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Clima

El Niño antecipa chuvas no Brasil, mas irregularidade em setembro aumenta alerta para a safra 2026/27

Precipitações devem avançar pelo Sul, Sudeste e Centro-Oeste, favorecendo o plantio da soja e a florada do café; Matopiba ainda terá volumes baixos e mal distribuídos, segundo a Rural Clima


Publicado em: 01/09/2026 às 18:20hs

El Niño antecipa chuvas no Brasil, mas irregularidade em setembro aumenta alerta para a safra 2026/27

O fortalecimento do El Niño deve antecipar o retorno das chuvas ao Brasil e melhorar as condições para o início da safra 2026/27. Apesar da mudança no padrão climático, setembro ainda deverá apresentar precipitações irregulares, alternadas com períodos de tempo seco e temperaturas elevadas, especialmente na região central do país.

De acordo com o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima, os modelos meteorológicos indicam maior presença de umidade durante a primeira quinzena do mês. As chuvas devem alcançar principalmente as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas sem distribuição uniforme ou continuidade suficiente para caracterizar o estabelecimento definitivo do período chuvoso.

Chuvas devem alcançar grande parte do Brasil

As projeções do modelo europeu apontam precipitações em praticamente todo o território nacional nos próximos 15 dias. O modelo norte-americano apresenta cenário semelhante, embora sinalize volumes menores nas áreas mais ao norte do país, especialmente no Matopiba.

Segundo a Rural Clima, a previsão europeia tem mostrado condições ligeiramente mais favoráveis para a ocorrência de chuvas. Ainda assim, os volumes e a regularidade das precipitações poderão variar significativamente entre as regiões.

Inicialmente, as instabilidades devem permanecer concentradas no Sul e em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro. Enquanto isso, o interior do Brasil continuará enfrentando tempo aberto, baixa umidade e calor intenso.

Frente fria leva chuva ao Sudeste e Centro-Oeste

O avanço de uma frente fria pelo Sudeste deverá ampliar as condições de chuva em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O sistema também poderá alcançar Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso.

Ao longo da semana, a movimentação da frente fria pela costa deve estimular novas pancadas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Posteriormente, outro sistema deverá avançar pelo Sul e transportar umidade para áreas da faixa central brasileira.

Rondônia, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais estão entre os estados com maior possibilidade de registrar precipitações no começo da próxima semana. A chegada dessa umidade será importante para reduzir o déficit hídrico e preparar o solo para as atividades agrícolas.

Matopiba ainda terá chuvas fracas e irregulares

O cenário permanece menos favorável no Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Após um período inicial predominantemente seco, algumas áreas poderão receber pancadas isoladas, mas os volumes deverão ser baixos e mal distribuídos.

Tocantins, oeste da Bahia, Maranhão e Piauí podem registrar chuvas pontuais. Entretanto, essas precipitações ainda não devem ser suficientes para proporcionar umidade uniforme ao solo ou garantir segurança para o início generalizado do plantio.

Áreas do Pará e de outros estados do Nordeste também devem permanecer com poucas chuvas durante parte do período analisado.

Plantio da soja pode começar em Mato Grosso

Para o agronegócio, o retorno das chuvas representa uma mudança importante no cenário da safra 2026/27. Em Mato Grosso, a reposição parcial da umidade do solo poderá estimular os primeiros trabalhos de campo e preparar as propriedades para a semeadura da soja.

O produtor, contudo, deverá acompanhar atentamente a distribuição das precipitações antes de iniciar o plantio. Chuvas isoladas, seguidas por períodos prolongados de calor, podem prejudicar a germinação das sementes e comprometer o estabelecimento inicial das lavouras.

A tendência apresentada pela Rural Clima indica que setembro poderá ter bons episódios de chuva, mas intercalados por novas interrupções. Dessa forma, o retorno das precipitações não significa necessariamente o começo de uma estação chuvosa regular.

Café, milho, arroz e cana também serão impactados

Além de favorecer a preparação das áreas destinadas à soja, as chuvas poderão estimular a abertura das floradas nos cafezais. A disponibilidade de água será determinante para a uniformidade da florada e para o potencial produtivo da próxima safra de café.

No Sul, as precipitações devem contribuir para a continuidade do plantio do milho. Em contrapartida, volumes elevados ou muitos dias consecutivos de chuva poderão dificultar a implantação do arroz.

No setor sucroenergético, a passagem das frentes frias pode provocar paralisações temporárias na colheita da cana-de-açúcar e nas operações das usinas. Os efeitos dependerão da intensidade e da duração das precipitações em cada região produtora.

Calor pode se aproximar dos 40°C no Centro do Brasil

Mesmo com o avanço das chuvas, o calor continuará sendo um fator de preocupação no Centro-Oeste e em outras áreas do interior brasileiro. As temperaturas poderão superar os 35°C e se aproximar dos 40°C em alguns municípios.

As condições de calor intenso aumentam a evaporação da água do solo e podem reduzir rapidamente os benefícios proporcionados por chuvas de baixo volume. Esse cenário reforça a necessidade de cautela no planejamento do plantio.

No Sul, a entrada de novas massas de ar polar deverá provocar queda nas temperaturas ao longo da semana. Apesar do resfriamento, a previsão não aponta risco significativo de geadas neste momento.

El Niño exige acompanhamento constante durante setembro

Segundo a Rural Clima, o fortalecimento do El Niño favorece a antecipação das chuvas em diferentes áreas do Brasil e da América do Sul, incluindo Paraguai, Bolívia e Colômbia. O fenômeno, porém, não garante que as precipitações ocorram de maneira regular em todas as regiões.

Para os produtores rurais, setembro será um mês de atenção redobrada. A combinação entre chuva irregular, calor intenso e períodos de interrupção poderá influenciar diretamente o calendário de plantio, a emergência das lavouras e as operações de colheita.

O acompanhamento frequente das previsões meteorológicas e das condições de umidade do solo será fundamental para reduzir riscos e definir o melhor momento para o início das atividades da safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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