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Milho e Sorgo

Milho sobe 14% em Sorriso, mas maior oferta dos EUA amplia concorrência com o Brasil

Agro Mensal do Itaú BBA destaca valorização em setembro e queda de 21,5% nos embarques brasileiros; revisão dos estoques americanos pode pressionar as cotações internacionais.


Publicado em: 15/10/2026 às 19:20hs

Milho sobe 14% em Sorriso, mas maior oferta dos EUA amplia concorrência com o Brasil

O milho atingiu preço médio de R$ 54 por saca em Sorriso (MT) em setembro, alta de 14% em relação a agosto, apesar do desempenho fraco das exportações brasileiras. Segundo o Agro Mensal de outubro de 2026, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, os ganhos em Chicago, o câmbio e o ritmo mais lento de comercialização da safra sustentaram o mercado doméstico.

Para os próximos movimentos, entretanto, a análise aponta um cenário de maior concorrência internacional. A revisão para cima da produção e dos estoques dos Estados Unidos em outubro tende a limitar as cotações e aumentar a disputa com o milho brasileiro nos mercados importadores.

Preço do milho avança em Chicago durante setembro

Na Bolsa de Chicago (CBOT), a média do primeiro vencimento do milho alcançou US$ 5,21 por bushel em setembro, valorização de 11,2% frente a agosto.

O movimento foi impulsionado principalmente pela redução das estimativas para a safra americana naquele mês. Riscos logísticos no Mar Negro também ofereceram suporte aos preços.

Segundo o relatório, ataques à infraestrutura portuária da Ucrânia afetaram as referências de exportação marítima no início de setembro, elevando os preços ofertados pelas principais origens. A perspectiva de menor produção na União Europeia reforçou as preocupações com a disponibilidade do cereal.

Comercialização mais lenta sustenta milho em Mato Grosso

Em Sorriso, a alta mensal ocorreu em um ambiente de vendas abaixo da média histórica.

Parte dos produtores permaneceu concentrada na conclusão da colheita e na implantação da safra de verão 2026/27, enquanto aguardava oportunidades comerciais mais favoráveis.

A menor disposição para vender, combinada à valorização internacional e ao câmbio, ajudou a sustentar os preços. O desempenho das exportações, porém, restringiu uma recuperação ainda maior.

Exportações brasileiras recuam 21,5% entre fevereiro e setembro

Os embarques brasileiros de milho somaram 15,5 milhões de toneladas entre fevereiro e setembro de 2026, queda de 21,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme os dados apresentados pelo Agro Mensal.

A consultoria associa o resultado à menor competitividade do produto nacional no mercado externo.

Esse enfraquecimento limita o escoamento e mantém as exportações entre os fatores centrais para a formação dos preços no Brasil, especialmente diante da perspectiva de maior disponibilidade americana.

USDA eleva safra dos EUA para 407,3 milhões de toneladas

A atualização de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), analisada pelo Itaú BBA, alterou o cenário de oferta americana.

A produtividade média projetada passou de 178,5 para 181,2 bushels por acre, enquanto a produção foi elevada em cerca de 5,9 milhões de toneladas, para 407,3 milhões de toneladas.

Os estoques iniciais também cresceram, em 4,4 milhões de toneladas, alcançando 53,2 milhões de toneladas, após a incorporação dos dados do relatório trimestral de estoques de 30 de setembro.

Embora a demanda tenha aumentado, o avanço não foi suficiente para absorver toda a oferta adicional.

Estoques finais americanos sobem para 47 milhões de toneladas

Com as revisões, os estoques finais dos Estados Unidos para 2026/27 passaram de 39,8 milhões para 47 milhões de toneladas, aumento de 7,2 milhões de toneladas entre os relatórios de setembro e outubro.

A relação entre estoques e uso subiu de 9,7% para 11,3%, indicando maior disponibilidade em relação à demanda projetada.

O mercado passa a acompanhar os resultados efetivos da colheita e o desempenho das vendas externas. Caso a demanda fique abaixo das estimativas, os estoques poderão aumentar ainda mais, ampliando a pressão sobre os preços.

Colheita americana avança abaixo da média histórica

Até 6 de outubro, a colheita de milho nos Estados Unidos havia alcançado 23% da área, ante 18% na semana anterior.

Apesar do avanço de cinco pontos percentuais, os trabalhos permaneciam abaixo da média de 27% registrada entre 2021 e 2025.

O ritmo de retirada da safra e a confirmação da produtividade serão importantes para avaliar a oferta efetivamente disponível nos próximos meses.

Maior oferta global convive com perdas em outras regiões

O USDA elevou a projeção dos estoques finais mundiais de milho em 8,3 milhões de toneladas, para 280,4 milhões, principalmente pelo aumento da disponibilidade nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, reduziu as perspectivas de produção para União Europeia, Filipinas e México. Na França, a safra foi estimada em volume 38% inferior ao da temporada anterior.

Mesmo após a revisão mensal para cima, os estoques globais projetados continuam abaixo dos aproximadamente 307 milhões de toneladas indicados para 2025/26 no balanço apresentado pelo relatório.

Concorrência americana será decisiva para o milho brasileiro

Para o Itaú BBA, a maior disponibilidade nos Estados Unidos tende a intensificar a concorrência com o Brasil, sobretudo se o cereal americano mantiver sua competitividade nos principais destinos importadores.

O cenário reúne dois movimentos distintos: a valorização observada em setembro e uma revisão de oferta em outubro que pode limitar novos ganhos. A trajetória dos preços dependerá, principalmente, da confirmação da safra americana e da capacidade das exportações de absorver o volume disponível.

Fonte: Portal do Agronegócio

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