Sorgo ganha espaço no agronegócio brasileiro e produção deve crescer 24,9% com resistência à seca e novos mercados
Cereal estratégico para a agricultura nacional, o sorgo amplia participação nas lavouras, fortalece a alimentação animal, conquista a indústria de alimentos e ganha destaque na produção sustentável.
Publicado em: 11/08/2026 às 15:30hs
Durante décadas, o sorgo permaneceu distante dos holofotes do agronegócio brasileiro, enquanto culturas como soja, milho e arroz concentravam a atenção do mercado. No entanto, o cenário vem mudando. Resistente à seca, adaptável a diferentes regiões e com múltiplas aplicações, o cereal vem conquistando espaço nas lavouras e se tornando uma alternativa estratégica para produtores rurais.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve produzir cerca de 7,62 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, volume que representa um crescimento de aproximadamente 24,9% em relação ao ciclo anterior.
O avanço da cultura está relacionado principalmente à capacidade do sorgo de suportar condições climáticas adversas, especialmente períodos de baixa disponibilidade hídrica, além da crescente demanda por alternativas na alimentação animal, indústria de alimentos e produção de energia.
Goiás lidera produção brasileira de sorgo
O estado de Goiás mantém a liderança nacional na produção do cereal, respondendo por aproximadamente 33% da produção brasileira, com cerca de 1,7 milhão de toneladas previstas para a temporada.
Na sequência aparecem Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, estados que também vêm ampliando o cultivo do sorgo como alternativa dentro dos sistemas produtivos.
Para especialistas, a cultura deixou de ser vista apenas como uma opção complementar e passou a integrar o planejamento agrícola de muitos produtores.
“O sorgo deixou de ser uma cultura alternativa para assumir um papel estratégico dentro do planejamento agrícola. Sua resistência às condições climáticas adversas e sua versatilidade de uso fazem dele uma opção cada vez mais importante para o produtor rural”, afirma Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes.
Sorgo fortalece a alimentação animal no Brasil
A principal utilização do sorgo no país continua sendo a produção de ração para animais, especialmente aves, suínos e bovinos.
O grão apresenta características nutricionais importantes e pode substituir parcialmente o milho em determinadas formulações, contribuindo para maior estabilidade no fornecimento de matéria-prima para a indústria de alimentação animal.
Além disso, a maior resistência do sorgo aos períodos de estiagem reduz riscos produtivos e oferece maior segurança para a cadeia pecuária.
“O sorgo é um dos principais ingredientes da nutrição animal porque oferece qualidade nutricional, estabilidade de produção e ajuda a reduzir os impactos causados por períodos de seca”, destaca Schiavo.
Cereal ganha espaço na alimentação humana
Apesar de ainda ser pouco conhecido pelo consumidor brasileiro, o sorgo também começa a conquistar espaço na indústria de alimentos.
Naturalmente livre de glúten, o cereal vem sendo utilizado na fabricação de:
- Farinhas;
- Flocos;
- Cereais matinais;
- Massas;
- Biscoitos;
- Barras de cereais;
- Bebidas como cervejas e destilados.
O crescimento da demanda por alimentos funcionais e alternativas para consumidores que buscam produtos sem glúten impulsiona novas oportunidades comerciais para o grão.
Sorgo também participa da produção de energia renovável
Outro segmento que amplia o potencial do sorgo é o energético.
Variedades como o sorgo sacarino podem ser utilizadas na produção de etanol, enquanto outros tipos do cereal são destinados à geração de biomassa e bioenergia.
A utilização do sorgo em sistemas de energia renovável contribui para diversificar a matriz energética brasileira e ampliar o aproveitamento de culturas adaptadas às condições climáticas do país.
Sorgo-vassoura mostra versatilidade da cultura
Entre as aplicações menos conhecidas do sorgo está a produção do chamado sorgo-vassoura.
Essa variedade possui fibras longas e resistentes utilizadas na fabricação de vassouras artesanais e industriais, demonstrando que o cereal possui uma cadeia de utilização muito mais ampla do que apenas a alimentação.
A característica reforça a versatilidade da cultura e abre oportunidades para diferentes nichos de mercado.
Cultura contribui para uma agricultura mais sustentável
Além dos usos comerciais, o sorgo também desempenha papel importante nos sistemas de produção sustentável.
Algumas variedades são utilizadas como cobertura vegetal e em rotação de culturas, ajudando na conservação do solo, redução da erosão, manutenção da umidade e melhoria das condições para os cultivos seguintes.
Para que o potencial produtivo seja maximizado, o manejo adequado da lavoura é fundamental, incluindo o fornecimento equilibrado de nutrientes em cada etapa do desenvolvimento da planta.
Segundo especialistas, a nutrição correta contribui para maior produtividade, melhor desenvolvimento radicular e maior capacidade de adaptação em ambientes de estresse climático.
Sorgo se consolida como alternativa estratégica no agro brasileiro
Com mudanças climáticas aumentando os desafios da produção agrícola, culturas mais resistentes e adaptáveis ganham importância dentro das estratégias dos produtores.
O sorgo reúne características que atendem a essas novas demandas: resistência à seca, diversificação de mercado, menor risco produtivo e possibilidade de utilização em diferentes cadeias.
“O produtor procura hoje culturas que ofereçam produtividade, segurança e capacidade de adaptação às mudanças climáticas. O sorgo reúne essas características e ainda contribui para uma agricultura mais sustentável”, conclui Luís Schiavo.
O crescimento da produção brasileira indica que o sorgo deve ocupar um espaço cada vez maior no agronegócio nacional, deixando de ser uma cultura secundária para se transformar em uma alternativa estratégica para o futuro da agricultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
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