Inverno aumenta pressão de doenças e pragas nas hortaliças e exige manejo preventivo nas lavouras
Temperaturas mais amenas, umidade elevada e mudanças no regime climático ampliam riscos fitossanitários em batata e tomate, tornando o monitoramento e a prevenção estratégias essenciais para reduzir perdas.
Publicado em: 17/07/2026 às 08:30hs
O inverno brasileiro aumenta os desafios fitossanitários na produção de hortaliças e exige maior atenção dos produtores ao manejo preventivo. As condições típicas da estação, como temperaturas mais baixas, formação frequente de orvalho, maior permanência de umidade nas plantas e menor evaporação, favorecem o avanço de doenças fúngicas e a ocorrência de pragas em culturas como batata e tomate.
Para a safra de 2026, o cenário ganha ainda mais relevância diante das mudanças climáticas e da possibilidade de alterações no regime de chuvas associadas a um evento de El Niño mais persistente. Especialistas alertam que a combinação entre clima instável e alta pressão de pragas e doenças pode elevar os riscos de perdas nas lavouras.
Nesse ambiente, o produtor precisa substituir ações apenas corretivas por estratégias integradas de manejo, baseadas em monitoramento, prevenção e uso de tecnologias adequadas.
Segundo João Silvatti, engenheiro agrônomo e gerente de Marketing Regional da IHARA para Hortifruti, a antecipação dos problemas é um dos principais fatores para preservar o potencial produtivo.
“A infestação de doenças e pragas pode ser silenciosa e extremamente agressiva. Muitas vezes, quando o produtor percebe os sintomas, esses problemas já estão disseminados, tornando o controle mais difícil”, afirma.
Requeima está entre as principais ameaças para batata e tomate
Entre as doenças que mais preocupam os horticultores está a requeima (Phytophthora infestans), considerada uma das enfermidades mais destrutivas das culturas de batata e tomate.
A doença encontra condições favoráveis durante o inverno, especialmente em ambientes úmidos e com temperaturas entre 18°C e 24°C. Nessas condições, o fungo pode se espalhar rapidamente, principalmente em áreas com alta densidade de plantas.
De acordo com dados da Embrapa, os prejuízos causados pela requeima podem variar conforme a intensidade da infecção. Na batata, as perdas podem chegar a 50% da produção, enquanto no tomate podem alcançar até 70%. Em situações de ausência de controle, os danos podem comprometer totalmente a lavoura.
O avanço rápido da doença reforça a necessidade de programas preventivos, já que o controle após a instalação do patógeno tende a ser mais difícil e oneroso.
Rizoctoniose reduz produtividade e qualidade comercial da batata
Outra doença que exige atenção durante o ciclo da cultura é a rizoctoniose (Rhizoctonia solani).
O problema afeta principalmente o desenvolvimento inicial das plantas, causando morte de brotos, redução na formação e no tamanho dos tubérculos e o aparecimento de lesões conhecidas como mancha-asfalto.
Além de reduzir o rendimento da lavoura, a doença também prejudica a qualidade comercial da batata, diminuindo o valor do produto no mercado.
Quando não controlada adequadamente, a rizoctoniose pode provocar perdas de até 30% na produtividade da cultura.
“Quando as condições climáticas favorecem o desenvolvimento dos patógenos, o monitoramento frequente e a adoção de um programa preventivo fazem toda a diferença. O produtor precisa atuar antes que a doença esteja instalada para preservar o potencial produtivo da lavoura”, destaca Silvatti.
Pragas continuam como desafio no inverno
Além das doenças fúngicas, o período de inverno também exige atenção redobrada ao controle de pragas.
Em culturas como tomate, batata e outras hortaliças, insetos sugadores e mastigadores podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade dos alimentos destinados ao mercado.
Entre os principais problemas estão:
- Mosca-branca;
- Pulgões;
- Mosca-minadora;
- Traça-do-tomateiro;
- Vaquinha-da-raiz.
Essas pragas podem causar danos diretos às plantas, além de favorecer a transmissão de doenças e reduzir o potencial produtivo das áreas cultivadas.
Manejo integrado ganha importância na horticultura
Com o aumento dos desafios climáticos e dos custos de produção, o planejamento fitossanitário passa a ser uma ferramenta estratégica para os horticultores.
A adoção de programas integrados de manejo, combinando acompanhamento técnico, monitoramento constante e tecnologias eficientes, permite reduzir riscos e aumentar a segurança da produção.
Para Silvatti, a agricultura moderna exige decisões cada vez mais baseadas em informação e prevenção.
“O produtor que investe em monitoramento, planejamento e ferramentas adequadas amplia sua capacidade de enfrentar períodos de maior pressão de doenças e pragas. O manejo antecipado não apenas protege a lavoura, mas contribui para melhores resultados em produtividade, qualidade e rentabilidade ao longo da safra”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
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