Colheita da safrinha acelera no Brasil e tensão global impulsiona preços do milho na B3 e no mercado físico
Avanço da colheita da segunda safra ainda está abaixo da média histórica, enquanto clima adverso no Hemisfério Norte e conflitos no Mar Negro fortalecem o mercado brasileiro de milho.
Publicado em: 21/07/2026 às 11:50hs
A colheita da segunda safra de milho ganhou velocidade no Brasil e já alcança praticamente metade da área cultivada, ao mesmo tempo em que fatores internacionais voltam a dar sustentação aos preços do cereal. O avanço dos trabalhos no campo, aliado às preocupações climáticas nos Estados Unidos e na Europa e ao aumento das tensões no Mar Negro, mantém o mercado atento tanto ao ritmo da oferta brasileira quanto às oportunidades de exportação.
Segundo o mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até a última sexta-feira (17), 49,8% da área da safrinha já havia sido colhida, avanço expressivo em relação aos 38,9% registrados na semana anterior. Apesar da evolução, o índice permanece abaixo dos 55,5% observados no mesmo período de 2025 e também inferior à média dos últimos cinco anos, de 56,7%.
Mato Grosso lidera colheita da segunda safra de milho
O Mato Grosso segue como o estado mais avançado na retirada dos grãos, com 79,8% da área colhida, consolidando sua posição como principal produtor nacional. Na sequência aparecem Tocantins (73%), Maranhão (70%), Piauí (58%), Goiás (28%), Minas Gerais (18%), Mato Grosso do Sul (17%), Paraná (16%) e São Paulo (9%).
Do total cultivado, aproximadamente 45,1% das lavouras já estão em fase de maturação, enquanto 5% permanecem em enchimento de grãos, indicando que a oferta deverá aumentar significativamente nas próximas semanas.
Os técnicos da Conab destacam que a colheita avança principalmente nas áreas semeadas fora da janela ideal em Mato Grosso, onde as produtividades continuam apresentando resultados positivos. No Oeste do Paraná, entretanto, a elevada umidade do solo e dos grãos ainda reduz a velocidade das máquinas.
Em Goiás, a retirada do milho ganhou força principalmente nos talhões de menor produtividade. Já em Mato Grosso do Sul, o clima seco favoreceu os trabalhos de campo, embora a umidade dos grãos ainda imponha limitações ao ritmo da colheita.
Clima nos Estados Unidos e conflito no Mar Negro fortalecem preços
Enquanto a oferta brasileira aumenta gradualmente, o mercado internacional voltou a oferecer suporte às cotações.
De acordo com análise da TF Agroeconômica, o calor intenso registrado em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos e da Europa, somado ao ataque russo contra um navio carregado com milho ucraniano, elevou as preocupações sobre o abastecimento global e reforçou a competitividade do milho brasileiro nas exportações.
O cenário mantém aquecido o mercado portuário brasileiro para os embarques previstos no último trimestre do ano e amplia o interesse dos compradores internacionais pelo cereal produzido no país.
Contratos futuros avançam na B3
Refletindo esse ambiente mais favorável, os contratos futuros de milho encerraram a segunda-feira em alta na B3.
O contrato com vencimento em setembro de 2026 fechou cotado a R$ 69,43 por saca, com valorização diária de R$ 0,51 e ganho acumulado de R$ 1,64 na semana.
O contrato de novembro de 2026 encerrou o pregão a R$ 73,58 por saca, avançando R$ 0,82 no dia e R$ 2,44 na semana.
Já o vencimento para janeiro de 2027 terminou negociado a R$ 75,92 por saca, registrando alta de R$ 0,85 na sessão e valorização semanal de R$ 2,10.
Mercado físico apresenta comportamento regionalizado
No mercado disponível, o comportamento dos preços continua bastante heterogêneo entre as regiões produtoras.
Em localidades onde a colheita ainda avança lentamente, a menor oferta disponível e a retração dos vendedores sustentam as cotações. Já nas áreas em que os trabalhos estão mais adiantados, o aumento da disponibilidade do cereal começa a exercer pressão sobre os preços.
No Rio Grande do Sul, a baixa liquidez e a comercialização gradual mantiveram as negociações entre R$ 57 e R$ 65 por saca. Em Santa Catarina, a diferença entre os preços pedidos pelos vendedores, próximos de R$ 60, e as ofertas de compra, ao redor de R$ 55, continua limitando o volume de negócios.
No Paraná, onde apenas 16% da área foi colhida, bem abaixo dos 40% registrados no mesmo período do ano passado, a elevada umidade ainda dificulta o avanço das operações.
Já em Mato Grosso do Sul, a colheita saltou para 17% da área, ante apenas 4% na semana anterior. No estado, a demanda crescente da indústria de bioenergia tem contribuído para absorver parte da produção disponível, reduzindo a pressão de baixa sobre os preços.
Oferta maior deve aumentar liquidez, mas cenário externo segue como fator de sustentação
Com a intensificação da colheita nas próximas semanas, a tendência é de aumento da oferta de milho no mercado interno, elevando a liquidez das negociações. No entanto, o comportamento dos preços continuará sendo influenciado pelos fundamentos internacionais.
A combinação entre incertezas climáticas nas principais regiões produtoras do Hemisfério Norte, riscos geopolíticos envolvendo as exportações da região do Mar Negro e o avanço das exportações brasileiras poderá continuar oferecendo sustentação ao mercado, mesmo diante do crescimento da disponibilidade da segunda safra no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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