Tomate industrial irrigado entra no Zarc e ganha calendário de plantio por risco climático
Zoneamento orienta produtores sobre épocas de cultivo, temperaturas e chuvas; regras também são referência para crédito rural e programas de proteção da produção
Publicado em: 27/10/2026 às 10:10hs
O tomate destinado ao processamento industrial irrigado passou a integrar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). O estudo indica períodos de plantio por município e classifica os riscos de perdas associados a condições climáticas adversas, considerando também características do solo e o ciclo das cultivares.
A inclusão foi publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na Portaria nº 378, no Diário Oficial da União de sexta-feira (23). As informações podem apoiar o planejamento de produtores, instituições financeiras e seguradoras.
O zoneamento contempla o cultivo irrigado de tomate para processamento, sistema utilizado na produção de matéria-prima para polpas, extratos, molhos e outros derivados. Em 2025, o Brasil produziu 1,88 milhão de toneladas de tomate destinadas à indústria, conforme os dados apresentados no estudo.
Por que o Zarc foi direcionado ao tomate industrial?
Segundo os responsáveis pelo levantamento, o tomate industrial apresenta um sistema de produção relativamente uniforme no país. A atividade é caracterizada pelo uso de irrigação, cultivares híbridas de crescimento determinado e colheita mecanizada.
Essa padronização permitiu estruturar um zoneamento para o segmento. O tomate de mesa, por sua vez, reúne sistemas de cultivo mais diversos e não está contemplado neste estudo.
Para as lavouras destinadas ao consumo fresco, continuam aplicáveis as diretrizes do Manual de Crédito Rural referentes a empreendimentos sem Zarc publicado.
Irrigação reduz limitações, mas não elimina riscos climáticos
O cultivo industrial utiliza principalmente sistemas de irrigação por aspersão mecanizada, como o pivô central. Mesmo assim, as lavouras permanecem expostas a ondas de calor, frio, excesso de chuva e inadequações de solo ou de cultivar.
Segundo o pesquisador Marcos Braga, da Embrapa Hortaliças, esses fatores podem afetar a produtividade e também a qualidade da matéria-prima exigida pelas agroindústrias.
O trabalho envolveu a rede Embrapa e representantes da indústria, de instituições de ensino, pesquisa e extensão rural e de empresas agrícolas. As análises cruzaram dados de clima, solo e características da cultura para definir e validar as janelas de plantio.
O pesquisador ressalta que o estudo considera a adoção de manejo adequado às condições locais. Perdas causadas ou agravadas por manejo inadequado e descontrole fitossanitário não fazem parte da avaliação.
Goiás concentra 65% da produção de tomate industrial
A produção brasileira de tomate para processamento está concentrada no Cerrado e na Região Centro-Oeste, em áreas irrigadas, mecanizadas e integradas às agroindústrias.
Segundo os dados apresentados, a participação dos principais estados é:
- Goiás: 65%;
- Minas Gerais: 17%;
- São Paulo: 16%;
- Pernambuco: 2%.
No Cerrado, os plantios ocorrem principalmente de fevereiro a meados de abril. O clima mais seco durante parte do ciclo favorece o cultivo irrigado e ajuda a reduzir a ocorrência severa de doenças, especialmente as provocadas por fungos.
Para Goiás, o zoneamento também incorporou o período oficial de vazio sanitário, de forma a alinhar as recomendações às regras estaduais de prevenção e controle de pragas.
Janelas de plantio são divididas em três níveis de risco
O Zarc apresenta períodos de plantio com 20%, 30% ou 40% de probabilidade de perda de produção por eventos climáticos, conforme a metodologia do estudo.
As indicações são detalhadas por:
- Município;
- Tipo de solo;
- Ciclo da cultivar;
- Decêndio, período de dez dias utilizado para indicar a época de plantio.
Foram avaliados dois grupos de cultivares: aquelas com ciclo de até 120 dias e as de 121 dias ou mais.
Além de orientar as regiões já consolidadas, os resultados ajudam a identificar o potencial agroclimático de novas áreas para a atividade.
Calor, frio e chuvas excessivas afetam produtividade e qualidade
O cenário considerado ideal para o desenvolvimento do tomate industrial reúne temperaturas entre 20°C e 27°C, sem extremos nas fases mais sensíveis da planta.
Temperaturas máximas acima de 35°C durante a floração podem prejudicar a viabilidade do pólen, o pegamento dos frutos e, consequentemente, a produtividade e a qualidade da colheita.
No extremo oposto, mínimas abaixo de 3°C e temperaturas médias inferiores a 19°C em período crítico do ciclo também podem comprometer o desenvolvimento e a produção.
O estudo avaliou ainda o excesso de chuva no começo e no fim da lavoura. Acumulados superiores a 240 milímetros nos primeiros 40 dias podem dificultar o estabelecimento inicial. Já volumes acima de 90 milímetros na maturação e na colheita podem causar danos aos frutos e reduzir o rendimento industrial.
A indústria exige características como maturação concentrada, firmeza, sanidade, rendimento de polpa e teor de sólidos solúveis, medido em °Brix. Temperatura e disponibilidade de água também influenciam esses parâmetros.
Como consultar o Zarc do tomate industrial
O Mapa informa que as datas indicadas pelo zoneamento devem ser observadas pelos produtores que pretendem acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e o crédito rural, conforme as regras aplicáveis a cada operação.
Os resultados estão disponíveis para consulta no Painel de Indicadores do Zarc, nas portarias oficiais por estado e no aplicativo Zarc Plantio Certo, disponível para Android e iOS.
Fonte: Portal do Agronegócio
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