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Milho e Sorgo

Preço do milho sobe 12% em agosto com oferta limitada e estoques globais mais apertados

Cotação média alcança R$ 47 por saca em Sorriso, enquanto deterioração das lavouras nos Estados Unidos, riscos no Mar Negro e retenção dos produtores sustentam o mercado


Publicado em: 21/09/2026 às 17:00hs

Preço do milho sobe 12% em agosto com oferta limitada e estoques globais mais apertados

Os preços do milho registraram forte valorização em agosto, impulsionados por uma combinação de oferta limitada no mercado brasileiro, recuperação das cotações internacionais e aumento das preocupações com os estoques globais. Em Sorriso (MT), importante referência para o cereal no Centro-Oeste, a média chegou a R$ 47 por saca, alta de 12% em relação a julho.

O movimento foi analisado no Agro Mensal, relatório divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA. Segundo o levantamento, a piora das condições das lavouras norte-americanas, a revisão para baixo dos estoques dos Estados Unidos e os riscos logísticos no Mar Negro aumentaram a percepção de aperto na oferta mundial.

No Brasil, a valorização ocorreu mesmo durante o avanço da colheita de uma safra volumosa. Parte dos produtores restringiu as vendas no mercado disponível à espera de preços mais elevados, enquanto consumidores domésticos realizaram compras pontuais para recompor estoques.

Lavouras dos Estados Unidos perdem qualidade

A deterioração das plantações norte-americanas esteve entre os principais fatores de sustentação do mercado internacional em agosto.

Ao fim do mês, 57% das lavouras de milho dos Estados Unidos estavam classificadas em condições boas ou excelentes. No mesmo período de 2025, esse percentual chegava a 69%.

A redução aumentou as dúvidas sobre o potencial produtivo da safra e reforçou a expectativa de menor disponibilidade do cereal no país. Como os Estados Unidos estão entre os maiores produtores e exportadores mundiais, alterações nas estimativas norte-americanas exercem influência direta sobre os preços internacionais.

O relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu a perspectiva de oferta no país e apontou para estoques mundiais entre os níveis mais apertados dos últimos anos.

Milho sobe 5,7% na Bolsa de Chicago

A combinação entre menor qualidade das lavouras, revisão dos estoques e incertezas geopolíticas favoreceu a recuperação dos contratos negociados na Bolsa de Chicago.

Em agosto, o primeiro vencimento do milho acumulou valorização de 5,7%, com cotação média de US$ 4,68 por bushel.

A alta internacional elevou a paridade de exportação e contribuiu para dar sustentação às referências brasileiras. O comportamento do câmbio também favoreceu os preços internos, ao melhorar a remuneração potencial das vendas destinadas ao exterior.

Mesmo com negociações pontuais, a recuperação da CBOT reduziu a pressão sobre as cotações nas principais regiões produtoras do Brasil.

Ataques no Mar Negro aumentam volatilidade

Os riscos logísticos na região do Mar Negro também influenciaram o mercado. Ataques à infraestrutura portuária russa ampliaram as preocupações com o fluxo internacional de cereais.

A região é estratégica para o abastecimento mundial de grãos. Qualquer interrupção em portos, corredores marítimos ou estruturas de armazenagem pode alterar os custos logísticos e reduzir a disponibilidade para importadores.

Esse ambiente adicionou volatilidade às cotações e reforçou a busca por proteção diante da possibilidade de novos problemas no escoamento.

Retenção dos produtores limita oferta no Brasil

No mercado doméstico, a valorização ocorreu apesar do avanço da colheita e da disponibilidade de uma produção elevada.

Parte dos produtores decidiu reter os lotes, evitando ampliar as vendas diante da expectativa de preços mais favoráveis nos meses seguintes. Essa postura reduziu o volume oferecido no mercado disponível e limitou a pressão que normalmente acompanha a entrada de uma grande safra.

Os compradores, por outro lado, mantiveram aquisições voltadas às necessidades mais imediatas. Indústrias de rações, granjas, confinamentos e usinas de etanol seguiram acompanhando as oportunidades para recompor estoques sem elevar excessivamente os custos.

A relação entre retenção dos vendedores e demanda pontual resultou em menor disponibilidade comercial, contribuindo para o avanço de 12% observado em Sorriso.

Demanda doméstica amplia suporte ao cereal

O consumo interno de milho continua ganhando relevância na formação dos preços. Além da alimentação de aves, suínos e bovinos, a expansão da indústria de etanol aumenta a competição pelo cereal em importantes regiões produtoras.

A demanda das cadeias de proteínas animais exige abastecimento regular ao longo do ano. As usinas de etanol, por sua vez, criaram um novo polo de consumo principalmente no Centro-Oeste, aproximando o processamento das áreas de produção.

Esse cenário reduz a dependência das exportações para o escoamento da safra e fortalece as disputas regionais pelo grão.

Mercado depende da safra sul-americana

Com a redução dos estoques internacionais, as atenções se voltam para o plantio da safra 2026/27 na América do Sul.

Brasil e Argentina projetam expansão da área cultivada, mas a confirmação desse potencial dependerá do clima durante a implantação, o desenvolvimento e o enchimento dos grãos.

No Paraná, a área destinada ao milho de verão deverá crescer 2%, estimulada principalmente pela demanda da cadeia de proteínas animais. A expansão, porém, não elimina os riscos relacionados ao comportamento das chuvas, às temperaturas e aos custos de produção.

“O mercado passa a ficar cada vez mais dependente do desempenho da próxima safra sul-americana. Com um balanço mundial mais ajustado, qualquer alteração relevante no clima ou na produtividade tende a ter impacto mais significativo sobre os preços nos próximos meses”, afirma Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA.

Clima será decisivo para os preços do milho

A combinação entre estoques globais menores e dependência da produção sul-americana aumenta a sensibilidade das cotações às previsões meteorológicas.

Problemas no plantio brasileiro ou argentino poderão reforçar a alta do milho, especialmente se a colheita norte-americana confirmar rendimentos abaixo das expectativas. Por outro lado, boas condições climáticas e aumento consistente da área poderão ampliar a oferta e limitar novas valorizações.

No mercado brasileiro, o comportamento dos produtores, a demanda para ração e etanol, o câmbio e a paridade de exportação continuarão determinando as diferenças entre as regiões.

Após a alta de agosto, o milho entra nos próximos meses com fundamentos mais firmes, mas também com maior exposição às condições climáticas da safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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