Publicado em: 07/05/2026 às 10:40hs
A incidência de lagartas na safrinha de milho tem se intensificado de forma significativa na região da BR-163, importante corredor agrícola do Centro-Oeste. Segundo levantamento da J&A Consultoria, praticamente todas as áreas cultivadas registraram ataques recentes da praga Spodoptera frugiperda, conhecida como lagarta-do-cartucho.
O cenário preocupa produtores, especialmente diante da perda de eficiência das biotecnologias consideradas de última geração, que até então eram fundamentais no controle da praga.
De acordo com o engenheiro agrônomo Jeferson Brambilla, sócio fundador da consultoria sediada em Sorriso (MT), a situação representa uma mudança relevante no manejo fitossanitário.
“Praticamente perdemos uma ferramenta que agregava eficiência ao manejo da cultura”, afirma o especialista, que acompanha cerca de 90 mil hectares de lavouras na região.
Mesmo com maior preparo em relação à safra anterior, quando os ataques de lepidópteros foram considerados os mais severos dos últimos anos, a pressão da praga segue elevada em 2026.
Com a intensificação dos ataques, produtores precisaram reforçar o controle químico e biológico nas lavouras. Segundo a consultoria, foram necessárias de três a quatro aplicações adicionais de inseticidas por hectare.
Esse aumento no manejo elevou os custos de produção em aproximadamente US$ 60 por hectare, impactando diretamente a rentabilidade da cultura.
“Ano após ano o produtor sente mais a pressão de custos. No milho, especialmente por ser uma cultura de ciclo rápido, o controle se torna ainda mais complexo”, destaca Brambilla.
Diante da perda de eficiência das biotecnologias, o manejo integrado tem se consolidado como alternativa essencial. A recomendação inclui o uso combinado de defensivos químicos e biológicos.
Entre as soluções, o uso de baculovírus tem apresentado resultados expressivos, com níveis de eficácia superiores a 90% no controle da praga, segundo a consultoria.
No entanto, o fator decisivo continua sendo o timing da aplicação.
“O controle é mais eficiente quando realizado nos primeiros ínstares, ou seja, quando a lagarta ainda está pequena”, explica o especialista.
Outro ponto de atenção é a migração da Spodoptera frugiperda para outras culturas. Com o avanço da maturação do milho na região, a praga tem se deslocado para áreas de algodão.
Nas últimas semanas, o aumento no número de mariposas nas lavouras reforça o alerta para novos focos de infestação.
“Se a praga atingir estruturas reprodutivas do algodão, o impacto pode ser significativo para o produtor”, alerta Brambilla.
Diante do cenário, especialistas reforçam a importância de estratégias preventivas e monitoramento constante das lavouras.
O controle precoce continua sendo a principal ferramenta para garantir eficiência no combate à praga, reduzir custos e preservar o potencial produtivo tanto do milho quanto do algodão.
A tendência, segundo o setor, é de que o manejo se torne cada vez mais técnico e intensivo, exigindo maior planejamento diante do avanço das pragas e da redução da eficácia das tecnologias disponíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
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