Milho: dólar sustenta preços no Brasil enquanto colheita da safrinha e Chicago definem os rumos do mercado
Com avanço da colheita da segunda safra, mercado brasileiro mantém liquidez reduzida, Chicago tenta recuperação após perdas e câmbio fortalece a competitividade das exportações brasileiras de milho.
Publicado em: 17/07/2026 às 11:10hs
O mercado brasileiro de milho encerra a semana sem mudanças significativas no ritmo das negociações. Apesar do avanço da colheita da segunda safra (safrinha) em importantes estados produtores, como Paraná, Goiás e Mato Grosso, a comercialização segue lenta, com produtores e compradores adotando postura cautelosa enquanto aguardam maior oferta física e definições do cenário internacional.
Ao mesmo tempo, a valorização do dólar frente ao real tem impedido uma queda mais acentuada das cotações domésticas, favorecendo a competitividade do milho brasileiro no mercado externo. Já na Bolsa de Chicago (CBOT), após as perdas registradas nos últimos pregões, os contratos futuros iniciaram a sexta-feira em leve recuperação, embora o mercado continue pressionado pelas perspectivas de uma grande safra nos Estados Unidos.
Mercado físico mantém liquidez reduzida
Segundo analistas do mercado, o principal foco continua sendo a evolução da colheita da safrinha e o escoamento da produção. Mesmo com bom volume de negócios observado em Mato Grosso, a liquidez segue limitada na maior parte do país.
No Porto de Santos, as indicações permanecem entre R$ 66,50 e R$ 69,00 por saca (CIF). Em Paranaguá, os preços variam entre R$ 65,50 e R$ 68,00.
Entre as principais praças produtoras, os valores seguem relativamente estáveis:
- Cascavel (PR): R$ 56,00 a R$ 58,00/saca;
- Mogiana (SP): R$ 59,00 a R$ 60,00/saca;
- Campinas (SP/CIF): R$ 65,50 a R$ 66,50/saca;
- Erechim (RS): R$ 66,00 a R$ 68,00/saca;
- Uberlândia (MG): R$ 56,00 a R$ 60,00/saca;
- Rio Verde (GO/CIF): R$ 54,00 a R$ 55,00/saca;
- Rondonópolis (MT): R$ 53,00 a R$ 55,00/saca.
A expectativa é que a intensificação da colheita aumente gradualmente a oferta disponível nas próximas semanas, dando maior dinamismo aos negócios.
Dólar fortalece preços internos e favorece exportações
O principal fator de sustentação do mercado brasileiro continua sendo o câmbio.
Com o dólar negociado próximo de R$ 5,12, a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional aumentou, reduzindo o impacto negativo das baixas registradas recentemente em Chicago.
Segundo análise da TF Agroeconômica, o fortalecimento da moeda norte-americana estimulou operadores a ampliar posições na B3, já que a valorização cambial melhora as margens das exportações.
Outro fator positivo para o Brasil é o cenário internacional de oferta.
As perdas produtivas registradas na Europa e as dificuldades logísticas enfrentadas pela Ucrânia ampliam o espaço para o milho brasileiro e norte-americano no comércio mundial. Além disso, os prêmios de exportação para embarques entre outubro e novembro seguem em alta, refletindo maior demanda pelo cereal brasileiro.
Chicago tenta recuperação após sequência de perdas
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros iniciaram a sexta-feira em leve alta, tentando recuperar parte das perdas acumuladas nos últimos dias.
Pela manhã, os contratos registravam:
- Setembro/2026: US$ 4,42 por bushel;
- Dezembro/2026: US$ 4,65 por bushel;
- Março/2027: US$ 4,80 por bushel;
- Maio/2027: US$ 4,89 por bushel.
Na sessão anterior, o mercado havia sido pressionado por realização de lucros e pelas previsões de clima favorável no cinturão produtor dos Estados Unidos, que reforçam as expectativas de elevada produtividade da safra norte-americana.
Segundo Ben Potter, analista do Farm Futures, o mercado permanece dividido entre a forte demanda doméstica e internacional e a expectativa de uma produção próxima de 16 bilhões de bushels nos Estados Unidos.
Apesar disso, o clima continua sendo a principal variável de risco.
Caso as previsões de calor intenso e tempo seco se confirmem durante o período crítico de desenvolvimento das lavouras, parte desse potencial produtivo poderá ser reduzido.
B3 opera próxima da estabilidade
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros abriram o pregão desta sexta-feira com pequenas oscilações.
As principais posições eram negociadas em torno de:
- Setembro/2026: R$ 68,33 (-0,15%);
- Janeiro/2027: R$ 74,39 (-0,21%);
- Março/2027: R$ 75,89 (-0,14%);
- Maio/2027: R$ 74,89 (+0,25%).
No fechamento da sessão anterior, os contratos haviam encerrado em alta, refletindo justamente o suporte proporcionado pelo câmbio e pela melhora das perspectivas das exportações brasileiras.
Colheita avança, mas ritmo ainda enfrenta dificuldades
O avanço da segunda safra segue desigual entre os estados.
No Paraná, a colheita já alcança aproximadamente 16% da área cultivada, porém o excesso de umidade, os elevados custos de secagem e perdas pontuais de qualidade ainda limitam o ritmo dos trabalhos.
Em Mato Grosso do Sul, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) manteve sua estimativa de produção da segunda safra em 12,47 milhões de toneladas, volume 5,4% inferior ao registrado no ciclo anterior. Embora a área cultivada tenha crescido cerca de 2,7%, a menor produtividade continua reduzindo o potencial produtivo estadual.
Já no Rio Grande do Sul, as indicações variam entre R$ 57 e R$ 65 por saca, enquanto em Santa Catarina a diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e as ofertas dos compradores mantém o mercado praticamente travado.
Perspectivas para o milho
O mercado deve continuar acompanhando três fatores que serão determinantes para a formação dos preços nas próximas semanas:
- evolução da colheita da safrinha brasileira;
- comportamento do dólar frente ao real;
- condições climáticas nas lavouras dos Estados Unidos.
Enquanto o câmbio continua oferecendo suporte às exportações brasileiras, a entrada mais intensa da nova safra tende a elevar a oferta interna. No cenário internacional, qualquer alteração nas previsões climáticas norte-americanas poderá aumentar a volatilidade em Chicago e, consequentemente, influenciar diretamente as cotações do milho no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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