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Aveia, Trigo e Cevada

Pulgões no trigo ameaçam produtividade e exigem monitoramento desde a emergência

Insetos retiram seiva das plantas e podem transmitir viroses responsáveis por amarelecimento, mosaico, nanismo e redução na formação de perfilhos, espigas e grãos


Publicado em: 31/08/2026 às 16:00hs

Pulgões no trigo ameaçam produtividade e exigem monitoramento desde a emergência

A presença de pulgões nas lavouras de trigo durante a fase vegetativa representa um risco direto ao potencial produtivo da cultura. Além dos danos provocados pela retirada de seiva, esses insetos podem transmitir vírus capazes de comprometer o desenvolvimento das plantas, principalmente quando a infecção ocorre nas primeiras semanas após a emergência.

O período entre duas e seis folhas, seguido pelo perfilhamento ativo, está entre os mais sensíveis ao ataque. Nessa etapa, o trigo forma raízes, folhas e perfilhos — também chamados de afilhos — que participam diretamente da definição do número de espigas e do rendimento final.

Por isso, o monitoramento deve começar logo após o estabelecimento da lavoura e continuar até o início do alongamento do colmo.

Principais pulgões encontrados nas lavouras de trigo

Entre as espécies mais frequentes na cultura estão o pulgão-verde-dos-cereais (Schizaphis graminum), o pulgão-da-espiga (Sitobion avenae) e o pulgão-preto-dos-cereais (Rhopalosiphum padi).

Ao se alimentarem da seiva, esses insetos podem provocar perda de vigor, murcha localizada, enrolamento das folhas, manchas amareladas e redução do perfilhamento. Dependendo da intensidade da infestação, também podem afetar a formação das espigas e o peso dos grãos.

Os prejuízos, entretanto, podem ser ainda mais expressivos quando os pulgões atuam como vetores de viroses.

Viroses podem causar nanismo e reduzir número de espigas

Um dos principais agentes transmitidos pelos pulgões é o Barley yellow dwarf virus (BYDV), associado ao nanismo-amarelo dos cereais. Outros vírus relacionados a mosaicos e distúrbios no crescimento também podem circular nas áreas produtoras.

A transmissão ocorre quando o inseto se alimenta de uma planta infectada, adquire o vírus e posteriormente migra para plantas sadias. Nem todos os pulgões carregam agentes virais, mas uma parcela infectiva da população pode ser suficiente para espalhar a doença pelo talhão.

Quando a contaminação acontece em plântulas ou plantas jovens, os danos tendem a ser mais severos. Entre as consequências estão nanismo, amarelecimento ou avermelhamento das folhas, mosaico, menor número de perfilhos e redução na formação de espigas e grãos.

Infecções tardias geralmente causam sintomas mais leves e apresentam menor impacto sobre a produtividade.

Plantas jovens exigem atenção redobrada

O intervalo entre o surgimento da segunda folha e o perfilhamento ativo é considerado crítico para o manejo de pulgões no trigo. Uma infecção viral precoce pode comprometer a arquitetura da planta antes da formação dos componentes de rendimento.

A dimensão das perdas depende do momento da infestação, do tamanho da população de insetos, da presença de vírus e das condições de desenvolvimento da lavoura.

Infestações moderadas e sem ocorrência relevante de viroses podem provocar perdas pequenas ou intermediárias, principalmente pela redução dos perfilhos produtivos e do peso dos grãos. Sob elevada pressão de vírus e presença precoce de pulgões vetores, entretanto, parte significativa do potencial produtivo pode ser perdida.

Monitoramento deve começar após a emergência do trigo

As inspeções precisam começar a partir do surgimento de duas folhas verdadeiras e continuar até o final do perfilhamento e o início do alongamento do colmo.

Em áreas com baixa ocorrência histórica de pulgões e sob condições climáticas menos favoráveis aos insetos, como temperaturas mais baixas e períodos prolongados de chuva, uma avaliação semanal pode ser suficiente.

Em anos quentes e secos, propriedades com histórico de viroses ou áreas com presença de cereais voluntários, conhecidos como tigueras, o intervalo entre as vistorias deve ser reduzido para três ou quatro dias.

O aumento da temperatura e o tempo seco podem favorecer a multiplicação e a movimentação dos pulgões, acelerando a colonização das plantas.

Amostragem precisa representar toda a lavoura

O monitoramento deve abranger diferentes pontos do talhão. O percurso pode ser feito em zigue-zague ou por meio de transectos, evitando que a análise fique restrita às bordaduras próximas a estradas, cercas e carreadores.

Áreas com diferenças de cultivar, época de semeadura, condição de solo ou histórico de manejo precisam ser avaliadas separadamente. Essa divisão permite identificar focos iniciais e compreender melhor a dinâmica da infestação.

Durante a inspeção, o produtor ou técnico deve observar principalmente:

  • Parte inferior das folhas;
  • Bainhas foliares;
  • Cartucho das plantas em perfilhamento;
  • Número de pulgões por planta;
  • Percentual de plantas infestadas;
  • Presença de sintomas compatíveis com viroses;
  • Evolução da população entre duas avaliações.

