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Algodão

Mercado de defensivos para algodão bate recorde de R$ 8,2 bilhões na safra 2025/26

Levantamento da Kynetec aponta avanço de 14% no valor movimentado; inseticidas lideram os gastos, com destaque para o controle do bicudo e de lagartas


Publicado em: 15/10/2026 às 19:00hs

Mercado de defensivos para algodão bate recorde de R$ 8,2 bilhões na safra 2025/26

O mercado brasileiro de defensivos agrícolas para algodão movimentou R$ 8,217 bilhões na safra 2025/26, recorde registrado pelo estudo FarmTrak Algodão, da Kynetec. O resultado representa crescimento de aproximadamente 14% em relação aos R$ 7,190 bilhões da temporada anterior.

Em dólares, o mercado avançou cerca de 10%, passando de US$ 1,341 bilhão para US$ 1,478 bilhão. A diferença entre as variações nas duas moedas reflete o comportamento do câmbio no período, segundo a consultoria.

O aumento do número de tratamentos e a elevação dos custos foram os principais fatores que sustentaram a expansão, conforme Felipe Lopes Abelha, especialista em pesquisas da Kynetec.

Número de tratamentos cresce na cotonicultura

A média de tratamentos passou de 95 na safra 2024/25 para 107 em 2025/26, crescimento próximo de 13%. Já o indicador de custo médio dos tratamentos apresentado pela pesquisa subiu de R$ 3.472 para R$ 4.209, alta de aproximadamente 21%.

Outro indicador acompanhado pelo levantamento, a área potencial tratada (PAT), alcançou 209,07 milhões de hectares, ante 196,31 milhões na temporada anterior — avanço de cerca de 6%.

A PAT corresponde à soma das áreas abrangidas pelos diferentes tratamentos ao longo da safra. Por isso, contabiliza repetidamente uma mesma área cultivada quando ela recebe mais de um tratamento e não equivale à extensão física das lavouras.

Inseticidas concentram metade do mercado de defensivos para algodão

Os inseticidas mantiveram a liderança entre as categorias pesquisadas, com movimentação de R$ 4,119 bilhões, equivalente a 50% do mercado. Na safra anterior, o segmento havia registrado R$ 3,606 bilhões.

Segundo Abelha, o controle do bicudo do algodoeiro e de lagartas esteve entre os principais destinos desses produtos.

O manejo do bicudo demandou, em média, 18 tratamentos por propriedade e movimentou aproximadamente R$ 2 bilhões. Já os produtos destinados ao controle de lagartas somaram R$ 928 milhões, frente aos R$ 795 milhões registrados em 2024/25.

O especialista destaca a expansão da demanda relacionada às lagartas classificadas como “pragas de sistema”, que afetam diferentes culturas e ampliam os desafios de manejo nas áreas de produção.

Fungicidas movimentam R$ 1,98 bilhão

Os fungicidas ocuparam a segunda posição no mercado de defensivos para algodão, com R$ 1,98 bilhão, aproximadamente 24% do total. Na temporada anterior, a categoria havia movimentado R$ 1,617 bilhão.

De acordo com Abelha, os produtos classificados como premium contribuíram para o desempenho desse segmento.

Na terceira posição, os herbicidas somaram R$ 1,143 bilhão, crescimento de 6,3% sobre os R$ 1,075 bilhão da safra 2024/25. A categoria respondeu por cerca de 14% do valor total pesquisado.

Nematicidas, produtos para tratamento de sementes e demais categorias reuniram outros R$ 986 milhões, participação próxima de 12%.

Pesquisa abrange regiões que representam 97% da área de algodão

O FarmTrak Algodão 2025/26 foi realizado por meio de entrevistas presenciais com produtores de quase 270 propriedades nas principais regiões produtoras do país.

A abrangência territorial do levantamento corresponde a 97% da área brasileira cultivada com algodão, estimada no estudo em 1,952 milhão de hectares.

Entre os resultados regionais, a Kynetec identificou redução de aproximadamente 8% na área plantada em Mato Grosso, que passou de 1,502 milhão para 1,376 milhão de hectares.

Os dados mostram que o recorde no valor movimentado pelos defensivos ocorreu em um cenário de maior intensidade de tratamentos e elevação dos custos, mesmo com retração da área de algodão no principal estado produtor.

Fonte: Portal do Agronegócio

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