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Milho e Sorgo

Milho: Rabobank prevê safra de 141 milhões de toneladas e maior disputa pelo grão em 2027

Relatório divulgado no AgroInfo 2026 projeta consumo de 32 milhões de toneladas pelas usinas de etanol; demanda interna e recuperação das exportações devem reduzir estoques e limitar pressão sobre os preços


Publicado em: 05/11/2026 às 18:40hs

Milho: Rabobank prevê safra de 141 milhões de toneladas e maior disputa pelo grão em 2027

O Brasil deverá produzir 141 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27, mas a oferta elevada será acompanhada por uma demanda doméstica crescente. Segundo o Rabobank, a expansão do etanol de milho, o avanço da produção de proteína animal e a recuperação das exportações devem deixar o balanço brasileiro mais ajustado em 2027.

A análise integra o relatório “Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2027”, divulgado no contexto do AgroInfo 2026. O banco avalia que a redução dos estoques finais poderá limitar as pressões de baixa sobre as cotações, embora clima, câmbio e cenário internacional continuem provocando volatilidade.

Safrinha deve responder por 109 milhões de toneladas

Da produção total projetada para 2026/27, o RaboResearch estima 32 milhões de toneladas de milho verão e 109 milhões de toneladas de segunda safra.

A área destinada à safrinha deverá crescer aproximadamente 3%, estimulada pela importância do cereal para a receita anual das propriedades e pelo aproveitamento das áreas após a colheita da soja.

O aumento da superfície cultivada, porém, não deverá se traduzir integralmente em crescimento proporcional da produção. Após dois anos de rendimentos historicamente elevados, o banco espera uma normalização da produtividade, com resultados mais próximos da tendência.

Nesse cenário, o desempenho da segunda safra será decisivo para atender ao consumo interno e formar os excedentes exportáveis.

Etanol de milho deve consumir 32 milhões de toneladas

A indústria de biocombustíveis aparece como o principal vetor de expansão da demanda brasileira. Para 2027, o Rabobank projeta crescimento de aproximadamente 18% no consumo de milho pelas usinas de etanol, alcançando 32 milhões de toneladas.

O setor de alimentação animal também deverá ampliar suas compras. A estimativa é de avanço próximo de 2% em relação a 2026, acompanhando o crescimento da produção de carnes.

A combinação desses movimentos aumenta a competição pelo cereal e amplia o peso do mercado doméstico na formação dos preços.

Para 2026, o relatório já prevê consumo interno recorde. Somente a indústria de etanol deverá absorver cerca de 19% da produção brasileira de milho, consolidando sua participação no abastecimento nacional.

Exportações podem recuperar parte das perdas em 2027

O Rabobank estima que as exportações brasileiras de milho alcancem aproximadamente 36 milhões de toneladas em 2026, queda de cerca de 12% em relação ao ano anterior.

Além da maior absorção interna, o banco atribui o desempenho à concorrência internacional. As safras elevadas dos Estados Unidos e da Argentina na temporada 2025/26 ampliaram a disponibilidade nesses fornecedores e dificultaram a colocação do produto brasileiro.

Para 2027, a expectativa é de recuperação dos embarques para aproximadamente 38 milhões de toneladas.

Embora represente uma retomada moderada, esse volume, somado ao crescimento do consumo doméstico, deverá absorver uma parcela relevante da oferta e contribuir para a redução dos estoques finais.

Demanda aquecida ainda não foi suficiente para sustentar preços

O relatório ressalta que o crescimento do consumo brasileiro não impediu a pressão sobre as cotações em 2026. A disponibilidade elevada de milho e as condições de competitividade externa continuaram influenciando as negociações.

Segundo o levantamento, entre janeiro e outubro, os preços do cereal em Chicago avançaram cerca de 4%. Entretanto, a valorização do real considerada na análise neutralizou esse ganho para o mercado brasileiro.

Convertidas para a moeda nacional, as cotações internacionais recuaram aproximadamente 7% no período, demonstrando o peso do câmbio na transmissão dos preços externos ao produtor.

Para 2027, o banco considera que a trajetória do dólar continuará determinante tanto para a paridade de exportação quanto para a formação das referências domésticas.

Estoques globais mais ajustados podem oferecer suporte

No cenário internacional, o Rabobank identifica a possibilidade de um balanço mais restrito.

Com base nas projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) utilizadas no relatório, a redução da produção norte-americana deverá contribuir para menores estoques mundiais e queda da relação estoque/uso, indicador que compara as reservas disponíveis ao consumo.

Esse ambiente tende a limitar o espaço para quedas mais acentuadas nas cotações internacionais. O suporte, contudo, dependerá da confirmação das estimativas de produção e demanda nas principais origens.

Clima e comercialização exigem atenção na próxima safra

Os riscos climáticos permanecem entre os principais fatores de incerteza para 2027. O relatório destaca os possíveis efeitos de um eventual El Niño sobre regiões produtoras, além das oscilações geopolíticas que afetam energia, moedas e comércio.

No retrato utilizado pelo banco, a comercialização antecipada da safrinha 2026/27 em Mato Grosso havia alcançado 20% até meados de outubro, conforme dados do Imea, em linha com a média dos últimos cinco anos. As incertezas sobre o clima contribuíam para uma postura cautelosa dos produtores.

A perspectiva central do Rabobank combina produção elevada, demanda interna mais forte e estoques menores. Para o mercado brasileiro, isso pode oferecer sustentação aos preços, mas amplia a importância da produtividade da safrinha e do câmbio nas decisões de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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