O registro de cada vistoria deve incluir a data, o estádio de desenvolvimento do trigo, a espécie predominante de pulgão, quando identificada, e a distribuição dos focos na lavoura.

Inimigos naturais ajudam no controle dos pulgões

Joaninhas, crisopídeos, sirfídeos, parasitoides e fungos entomopatogênicos atuam naturalmente sobre as populações de pulgões. A presença desses organismos deve ser considerada antes da adoção de medidas de controle.

Quando existem inimigos naturais em quantidade significativa e a população da praga cresce lentamente, o controle biológico pode ajudar a limitar a infestação.

Aplicações desnecessárias de inseticidas devem ser evitadas porque podem eliminar organismos benéficos e provocar desequilíbrios no agroecossistema. Em algumas situações, a redução dos inimigos naturais favorece uma nova expansão dos pulgões após a pulverização.

Presença de pulgões não determina aplicação imediata

A identificação de pulgões não significa, automaticamente, que o controle químico seja necessário. A decisão deve considerar o nível de ação, referência técnica usada para definir o momento em que a intervenção se torna agronômica e economicamente recomendável.

A análise deve reunir fatores como:

  • Estádio de desenvolvimento das plantas;
  • Quantidade e evolução dos pulgões;
  • Histórico de viroses no talhão;
  • Presença de inimigos naturais;
  • Condições meteorológicas;
  • Potencial produtivo da lavoura;
  • Recomendações técnicas para a região.

Em plantas jovens ou áreas com histórico de viroses, populações menores podem representar risco elevado, especialmente quando há poucos inimigos naturais. Em lavouras no pleno perfilhamento, sem registro anterior da doença e com organismos benéficos atuantes, uma quantidade maior de pulgões pode ser tolerada quando a infestação apresenta crescimento lento.

Não existe um número único de pulgões por planta ou percentual fixo de infestação válido para todas as regiões, cultivares e condições de safra. A avaliação deve seguir as recomendações locais e considerar as características específicas da área.

Prevenção começa ainda na entressafra

O manejo integrado de pulgões e viroses começa antes da semeadura. Uma das principais medidas é eliminar plantas voluntárias de trigo, cevada, aveia e outros cereais durante a entressafra.

Essas plantas podem formar uma “ponte verde”, mantendo pulgões e vírus ativos entre uma safra e outra. Plantas daninhas hospedeiras também devem ser controladas para reduzir locais de abrigo e multiplicação dos insetos.

A semeadura dentro da época recomendada diminui a exposição do trigo a períodos favoráveis aos pulgões durante as fases mais sensíveis. Plantios excessivamente antecipados ou tardios podem aumentar o risco de infestação.

A escolha de cultivares adaptadas, a rotação de culturas e o equilíbrio da adubação nitrogenada completam as medidas preventivas. O excesso de nitrogênio pode favorecer tecidos mais tenros e alterar a atratividade das plantas aos insetos.

Controle químico deve seguir recomendação agronômica

Quando o nível de ação for atingido, o controle deve ser realizado somente com produtos registrados para a cultura do trigo e para as espécies-alvo.

A aplicação precisa respeitar as orientações de rótulo e bula, além do receituário agronômico. Volume de calda, pontas de pulverização, horário e condições climáticas devem ser ajustados para garantir cobertura adequada, especialmente nas bainhas e nos locais onde os pulgões costumam se proteger.

O monitoramento não deve ser interrompido depois da pulverização. Uma nova vistoria é necessária para verificar a eficiência do tratamento, acompanhar possíveis reinfestações e avaliar se existe justificativa técnica para outra intervenção.

Sintomas de viroses servem de alerta no campo

Além da observação direta dos pulgões, alguns sinais podem indicar a presença de vírus nas lavouras:

  • Mosaicos com áreas verde-claras e verde-escuras;
  • Amarelecimento ou avermelhamento das folhas;
  • Nanismo e atraso no desenvolvimento;
  • Redução do perfilhamento;
  • Baixa formação de espigas;
  • Reboleiras com plantas afetadas próximas de plantas aparentemente sadias.

Quando esses sintomas aparecem em áreas com histórico de pulgões, a ocorrência deve ser registrada e investigada. Sempre que possível, a confirmação do agente causal deve ser realizada por diagnóstico laboratorial, com orientação da assistência técnica ou de instituições de pesquisa.

Manejo integrado reduz riscos ao potencial produtivo

A proteção do trigo contra pulgões depende da combinação entre prevenção, monitoramento frequente, conservação dos inimigos naturais e controle químico apenas quando tecnicamente indicado.

A rotação de culturas, a eliminação de tigueras, o manejo de plantas daninhas e o acompanhamento desde a emergência ajudam a interromper o ciclo dos insetos e dos vírus. A identificação precoce permite agir antes que a infestação comprometa o perfilhamento, a formação das espigas e o rendimento da lavoura.

Fonte: Portal do Agronegócio

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