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Milho e Sorgo

Milho cai em Chicago e tem negócios lentos no Brasil; temporais afetam lavouras no Sul

Maior oferta nos Estados Unidos e dólar em queda pressionam as cotações, enquanto chuvas, granizo e ventos fortes dificultam o avanço da safra brasileira de verão.


Publicado em: 16/10/2026 às 11:40hs

Milho cai em Chicago e tem negócios lentos no Brasil; temporais afetam lavouras no Sul

O mercado do milho chega a esta sexta-feira (16) com preços pressionados e negociações restritas no Brasil. Compradores abastecidos priorizam aquisições pontuais, enquanto produtores mantêm cautela na comercialização. No exterior, a perspectiva de maior oferta nos Estados Unidos pesa sobre os contratos da Bolsa de Chicago (CBOT).

Ao mesmo tempo, o excesso de chuva dificulta o plantio e o desenvolvimento da safra de verão no Sul do país. No Rio Grande do Sul e no Paraná, temporais provocaram danos localizados, ampliando a atenção sobre as condições das lavouras.

A combinação entre futuros em baixa, enfraquecimento da paridade de exportação e desvalorização do dólar limita a sustentação dos preços domésticos, mesmo diante dos problemas climáticos regionais.

Compradores abastecidos mantêm pressão sobre o milho no Brasil

O ritmo de comercialização permanece lento nas principais regiões produtoras e consumidoras. Segundo os levantamentos apresentados, consumidores trabalham com estoques confortáveis e buscam apenas os volumes necessários para reposição.

Parte dos compradores aposta em novas quedas no curto prazo. Do lado da oferta, produtores avançam gradualmente na fixação de lotes, mas os valores pedidos ainda superam as indicações de compra em diversas praças.

De acordo com a TF Agroeconômica, esse desencontro mantém os negócios limitados. O ritmo mais lento das exportações também contribui para reduzir a competitividade das ofertas destinadas ao mercado externo.

Nos portos, as referências ficaram entre R$ 65,00 e R$ 68,50 por saca em Santos, na modalidade CIF, e entre R$ 64,00 e R$ 68,00 em Paranaguá.

Preços variam conforme a praça e as condições de entrega

Os levantamentos apontam diferenças regionais nas cotações, influenciadas por frete, disponibilidade, prazo de pagamento e modalidade de negociação.

Em São Paulo, o milho foi indicado entre R$ 60,00 e R$ 62,00 por saca na Mogiana e entre R$ 66,00 e R$ 67,00 em Campinas, na condição CIF. Em Minas Gerais, Uberlândia apresentou referências de R$ 62,00 a R$ 65,00.

No Centro-Oeste, os valores ficaram entre R$ 55,00 e R$ 60,00 em Rio Verde (GO), na modalidade CIF, e entre R$ 52,00 e R$ 55,00 em Rondonópolis (MT). Em Mato Grosso do Sul, as indicações variaram de R$ 53,00 a R$ 56,00, com negócios pontuais e participação da indústria de bioenergia nas compras.

Em Santa Catarina, vendedores pedem aproximadamente R$ 60,00 por saca, enquanto compradores oferecem perto de R$ 55,00. A diferença restringe os acordos em um estado que depende do abastecimento de outras regiões.

No Paraná, um dos levantamentos apontou valores entre R$ 56,00 e R$ 60,00 em Cascavel. Já as referências regionais citadas pela TF Agroeconômica mostraram R$ 56,03 no município e R$ 53,12 no Oeste paranaense.

Temporais dificultam safra de milho no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a semeadura da safra 2026/27 alcançou 76% dos 896,4 mil hectares previstos. Chuvas frequentes, encharcamento do solo e baixa luminosidade dificultam a continuidade dos trabalhos e o desenvolvimento das plantas.

Granizo e ventos fortes provocaram falhas em lavouras do Noroeste, com possibilidade de ressemeadura em parte das áreas atingidas.

