plantas e ajuda a preservar sua capacidade de absorver água e nutrientes. Os melhores resultados, contudo, dependem da correta escolha do produto, do posicionamento da aplicação e das condições ambientais necessárias ao desenvolvimento dos agentes biológicos.

“Os bionematicidas deixaram de ser uma alternativa complementar para se tornarem protagonistas na construção da saúde do solo. Eles não apenas combatem o nematoide em diferentes fases do ciclo de vida, mas também estimulam o enraizamento e promovem um ambiente microbiológico equilibrado”, afirma Cibele.

Rotação de culturas ajuda a reduzir população no solo

A rotação de culturas é outro componente estratégico do manejo. O cultivo sucessivo de plantas hospedeiras pode favorecer a multiplicação dos nematoides e elevar a pressão sobre as safras seguintes.

O planejamento deve incluir espécies não hospedeiras ou com baixo fator de multiplicação para os nematoides identificados na propriedade. Algumas crotalárias e braquiárias podem contribuir para reduzir gradualmente determinadas populações durante a entressafra.

A escolha, entretanto, não pode ser generalizada. Uma planta de cobertura desfavorável a uma espécie de nematoide pode hospedar outra. Por isso, a definição das culturas deve considerar o resultado da análise nematológica e a orientação de profissionais especializados.

Cultivares resistentes ou com baixo fator de reprodução também podem limitar a multiplicação da praga. A combinação entre genética, controle biológico e rotação tende a oferecer resultados mais consistentes do que ações isoladas.

Máquinas agrícolas podem levar nematoides para áreas limpas

O deslocamento de solo contaminado é uma das formas de disseminação dos nematoides dentro da propriedade. Tratores, colheitadeiras e implementos podem transportar partículas aderidas aos pneus e componentes mecânicos, levando a praga de talhões infestados para áreas livres do problema.

Para reduzir esse risco, recomenda-se planejar as operações para trabalhar primeiro nas áreas sem ocorrência e deixar os talhões contaminados para o final. A higienização rigorosa do maquinário também deve fazer parte do protocolo preventivo.

O cuidado é especialmente importante porque a erradicação dos nematoides após sua instalação no solo é extremamente difícil. O objetivo do manejo passa a ser manter a população abaixo do nível capaz de provocar perdas econômicas relevantes.

Prevenção protege o potencial produtivo da lavoura

O avanço das tecnologias biológicas ampliou as alternativas disponíveis para o controle dos patógenos de solo. Integradas a cultivares adequadas, rotação de culturas, monitoramento e práticas de biossegurança, essas soluções podem reduzir a pressão dos nematoides e contribuir para o equilíbrio microbiológico das áreas agrícolas.

A proteção deve começar antes que os sintomas se tornem visíveis. Quando o produtor identifica as espécies presentes, monitora a população e combina diferentes métodos de controle, aumenta as chances de preservar as raízes e manter o teto produtivo da lavoura.

Em áreas infestadas, o manejo precisa ser contínuo. Os nematoides não representam apenas uma ameaça à colheita atual: sem controle, podem comprometer a produtividade e a rentabilidade da propriedade durante vários ciclos agrícolas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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