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Soja

Soja 2026/27: planejamento do plantio ganha peso diante dos riscos climáticos

Umidade do solo, janela de semeadura e manejo integrado são pontos de atenção para reduzir os efeitos da irregularidade das chuvas e preservar o potencial produtivo


Publicado em: 27/10/2026 às 13:00hs

Soja 2026/27: planejamento do plantio ganha peso diante dos riscos climáticos

O planejamento do plantio da soja na safra 2026/27 exige atenção à disponibilidade de água no solo e à distribuição das chuvas. Com o avanço da semeadura, avaliar as condições de cada área e acompanhar as previsões meteorológicas são medidas importantes para favorecer o estabelecimento das lavouras e reduzir riscos ao desenvolvimento da cultura.

Segundo Bruno Carloto, gerente de marketing estratégico da Acadian Sea Beyond na BU Atlantic, que abrange Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, a possibilidade de intensificação do El Niño reforça a necessidade de preparar o sistema produtivo para oscilações climáticas.

O cenário envolve uma cultura de grande escala no país. Conforme os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citados no material, a projeção para a temporada é de 181,64 milhões de toneladas, em uma área estimada em 49,3 milhões de hectares.

Umidade do solo deve orientar a decisão de semear

A ocorrência de chuvas precisa ser analisada em conjunto com a umidade disponível no solo. Nas primeiras etapas do ciclo, a água é determinante para a germinação das sementes e a emergência das plantas.

Carloto destaca que uma interrupção das precipitações após a semeadura pode elevar o estresse hídrico e prejudicar o desenvolvimento inicial da soja. Por isso, a decisão de avançar com o plantio deve considerar as condições do talhão e a perspectiva de continuidade das chuvas.

A definição da janela de semeadura, associada ao acompanhamento meteorológico, ajuda a organizar as operações e a reduzir a exposição da lavoura a condições desfavoráveis.

Déficit hídrico também afeta a fase reprodutiva

Os cuidados com a disponibilidade de água devem continuar após a emergência. A restrição hídrica ao longo do ciclo pode afetar características das plantas e componentes relacionados à produtividade.

Um estudo da Embrapa mencionado no material, conduzido na safra 2024/25, registrou redução de 4% no rendimento de grãos em condições de sequeiro após um período de 18 dias sem irrigação entre os estádios reprodutivos R1 e R3.

Também foram observados efeitos sobre o número e a massa de nódulos, a altura das plantas e o número de nós. O resultado corresponde às condições avaliadas na pesquisa, sem representar uma estimativa única de perda para todas as lavouras.

Segundo Carloto, a combinação de temperaturas elevadas e menor disponibilidade de água aumenta a demanda da planta para manter suas funções fisiológicas, podendo afetar a fotossíntese, o crescimento e o aproveitamento de nutrientes.

Manejo integrado começa antes do plantio

A preparação para enfrentar oscilações climáticas envolve decisões anteriores à semeadura e ajustes durante o desenvolvimento da cultura. Entre os pontos destacados pelo especialista estão a escolha da época de plantio, a nutrição equilibrada e o monitoramento contínuo das condições meteorológicas.

Essas práticas devem compor uma estratégia integrada, adequada às características de cada área. O objetivo é favorecer o desenvolvimento da soja e reduzir os impactos de períodos com menor disponibilidade de água ou temperaturas desfavoráveis.

Extratos de algas entram como ferramenta complementar

Entre as tecnologias citadas pela Acadian estão os biofertilizantes à base de Ascophyllum nodosum, alga encontrada nas águas frias do Atlântico Norte, especialmente na costa canadense.

De acordo com a empresa, os compostos presentes nesses extratos podem contribuir para as respostas fisiológicas das plantas diante de condições adversas.

No tratamento de sementes, a proposta é favorecer o desenvolvimento das raízes e a capacidade de absorção de água e nutrientes. Já as aplicações foliares são apresentadas como apoio às respostas da cultura ao estresse climático.

Carloto ressalta que esses produtos têm função complementar e precisam estar associados ao manejo adequado da lavoura. Para o especialista, estruturar o sistema produtivo antes da semeadura amplia as condições de preservar o desenvolvimento da soja e seu potencial de produção diante das variações de chuva e temperatura.

Fonte: Portal do Agronegócio

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