Em Ijuí, o plantio chegou a 92%, com recuperação de plantas afetadas pelo granizo. Santa Rosa apresenta danos mais expressivos, enquanto Frederico Westphalen atingiu 90% da área semeada.

O milho destinado à silagem chegou a 53% da superfície projetada, também sob influência das condições úmidas.

No mercado gaúcho, a TF Agroeconômica indica negócios entre R$ 60,00 e R$ 70,00 por saca. O preço médio apurado pela Emater/RS-Ascar recuou 0,37%, para R$ 62,44. Outras referências citadas foram de R$ 75,00 em Cruz Alta e de R$ 69,00 a R$ 71,00 em Erechim.

Paraná tem 90% do milho plantado, mas chuva limita trabalhos

No Paraná, o plantio alcançou 90% dos 371 mil hectares estimados pelo Departamento de Economia Rural (Deral).

Apesar do avanço, precipitações acima da média em algumas localidades dificultam as operações. Também há relatos de ocorrência de tripes e lagartas, além de danos associados a vendavais e granizo.

O quadro exige acompanhamento das lavouras, mas os problemas localizados ainda convivem com um mercado físico marcado por baixa liquidez e recuo das cotações em diferentes praças.

Milho recua em Chicago com maior oferta americana

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros operavam em baixa na manhã desta sexta-feira. Às 8h38, pelo horário de Brasília, o vencimento dezembro/26 era negociado a US$ 4,7625 por bushel, queda de 1,75 centavo, equivalente a aproximadamente 0,37%.

O contrato março/27 recuava 2,00 centavos, para US$ 4,8900 por bushel, enquanto maio/27 perdia 1,75 centavo, cotado a US$ 4,9625.

A pressão reflete a perspectiva de maior disponibilidade do cereal nos Estados Unidos. Conforme os números do relatório de oferta e demanda do USDA citados nos materiais, a estimativa de produção americana passou de 401,33 milhões para 407,28 milhões de toneladas. A projeção de estoques finais subiu de 39,79 milhões para 46,97 milhões de toneladas.

Na quinta-feira (15), o contrato dezembro/26 encerrou a sessão a US$ 4,7800 por bushel, baixa de 0,57%. O vencimento março fechou a US$ 4,9100, recuo de 0,65%.

Colheita e exportações dos EUA orientam investidores

O andamento da colheita americana segue entre os principais fatores monitorados pelo mercado. No levantamento do USDA divulgado na terça-feira (13), os trabalhos haviam alcançado 33% da área, abaixo da média histórica de 39%. O órgão classificou 56% das lavouras em condições boas ou excelentes.

As chuvas voltaram a interromper atividades em algumas regiões nesta semana. Entretanto, a previsão de tempo mais seco nos dias seguintes pode permitir a retomada das operações e ampliar a entrada de milho no mercado.

Na abertura desta sexta-feira, os investidores também aguardavam o relatório semanal de vendas externas do USDA, cuja divulgação estava prevista para as 9h30, após alteração no calendário pelo feriado americano de segunda-feira.

Em análise mensal de outubro, o Itaú BBA destacou que o desempenho das exportações será decisivo para os preços. Caso a demanda fique abaixo das projeções, os estoques americanos poderão aumentar ainda mais.

Dólar em queda enfraquece paridade de exportação

No registro cambial informado nos levantamentos, o dólar comercial recuava 0,20%, para R$ 5,0782. A queda da moeda americana reduz o equivalente em reais das receitas de exportação e, combinada às perdas em Chicago, pressiona as referências nos portos brasileiros.

Para os próximos negócios, o mercado acompanha a evolução do câmbio, as condições climáticas no Sul e o ritmo da demanda interna e externa. Enquanto compradores mantiverem aquisições pontuais e vendedores resistirem aos valores oferecidos, a tendência é de comercialização restrita.

Fonte: Portal do Agronegócio

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