Dessecação antes da soja exige planejamento para garantir controle de plantas daninhas e maior produtividade
Especialistas alertam que o manejo antecipado entre a colheita do milho safrinha e o plantio da soja é fundamental para reduzir a resistência de plantas invasoras e aumentar a eficiência dos herbicidas
Publicado em: 23/07/2026 às 13:30hs
Com o avanço da colheita do milho segunda safra em diversas regiões produtoras, agricultores já iniciam o planejamento de uma das etapas mais importantes para o sucesso da próxima safra de verão: a dessecação das áreas destinadas ao cultivo de soja, milho verão e outras culturas.
Mais do que eliminar as plantas daninhas já estabelecidas, o manejo correto da dessecação reduz novos fluxos de emergência, preserva a eficiência dos herbicidas e cria condições favoráveis para uma implantação mais uniforme das lavouras.
Especialistas destacam que o período entre a retirada do milho e a semeadura da soja representa uma janela estratégica para controlar espécies invasoras antes que elas comprometam o potencial produtivo da cultura.
Janela entre milho safrinha e soja é decisiva para o manejo
Na região do Paraná Alto, onde o plantio da soja normalmente ocorre entre a segunda quinzena de setembro e o início de outubro, os produtores dispõem de aproximadamente 30 a 60 dias para realizar o manejo das áreas.
Segundo Fábio Barbosa Ribeiro, supervisor técnico do Departamento Técnico (Detec) da Cocari para a regional Paraná Alto, as condições climáticas registradas neste inverno favorecem a emergência de diversas espécies de plantas daninhas.
De acordo com o especialista, a combinação de temperaturas mais baixas, boa disponibilidade de umidade e períodos de clima ameno cria um ambiente propício para o desenvolvimento de espécies como a buva, considerada uma das principais ameaças às lavouras de soja.
Outro fator que acelera esse processo é a retirada da cultura do milho, que aumenta a incidência de luz sobre o solo e estimula a germinação das sementes presentes no banco de sementes da área.
Controle precoce aumenta a eficiência dos herbicidas
A recomendação técnica é iniciar o controle das plantas daninhas logo após sua emergência, quando elas ainda apresentam baixo desenvolvimento vegetativo.
Nesse estágio, os herbicidas pós-emergentes apresentam maior eficiência, reduzindo custos e aumentando a eficácia do manejo.
Paralelamente, a utilização de herbicidas pré-emergentes forma uma barreira química no solo, dificultando a germinação de novas plantas invasoras até o estabelecimento da cultura da soja.
Durante o monitoramento das áreas agrícolas, técnicos já identificam a presença de espécies como:
- Buva;
- Caruru;
- Trapoeraba;
- Picão-preto.
O controle dessas invasoras ainda no início do ciclo evita infestações mais severas durante a safra.
Rotação de herbicidas reduz risco de resistência
Nos Campos Gerais do Paraná, as estratégias de manejo variam conforme o sistema de sucessão de culturas, envolvendo trigo, aveia, cevada, plantas de cobertura, soja, milho verão e feijão.
Segundo André de Paula Barbosa, supervisor técnico do Detec Cocari, sempre que houver um intervalo entre a colheita da cultura anterior e a nova semeadura, a recomendação é realizar a dessecação entre 15 e 30 dias antes do plantio.
O manejo combina herbicidas sistêmicos com moléculas residuais, especialmente produtos pré-emergentes capazes de permanecer ativos no solo por semanas, ampliando o período de controle das plantas daninhas.
Outro ponto considerado essencial é a rotação dos mecanismos de ação dos herbicidas.
O uso repetitivo dos mesmos ingredientes ativos favorece a seleção de plantas resistentes, reduzindo gradativamente a eficiência das ferramentas disponíveis para o controle químico.
A alternância entre diferentes mecanismos de ação é uma das principais estratégias recomendadas para preservar a eficácia dos herbicidas no longo prazo.
Palhada fortalece o manejo integrado de plantas daninhas
Além do controle químico, a manutenção de boa cobertura de palha sobre o solo desempenha papel importante no manejo integrado.
A palhada reduz a incidência direta da luz solar sobre a superfície, dificultando a germinação de sementes de plantas invasoras, além de contribuir para a conservação da umidade e a proteção física do solo contra erosão.
Essa prática complementa as estratégias químicas e aumenta a eficiência do sistema de produção.
Dessecação também pode favorecer a nutrição da soja
O período de dessecação pode ser aproveitado para antecipar parte da estratégia nutricional da próxima safra.
Entre os micronutrientes de maior importância está o boro, elemento essencial para diversos processos fisiológicos da soja, incluindo formação de flores, fecundação, desenvolvimento das vagens e enchimento dos grãos.
Segundo os especialistas, a aplicação de fontes de boro durante esse período contribui para melhorar a disponibilidade do nutriente nas fases iniciais da cultura.
Planejamento reduz custos e aumenta a produtividade
Especialistas reforçam que o sucesso da dessecação depende de um planejamento individualizado para cada propriedade.
A definição da estratégia deve considerar fatores como histórico da área, espécies predominantes, nível de infestação, estádio de desenvolvimento das plantas daninhas e escolha adequada dos herbicidas e tecnologias complementares.
Para fortalecer esse trabalho, a Cocari promoveu recentemente uma capacitação técnica em parceria com a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e o Núcleo de Estudos Avançados em Ciência das Plantas Daninhas (NAPD), atualizando suas equipes sobre as principais estratégias de manejo.
Com planejamento antecipado, monitoramento constante e adoção de boas práticas agronômicas, a dessecação deixa de ser apenas uma operação de rotina e se consolida como uma etapa decisiva para reduzir a pressão de plantas daninhas, preservar a eficiência dos herbicidas e elevar o potencial produtivo da safra de soja 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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