Exportações de milho de Mato Grosso devem cair 27,39% com avanço do consumo interno
Novas usinas de etanol e ampliação da capacidade industrial devem elevar a demanda estadual para 27,04 milhões de toneladas, reduzindo o excedente disponível para embarques na safra 2026/27
Publicado em: 01/09/2026 às 20:00hs
As exportações de milho de Mato Grosso devem recuar na safra 2026/27, refletindo uma mudança na destinação da produção estadual. Com a expansão da indústria de etanol e o crescimento do processamento dentro do próprio estado, uma parcela maior do cereal deverá permanecer no mercado mato-grossense.
Segundo projeções do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), os embarques internacionais devem alcançar 17,50 milhões de toneladas, queda de 27,39% em comparação com a temporada 2025/26.
Consumo interno de milho deve crescer 16,23%
Enquanto as exportações perdem espaço, o consumo interno de milho em Mato Grosso está estimado em 27,04 milhões de toneladas na safra 2026/27. O volume representa crescimento de 16,23% frente ao ciclo anterior.
O avanço deverá ser impulsionado principalmente pela entrada em operação de novas usinas de etanol de milho e pela ampliação da capacidade produtiva de unidades já instaladas. Esse movimento reforça a transformação do cereal em matéria-prima estratégica para a produção de biocombustíveis no estado.
Além do etanol, o milho abastece diferentes segmentos da economia mato-grossense, incluindo as cadeias de proteína animal e outras atividades industriais.
Demanda total é estimada em 54,04 milhões de toneladas
Considerando consumo interno, exportações e movimentação interestadual, a demanda total pelo milho de Mato Grosso deverá atingir 54,04 milhões de toneladas em 2026/27.
Apesar da expansão do processamento dentro do estado, o volume total projetado representa queda de 7,41% em relação à temporada anterior. A redução está ligada principalmente à expectativa de embarques internacionais menores.
Vendas de milho para outros estados perdem participação
O comércio interestadual continuará relevante para o escoamento da produção mato-grossense. No entanto, sua participação na demanda deverá diminuir diante da maior atratividade do consumo local.
Com mais cereal direcionado às indústrias instaladas em Mato Grosso, a disponibilidade para compradores de outros estados e para o mercado externo tende a ficar mais limitada.
Estoques finais de milho podem cair 55,77%
A maior absorção do milho pelo mercado doméstico também deverá provocar forte redução dos estoques. O Imea projeta que as reservas finais da safra 2026/27 ficarão em apenas 290 mil toneladas, queda de 55,77% na comparação anual.
O volume mais enxuto indica menor disponibilidade de passagem entre as temporadas e reforça a necessidade de acompanhar o equilíbrio entre produção, processamento industrial e comercialização.
Etanol muda dinâmica do mercado de milho em Mato Grosso
As projeções confirmam uma transformação estrutural no mercado de milho de Mato Grosso. A expansão do etanol produzido a partir do cereal fortalece a demanda regional, agrega valor à produção e reduz a dependência dos canais tradicionais de escoamento.
Nesse cenário, o consumo interno ganha protagonismo, enquanto exportações e vendas interestaduais passam a disputar um excedente menor na safra 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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