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Milho e Sorgo

Milho futuro supera R$ 70 na B3 com atraso da colheita e mercado externo no radar dos investidores

Contratos futuros do milho avançam no Brasil com ritmo lento da safrinha, expectativa de exportações maiores e influência das oscilações em Chicago; condições das lavouras nos Estados Unidos também movimentam as cotações internacionais.


Publicado em: 29/07/2026 às 11:40hs

Milho futuro supera R$ 70 na B3 com atraso da colheita e mercado externo no radar dos investidores
Foto: CNA

O mercado de milho atravessa um período de forte influência dos fatores de oferta e demanda, com os contratos futuros registrando volatilidade entre as bolsas brasileira e internacional. O atraso no avanço da colheita da segunda safra no Brasil, a expectativa de embarques elevados e as oscilações da Bolsa de Chicago (CBOT) mantêm os preços sustentados, apesar dos movimentos de correção registrados em alguns pregões.

Na B3, os contratos futuros chegaram a operar acima de R$ 70 por saca, impulsionados pelo ritmo mais lento da retirada do milho safrinha do campo, pelo suporte cambial e pelo desempenho das referências externas.

O contrato com vencimento em setembro de 2026 encerrou a sessão a R$ 70,29, com valorização diária de R$ 1,08. Já novembro fechou a R$ 75,36, alta de R$ 2,00, enquanto janeiro de 2027 terminou cotado a R$ 77,82, avanço de R$ 1,52.

Colheita da safrinha mais lenta reduz pressão sobre preços

Um dos principais fatores de sustentação do milho brasileiro é o ritmo abaixo do esperado da colheita da segunda safra.

Segundo dados da Conab, os trabalhos alcançaram 58,3% da área cultivada no país, percentual inferior aos 66,1% registrados no mesmo período do ciclo anterior.

No Paraná, a colheita chegou a 29% da área, favorecida pela redução das chuvas, mas ainda abaixo do ritmo histórico. Em Mato Grosso do Sul, o avanço ficou em 20%, contra 37% no mesmo momento da safra passada e média histórica de 36,4%.

A menor velocidade da entrada de produto no mercado ajudou a limitar a pressão baixista sobre os preços, especialmente em regiões produtoras onde compradores seguem atentos ao avanço da oferta.

Exportações brasileiras aumentam expectativa de demanda

Além da questão logística e do atraso da colheita, o mercado acompanha com atenção o cenário das exportações brasileiras.

A Anec projetou embarques de aproximadamente 3,3 milhões de toneladas de milho em julho, volume 36% superior ao registrado no mesmo mês de 2025.

A perspectiva de maior participação brasileira no comércio internacional contribui para dar suporte às cotações internas, principalmente em um momento de disputa por demanda entre grandes fornecedores globais.

Mercado físico apresenta baixa liquidez e preços regionais diferentes

No mercado disponível, as negociações seguem mais cautelosas, com compradores e vendedores ajustando posições conforme o avanço da colheita.

No Rio Grande do Sul, as referências variaram entre R$ 57,00 e R$ 65,00 por saca, com média estadual próxima de R$ 59,04.

Em Santa Catarina, vendedores mantiveram ofertas próximas de R$ 60,00, enquanto compradores trabalharam com valores ao redor de R$ 55,00.

No Paraná, as indicações permaneceram próximas de R$ 55,00 CIF para compradores, enquanto vendedores buscavam referências próximas de R$ 60,00.

Em Mato Grosso do Sul, os preços oscilaram entre R$ 48,00 e R$ 50,05 por saca, com negócios pontuais. A atuação da indústria de bioenergia ajudou a absorver parte da oferta regional e reduziu a pressão sobre os valores.

Chicago acompanha cenário internacional e oscila com clima nos EUA

No mercado internacional, os contratos futuros do milho na Bolsa de Chicago passaram por movimentos de alta e baixa diante das condições das lavouras norte-americanas, do comportamento do dólar e das expectativas sobre a demanda global.

Após registrar perdas em um pregão anterior, o milho voltou a avançar em Chicago sustentado pela recuperação técnica do mercado, pela desvalorização do dólar frente a outras moedas e pelos sinais de demanda aquecida pelo produto dos Estados Unidos.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 63% das lavouras de milho estavam em condições boas ou excelentes até 26 de julho, abaixo dos 67% registrados na semana anterior.

As áreas classificadas como regulares passaram de 24% para 25%, enquanto as lavouras consideradas ruins ou muito ruins avançaram de 9% para 12%.

O cenário indica uma deterioração das condições das plantações norte-americanas, fator que trouxe suporte às cotações internacionais.

Demanda americana continua dando suporte ao mercado

Outro ponto positivo para os preços em Chicago foi o anúncio de novas vendas externas.

Exportadores privados dos Estados Unidos informaram ao USDA a venda de 197.272 toneladas de milho para destinos não revelados, com entrega prevista para a safra 2026/27.

Pelas regras do órgão norte-americano, operações iguais ou superiores a 100 mil toneladas destinadas ao mesmo comprador precisam ser comunicadas oficialmente ao mercado.

Os contratos de milho para setembro fecharam a sessão em Chicago a US$ 4,58 1/2 por bushel, alta de 6,75 centavos, ou 1,49%.

O vencimento dezembro encerrou a US$ 4,80 1/2 por bushel, avanço de 6,50 centavos, equivalente a 1,37%.

Perspectivas para o milho brasileiro

O mercado de milho segue dividido entre fatores positivos e negativos. De um lado, o atraso da colheita brasileira, a expectativa de exportações fortes e a recuperação das cotações internacionais oferecem sustentação aos preços.

Por outro, o avanço da oferta com a entrada da safrinha no mercado e as oscilações climáticas nos Estados Unidos continuam influenciando a formação das cotações.

Para produtores e compradores, o comportamento das bolsas internacionais, o ritmo da colheita brasileira e a demanda externa devem continuar sendo os principais indicadores para definir os próximos movimentos do mercado de milho.

Fonte: Portal do Agronegócio

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