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Milho e Sorgo

Plantio de milho no Piauí deve manter 385,5 mil hectares, mas custos e crédito preocupam

Semeadura da primeira safra 2026/27 pode começar a partir de 15 de outubro, desde que as chuvas permitam; produtores avaliam reduzir investimentos no pacote tecnológico


Publicado em: 17/09/2026 às 10:35hs

Plantio de milho no Piauí deve manter 385,5 mil hectares, mas custos e crédito preocupam

A área destinada ao plantio da primeira safra de milho 2026/27 no Piauí deve permanecer próxima dos 385,5 mil hectares cultivados no ciclo anterior. A estimativa foi apresentada pelo presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado do Piauí (Aprosoja Piauí), Janailton Frietzen, em entrevista à Agência Safras.

O tamanho da área tem como referência os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a temporada 2025/26. Apesar da expectativa de estabilidade, os custos elevados, a escassez de crédito e o endividamento dos produtores podem limitar os investimentos nas lavouras.

Plantio do milho depende do retorno das chuvas

A semeadura poderá começar a partir de 15 de outubro, mas o calendário dependerá das condições climáticas. Segundo Frietzen, ainda são necessárias chuvas para garantir umidade adequada no solo e permitir o início dos trabalhos.

A regularidade das precipitações será decisiva para a evolução do plantio. O produtor precisa acompanhar o clima antes de colocar as máquinas em campo, reduzindo o risco de falhas na germinação e de necessidade de replantio.

Embora existam previsões de chuva para o período, o dirigente ressalta que as condições ainda são incertas.

“O produtor não pode controlar o clima. O que pode fazer é se preparar, plantar no momento adequado, acompanhar as condições e seguir a sua rotina no campo”, afirma.

Insumos caros podem reduzir pacote tecnológico

Mesmo com a manutenção prevista da área, o nível de investimento por hectare poderá diminuir na safra 2026/27.

Os custos de produção continuam elevados, principalmente devido aos preços dos insumos. Diante desse cenário, produtores podem reduzir gastos com plantio, adubação e produtos utilizados na proteção das lavouras.

A diminuição do pacote tecnológico representa um ponto de atenção porque pode afetar o potencial produtivo do milho, especialmente se as condições climáticas forem desfavoráveis durante o desenvolvimento da cultura.

Produtores ainda não concluíram compra de insumos

Parte dos agricultores piauienses ainda não conseguiu adquirir todos os produtos necessários para a implantação das lavouras, apesar da proximidade do período de semeadura.

Segundo Frietzen, a dificuldade está relacionada à menor disponibilidade de crédito e ao elevado endividamento no campo.

“Há também casos de produtores que ainda não conseguiram efetivar a compra de todos os produtos, mesmo estando próximos do período de plantio. Isso ocorre em um cenário de escassez de crédito e alto endividamento do produtor rural”, avalia.

A falta de insumos no momento adequado pode atrasar as operações ou levar o agricultor a ajustar o planejamento inicialmente definido para a safra.

Rentabilidade menor limita capacidade de investimento

O presidente da Aprosoja Piauí explica que a capacidade de investimento depende dos resultados obtidos nas temporadas anteriores.

Quando o produtor colhe bem e encontra preços favoráveis para comercializar os grãos, há maior disponibilidade de recursos para investir em sementes, fertilizantes, manejo e tecnologia.

No cenário atual, porém, o endividamento, os custos elevados e a incerteza climática apontam para uma postura mais cautelosa. Mesmo que a área de milho permaneça próxima da registrada em 2025/26, o investimento destinado a cada hectare pode ser menor.

A confirmação do plantio de 385,5 mil hectares dependerá agora do retorno das chuvas, da capacidade dos produtores de concluir a compra dos insumos e das condições financeiras disponíveis para custear a primeira safra de milho no Piauí.

Fonte: Portal do Agronegócio

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