Milho recua em Chicago, sobe na B3 e tem negócios travados no Brasil
Oferta disponível e divergência entre compradores e vendedores limitam negociações; plantio da safra 2026/27 avança no Sul, mas excesso de umidade exige atenção nas lavouras
Publicado em: 04/11/2026 às 11:40hs
O mercado brasileiro de milho chega à quarta-feira (4) com perspectiva de negócios lentos, diante da diferença entre os preços pretendidos pelos produtores e os valores oferecidos pelos compradores. A oferta disponível mantém os consumidores cautelosos, enquanto vendedores apostam nos efeitos da recente valorização do dólar para buscar melhores condições de comercialização.
Nas bolsas, o cereal apresenta movimentos distintos. Após cair 1,28% em Chicago na terça-feira (3), o milho voltou a registrar perdas nas indicações da manhã de quarta-feira. Na B3, os contratos encerraram a sessão anterior em alta, sustentados pelo câmbio.
Ao mesmo tempo, o plantio da safra de verão 2026/27 avança em ritmos diferentes no Sul. O Paraná acelerou a semeadura, enquanto chuvas intensas, baixa luminosidade e excesso de umidade dificultam o desenvolvimento de parte das lavouras da região.
Preço do milho enfrenta resistência no mercado brasileiro
Segundo a TF Agroeconômica, a oferta nacional superior à demanda e as exportações em ritmo inferior ao de 2025 mantêm pressão sobre os preços do milho no mercado físico.
A avaliação de Paulo Molinari, analista da Safras & Mercado, também aponta um impasse na comercialização. Os produtores enxergam possibilidade de valorização em razão do câmbio, mas os consumidores consideram que a disponibilidade do cereal e as condições para a safra de verão limitam o espaço para reajustes.
Embora o dólar apresentasse queda na manhã de quarta-feira, a alta acumulada recentemente ainda influenciava a postura dos vendedores. Na ponta compradora, o abastecimento confortável favorecia aquisições pontuais, concentradas na reposição de estoques.
Esse desencontro de expectativas reduziu a movimentação no retorno do feriado e tende a manter as negociações seletivas.
Chicago amplia perdas com avanço da colheita nos Estados Unidos
Na Bolsa de Chicago, o contrato de milho para dezembro de 2026 encerrou a terça-feira a US$ 4,4250 por bushel, com queda de 5,75 centavos, ou 1,28%. O vencimento março de 2027 recuou 1,24%, também com perda de 5,75 centavos, para US$ 4,5625 por bushel.
Nas indicações da manhã de quarta-feira, dezembro de 2026 era negociado a US$ 4,4050 por bushel, baixa adicional de 2 centavos em relação ao fechamento anterior.
O avanço da colheita norte-americana amplia a disponibilidade do cereal e pressiona as cotações. As preocupações com o ritmo da demanda externa pelo milho dos Estados Unidos também pesam sobre o mercado.
A queda do petróleo acrescentava pressão ao ambiente de negociação. Na mesma referência da manhã, o contrato dezembro do WTI recuava 1%, para US$ 95,12 por barril.
Milho na B3 sobe com apoio do câmbio
Os contratos futuros de milho negociados na B3 seguiram na direção oposta à de Chicago na terça-feira, com valorização nos vencimentos negociados.
O contrato novembro de 2026 fechou a R$ 67,35 por saca de 60 quilos, alta de 0,19%. Janeiro de 2027 avançou 0,86%, para R$ 71,77 por saca.
O cenário cambial ajudou a sustentar os preços na bolsa brasileira. Na manhã de quarta-feira, porém, o dólar comercial recuava 0,57%, cotado a R$ 5,4547, acrescentando um novo elemento à avaliação dos agentes sobre as condições de venda.
No mercado físico, o comportamento continuava regionalizado, com altas pontuais em Goiás e recuos em algumas praças de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e nos portos.
Cotações nos portos e no interior mostram diferenças regionais
No levantamento da Safras & Mercado, as referências do milho no Porto de Santos ficaram entre R$ 67 e R$ 70 por saca, na modalidade CIF. Em Paranaguá, os valores variaram de R$ 66 a R$ 69.
No interior, as indicações foram de R$ 56 a R$ 60 por saca em Cascavel, no Paraná; R$ 60 a R$ 62 na Mogiana paulista; e R$ 66 a R$ 67 em Campinas, na condição CIF.
Em Erechim, no Rio Grande do Sul, as referências ficaram entre R$ 68 e R$ 70 por saca. Uberlândia, em Minas Gerais, apresentou valores de R$ 61 a R$ 63.
Em Goiás, Rio Verde registrou indicações entre R$ 57 e R$ 60 por saca, na modalidade CIF. Já em Rondonópolis, em Mato Grosso, os preços ficaram entre R$ 52 e R$ 56.
Os levantamentos regionais da TF Agroeconômica apresentam referências distintas das apuradas pela Safras & Mercado. Como os dados não detalham condições comerciais equivalentes em todas as praças, as cotações devem ser consideradas dentro de cada levantamento.
Plantio do milho no Rio Grande do Sul chega a 82%
No Rio Grande do Sul, a semeadura alcançou 82% da área prevista, avanço de apenas um ponto percentual em relação à semana anterior.
Os produtores concentram os trabalhos na conclusão do controle de plantas invasoras e nas aplicações de nitrogênio. As primeiras áreas se aproximam do florescimento, com baixa pressão de cigarrinhas, embora tenham sido observados sintomas de bacteriose.
No mercado, a TF Agroeconômica informou preços entre R$ 59 e R$ 70 por saca. A média estadual apurada pela Emater passou de R$ 62,59 para R$ 62,50, recuo de 0,14%.
Santa Catarina registra replantio e impasse nos preços
Em Santa Catarina, o plantio atingiu 90% da área, com os trabalhos já concluídos no Oeste e no Extremo Oeste.
As chuvas intensas exigiram replantio em parte das lavouras. Além disso, a combinação de umidade elevada e baixa incidência de luz dificulta o desenvolvimento das plantas.
Na comercialização, a distância entre as propostas restringe os negócios. Segundo a TF Agroeconômica, vendedores buscam aproximadamente R$ 60 por saca, enquanto compradores indicam cerca de R$ 55.
Paraná acelera semeadura, mas clima dificulta desenvolvimento
O Paraná apresentou o avanço mais expressivo entre os estados citados, com o plantio passando de 86% para 94% da área prevista.
Apesar do progresso, ventos fortes, excesso de umidade e baixa luminosidade atrasam o crescimento inicial do milho em algumas regiões.
As cotações também mostram diferenças dentro do estado. No levantamento da TF Agroeconômica, a média do Oeste caiu 0,53%, para R$ 50,58 por saca. No Norte Central, houve alta de 1,40%, para R$ 65,83. Em Cascavel, a referência desse levantamento ficou em R$ 51,87.
Bioenergia sustenta parte da demanda em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, os preços informados pela TF Agroeconômica permaneceram entre R$ 50 e R$ 52 por saca, com queda mais acentuada em Dourados.
As indústrias de bioenergia continuam absorvendo parte do milho disponível. Outros consumidores, porém, limitam as compras às necessidades imediatas de abastecimento.
Entre os produtores, a cautela também prevalece, com restrição de novas ofertas. Nesse cenário, o ritmo dos negócios depende da aproximação entre as expectativas de compradores e vendedores, enquanto câmbio, colheita norte-americana e condições das lavouras brasileiras seguem no centro das atenções.
Fonte: Portal do Agronegócio
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