Soja sobe 9,6% em Sorriso e demanda chinesa sustenta preços, aponta Itaú BBA
Agro Mensal destaca valorização em setembro, exportações brasileiras próximas de 100 milhões de toneladas no ano e avanço do plantio; oferta global elevada mantém o clima no centro das atenções.
Publicado em: 15/10/2026 às 18:40hs
A soja registrou preço médio de R$ 142 por saca em Sorriso (MT) em setembro, alta de 9,6% em relação a agosto. Segundo o Agro Mensal de outubro de 2026, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a valorização acompanhou os ganhos em Chicago e foi reforçada pelos prêmios firmes nos portos, pelo câmbio e pela demanda externa.
No mercado internacional, as compras chinesas ofereceram sustentação às cotações. Para os próximos meses, porém, a perspectiva de oferta mundial elevada coloca o desenvolvimento da safra brasileira entre os principais fatores de acompanhamento.
Compras chinesas impulsionam soja em Chicago
A média do primeiro vencimento da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) alcançou US$ 13,04 por bushel em setembro, avanço de 8,7% frente a agosto.
A aceleração das compras chinesas da safra americana 2026/27 e a expectativa de um balanço mais apertado nos Estados Unidos foram os principais fatores de sustentação.
Conforme o relatório, as aquisições acumuladas da China chegaram a aproximadamente 13 milhões de toneladas ao fim de setembro, cerca de metade do compromisso de compra de 25 milhões de toneladas indicado para a temporada.
A valorização do farelo também apoiou o complexo soja, ao preservar margens atrativas para o esmagamento.
Exportações brasileiras chegam perto de 100 milhões de toneladas
O Brasil embarcou aproximadamente 7,4 milhões de toneladas de soja em setembro, mantendo o fluxo aquecido de vendas externas.
Entre janeiro e setembro, as exportações alcançaram cerca de 100 milhões de toneladas, crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os dados apresentados pelo Agro Mensal.
A demanda chinesa foi o principal suporte para esse desempenho. No mercado doméstico, os embarques, os prêmios portuários e o câmbio contribuíram para a valorização registrada em Sorriso.
Colheita americana atrasada mantém atenção sobre produtividade
Até 5 de outubro, a colheita de soja nos Estados Unidos havia atingido 25% da área, abaixo dos 33% da média histórica.
O levantamento também apontou leve piora nas condições das lavouras. A parcela classificada como boa ou excelente caiu de 58% para 57%, enquanto a participação das áreas em condições ruins ou muito ruins passou de 13% para 14%.
O atraso nos trabalhos e a deterioração dos indicadores mantiveram os investidores atentos ao clima e aos primeiros resultados de produtividade.
USDA eleva produção dos EUA para recorde de 124,1 milhões de toneladas
Apesar das preocupações com a colheita, a atualização de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), analisada pelo Itaú BBA, elevou a previsão da safra americana 2026/27.
A produtividade passou de 52,8 para 53,1 bushels por acre, e a produção aumentou 700 mil toneladas, para 124,1 milhões de toneladas.
O USDA manteve a projeção de esmagamento americano e elevou a estimativa de exportações para 46,1 milhões de toneladas. A maior demanda externa absorveu parte do acréscimo de oferta, mas os estoques finais ainda subiram para 8,6 milhões de toneladas.
No cenário mundial, os estoques finais foram estimados em 124,3 milhões de toneladas, ligeiramente acima da previsão anterior.
Safra brasileira é projetada em 186 milhões de toneladas
Para o Brasil, o USDA manteve a estimativa de produção em 186 milhões de toneladas de soja em 2026/27, com exportações previstas de 118 milhões de toneladas.
A projeção da safra argentina também permaneceu inalterada, em 50 milhões de toneladas.
Esses volumes reforçam a perspectiva de ampla oferta global. Na avaliação da consultoria, a demanda chinesa firme e eventuais riscos climáticos poderão limitar a pressão sobre os preços, mas o avanço das lavouras brasileiras será decisivo para os próximos movimentos.
Plantio da soja alcança 15,6% no Brasil
A melhora das chuvas acelerou a semeadura da safra 2026/27. Até 9 de outubro, o plantio havia alcançado 15,6% da área prevista no país, ante 9,4% na semana anterior.
O ritmo superava os 11,1% registrados no mesmo período de 2025 e estava ligeiramente acima da média de 15,2% das últimas cinco safras.
Em Mato Grosso, no levantamento do Imea citado pelo relatório, a semeadura passou de 10,2% para 33,3% em uma semana. O Médio-Norte e o Oeste apresentaram os maiores avanços, com 50,2% e 41,8% das áreas implantadas, respectivamente.
Regularidade das chuvas será determinante para a safra
Mesmo com a recuperação do plantio após o atraso inicial, a distribuição irregular das precipitações continua limitando os trabalhos em algumas regiões.
O clima será importante tanto para o estabelecimento da soja quanto para preservar a janela de implantação do milho e do algodão de segunda safra.
O cenário apresentado pelo Itaú BBA combina demanda externa firme com possibilidade de produção elevada. A continuidade das chuvas e a confirmação do potencial produtivo brasileiro ajudarão a definir o equilíbrio entre esses fatores nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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