Milho inicia setembro em alta na B3, enquanto realização de lucros pressiona Chicago
Contratos futuros avançam no Brasil, sustentados pela retenção dos produtores, demanda interna e incertezas sobre a oferta global; mercado físico mantém negociações seletivas
Publicado em: 02/09/2026 às 11:20hs
O mercado brasileiro de milho iniciou setembro com valorização nos contratos futuros, preços firmes no mercado físico e produtores pouco dispostos a ampliar as vendas. Embora a Bolsa de Chicago (CBOT) tenha registrado uma correção após os ganhos recentes, a perspectiva de menor oferta nos Estados Unidos e na Europa, aliada à demanda doméstica aquecida, continua oferecendo suporte às cotações no Brasil.
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos começaram a quarta-feira (2) com variações predominantemente positivas. Por volta das 9h42, o vencimento setembro de 2026 era negociado a R$ 72,38 por saca, com alta de 0,18%. Janeiro de 2027 avançava 0,12%, para R$ 81,95, enquanto março de 2027 subia 0,07%, cotado a R$ 83,95. Maio de 2027 recuava 0,12%, para R$ 82,25.
Na sessão anterior, setembro de 2026 havia fechado a R$ 72,18, com valorização diária de R$ 1,12. Novembro terminou cotado a R$ 78,43, alta de R$ 0,83, e janeiro de 2027 encerrou a R$ 81,79, avanço de R$ 0,90.
Oferta global sustenta perspectivas para o milho brasileiro
De acordo com a TF Agroeconômica, a valorização internacional observada nas últimas semanas, somada às projeções de redução da safra norte-americana e de perdas na produção europeia, abriu espaço para o milho brasileiro no mercado internacional.
Esse cenário fortaleceu a paridade de exportação e contribuiu para a alta dos contratos na B3. No entanto, o recuo de Chicago e a valorização moderada do dólar limitaram movimentos mais expressivos no mercado doméstico durante a quarta-feira.
Apesar da correção externa, o ambiente geral ainda é considerado favorável às cotações brasileiras. Os produtores seguem aguardando preços mais elevados antes de ampliar as vendas, enquanto consumidores demonstram maior interesse por lotes, mas mantêm cautela nas negociações.
Realização de lucros derruba milho em Chicago
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros do milho operaram em queda na manhã desta quarta-feira. Por volta das 9h26, o vencimento setembro de 2026 era cotado a US$ 5,14 por bushel, baixa de 7,25 pontos. Dezembro recuava 8,50 pontos, para US$ 5,37, enquanto março de 2027 caía 7,75 pontos, negociado a US$ 5,52.
O contrato maio de 2027 registrava perda de 7,25 pontos, cotado a US$ 5,59 por bushel.
A pressão negativa foi atribuída principalmente à realização de lucros depois da forte valorização acumulada recentemente. Investidores especulativos aproveitaram os níveis mais altos para liquidar posições compradas durante a sessão noturna.
A queda do petróleo e o fortalecimento do dólar no exterior também limitaram as cotações das commodities agrícolas. Ainda assim, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e na Ucrânia permanecem no radar, especialmente pelos possíveis impactos sobre o petróleo, os fertilizantes, os fretes marítimos e o comércio mundial de grãos.
Mercado físico tem preços firmes e baixa liquidez
No mercado físico brasileiro, os preços permaneceram sustentados, mas os negócios continuaram pontuais. A retenção dos produtores reduziu a disponibilidade imediata do cereal, enquanto compradores buscaram lotes de maneira seletiva.
Nos portos, o milho foi indicado entre R$ 72 e R$ 74 por saca CIF em Santos. Em Paranaguá, as referências oscilaram de R$ 71 a R$ 73.
Em Campinas, o milho CIF foi negociado entre R$ 73 e R$ 74 por saca. Na região da Mogiana, em São Paulo, as indicações ficaram entre R$ 67 e R$ 70.
No Paraná, Cascavel apresentou cotações entre R$ 64 e R$ 65 por saca. Em Uberlândia, Minas Gerais, os valores variaram de R$ 63,50 a R$ 65. Em Rio Verde, Goiás, as referências CIF ficaram entre R$ 61 e R$ 65, enquanto Rondonópolis, em Mato Grosso, registrou preços de R$ 64 a R$ 68 por saca.
No Rio Grande do Sul, as indicações variaram conforme a região e as condições comerciais. Em Erechim, os valores ficaram entre R$ 69 e R$ 71 por saca. Em outras praças gaúchas, as ofertas estiveram entre R$ 58 e R$ 65, com liquidez limitada. O preço médio estadual avançou 1,53% na semana, alcançando R$ 60,23 por saca.
Santa Catarina mantém dependência de milho de outros estados
Em Santa Catarina, as referências de venda permaneceram próximas de R$ 60 por saca, enquanto compradores indicaram valores ao redor de R$ 55. A diferença entre as ofertas e a demanda dificultou o fechamento de novos negócios.
O estado continua dependente do milho produzido em outras regiões e no Paraguai. Santa Catarina consome aproximadamente 8,5 milhões de toneladas por ano, principalmente para atender às cadeias de aves e suínos, mas produziu apenas 2,67 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Esse déficit estrutural mantém o mercado catarinense sensível aos custos de transporte, à disponibilidade do cereal no Centro-Oeste e à competitividade das importações paraguaias.
Preço ao produtor sobe no Paraná
No Paraná, as negociações fora das principais praças também permaneceram pontuais, com vendedores pedindo valores próximos de R$ 60 por saca e compradores indicando cerca de R$ 55 CIF.
O preço recebido pelo produtor chegou a R$ 56,79 por saca, alta de 7,8% em comparação com a média de julho e avanço de 11% diante de agosto de 2025.
A colheita da segunda safra alcançou 83% da área cultivada, enquanto o plantio do milho da primeira safra 2026/27 atingiu 6%. O andamento dos trabalhos de campo e as condições climáticas serão determinantes para a formação dos preços nas próximas semanas.
Bioenergia fortalece demanda em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, as cotações oscilaram entre R$ 50 e R$ 55 por saca. A demanda das indústrias de etanol de milho permanece firme e contribui para absorver parte relevante da oferta regional.
A colheita da segunda safra chegou a 88% da área. Mesmo com o avanço dos trabalhos, a procura do setor de bioenergia ajuda a reduzir a pressão sazonal normalmente provocada pela entrada do cereal no mercado.
Dólar e demanda devem orientar preços do milho
No curto prazo, o mercado brasileiro de milho deve acompanhar o comportamento da Bolsa de Chicago, do dólar e da paridade de exportação. O ritmo de comercialização dos produtores e a demanda das indústrias de rações, proteínas animais e biocombustíveis também serão decisivos.
A combinação entre retenção da oferta, consumo doméstico firme e preocupações com a produção internacional mantém o quadro positivo para os contratos futuros. Entretanto, a realização de lucros no exterior e a cautela dos compradores podem limitar novas altas e preservar a seletividade nas negociações físicas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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