Milho opera estável em Chicago enquanto plantio avança no Sul e negócios seguem cautelosos
Chuvas atrasam a colheita nos Estados Unidos, mas queda do petróleo limita os ganhos externos; no Brasil, diferença entre compradores e vendedores reduz a liquidez
Publicado em: 18/09/2026 às 11:10hs
O mercado do milho encerra a semana com pouca movimentação no Brasil e oscilações próximas da estabilidade na Bolsa de Chicago. Enquanto os contratos futuros tentam recuperar parte das perdas da sessão anterior, compradores brasileiros mantêm aquisições pontuais e produtores continuam seletivos nas vendas.
No mercado doméstico, as atenções estão divididas entre os preços, o avanço do plantio da safra 2026/27 e os efeitos de geadas, granizo e excesso de umidade. Rio Grande do Sul e Paraná apresentam evolução da semeadura, mas com situações distintas entre as regiões.
Nos Estados Unidos, as chuvas atrasam pontualmente a colheita de milho e soja no Meio-Oeste. O fator climático oferece algum suporte às cotações, embora a nova queda do petróleo limite uma recuperação mais consistente.
Milho tenta recuperar perdas na Bolsa de Chicago
Os contratos futuros do milho operavam perto da estabilidade nesta sexta-feira (18) na Bolsa de Chicago.
Por volta das 8h20, no horário de Brasília, o vencimento dezembro de 2026 avançava 0,50 ponto, negociado a US$ 5,31 por bushel. Março de 2027 apresentava alta de 0,25 ponto, cotado a US$ 5,44 por bushel.
O movimento refletia ajustes técnicos após as perdas registradas na quinta-feira. A baixa volatilidade também predominava entre os demais grãos: o trigo oscilava próximo da estabilidade, enquanto a soja recuava com maior intensidade, pressionada principalmente pela queda do farelo.
Chuvas atrasam colheita de milho nos Estados Unidos
As condições climáticas no Meio-Oeste norte-americano permanecem no radar dos investidores. Segundo o Grupo Labhoro, as chuvas vêm atrasando os trabalhos de colheita de milho e soja em algumas áreas produtoras.
Embora os problemas ainda sejam pontuais, a possibilidade de lentidão nas operações adiciona risco às cotações nesta fase inicial da retirada da safra dos campos.
O mercado também aguarda a divulgação dos dados sobre o posicionamento dos fundos de investimento. O levantamento pode mostrar se os participantes especulativos ampliaram ou reduziram suas apostas nos contratos futuros do cereal.
Queda do petróleo limita recuperação do milho
O petróleo voltou a cair no mercado internacional, com o Brent recuando mais de 1%, embora permanecesse acima de US$ 100 por barril.
A energia exerce influência sobre os preços do milho devido à utilização do cereal na produção de etanol nos Estados Unidos. Em geral, um petróleo mais valorizado aumenta a competitividade dos biocombustíveis e pode favorecer a demanda por milho.
No sentido contrário, a desvalorização da commodity reduz esse suporte e ajuda a limitar os ganhos do cereal em Chicago.
Milho varia entre R$ 60 e R$ 61,98 no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, as indicações de preços variam entre R$ 60 e R$ 61,98 por saca. O valor médio estadual calculado pela Emater avançou 0,62%, alcançando R$ 61,98.
Apesar da valorização, os negócios continuam cautelosos. Compradores concentram as aquisições nas necessidades imediatas de reposição, enquanto produtores aguardam melhores oportunidades para ampliar as vendas.
A diferença entre os valores oferecidos e os preços pretendidos mantém a liquidez restrita em diferentes regiões.
Plantio gaúcho chega a 60% da área prevista
A semeadura da safra de milho 2026/27 alcançou 60% da área projetada no Rio Grande do Sul. O cultivo deverá ocupar 896,4 mil hectares, com produção estimada em aproximadamente 6,91 milhões de toneladas.
O avanço do plantio ocorre em meio a problemas climáticos localizados. Geadas provocaram danos e exigiram o replantio de algumas lavouras, enquanto episódios de granizo também causaram perdas.
Mesmo com os impactos pontuais, os trabalhos continuam avançando, e o desenvolvimento das áreas implantadas dependerá das condições meteorológicas nas próximas semanas.
Santa Catarina mantém déficit próximo de 6 milhões de toneladas
Em Santa Catarina, as referências do milho permanecem próximas de R$ 60 por saca, enquanto as ofertas dos compradores giram em torno de R$ 55. Essa diferença continua dificultando a realização de novos negócios.
O estado apresenta forte dependência de milho vindo de outras regiões. O consumo anual está estimado em aproximadamente 8,5 milhões de toneladas, diante de uma produção de 2,67 milhões de toneladas na safra 2025/26.
O déficit se aproxima de 6 milhões de toneladas e é suprido principalmente por cargas provenientes de outros estados brasileiros e do Paraguai. A elevada demanda das cadeias de aves e suínos mantém o abastecimento como ponto estratégico para o mercado catarinense.
Paraná conclui 95% da colheita da segunda safra
No Paraná, compradores indicam valores próximos de R$ 55 por saca CIF, enquanto as referências de venda permanecem ao redor de R$ 60.
A colheita da segunda safra 2025/26 chegou a 95% dos 2,91 milhões de hectares cultivados. Ao mesmo tempo, o plantio da primeira safra 2026/27 avançou para 43% dos 373 mil hectares projetados.
Entre as lavouras já implantadas, 97% foram classificadas em boas condições. O resultado indica um início favorável, embora o mercado continue acompanhando o comportamento das chuvas e seus possíveis efeitos sobre o calendário de semeadura.
Bioenergia sustenta demanda em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, os preços do milho variam entre R$ 54 e R$ 55,50 por saca. Após as altas recentes, o mercado perdeu força e passou a registrar menor movimentação.
A indústria de bioenergia, entretanto, segue absorvendo parte da oferta estadual. O processamento de milho para produção de etanol e coprodutos representa um canal importante de demanda e ajuda a sustentar as cotações em algumas regiões.
Clima e diferença de preços limitam negociações
O mercado brasileiro de milho deverá continuar condicionado pela postura dos produtores, pelas necessidades de reposição dos compradores e pelo avanço da safra 2026/27.
No exterior, o comportamento do petróleo, o ritmo da colheita norte-americana e o posicionamento dos fundos serão determinantes para a direção dos contratos em Chicago.
No Brasil, a distância entre as ofertas de compra e as indicações de venda permanece como o principal entrave à liquidez. Ao mesmo tempo, clima, demanda para ração e expansão da indústria de etanol de milho seguem como fatores centrais para a formação dos preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias